Artigo: ‘Ética: Força motora da sociedade’
- jjuncal10
- 4 de out. de 2020
- 3 min de leitura

Por: Luciana Carvalho/Bacharel em Publicidade e Propaganda

“O homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se acorrentado”. Jean-Jacques Rousseau
Esta frase de Rousseou, importante filósofo do movimento iluminista (1712 – 1778), denota nosso trajeto de vida em sociedade. Possuímos uma liberdade relativa, pois a todo instante estamos sob a vontade geral. Isso porque mesmo tendo a liberdade de agir, falar, ir e vir, estamos subordinados à lei, tendo como base os princípios éticos. Sabe aquela frase: “tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”? Cabe perfeitamente em como devemos guiar nossas vidas. E de fato é importante usarmos do bom senso para agir, principalmente para falar. Em um mundo globalizado, de conexão instantânea e veloz com todo o mundo através dos meios digitais, muitas pessoas se sentem em um universo paralelo, usando da liberdade e proteção que as telas dos smartphones propõem, para expor, sem pudor, sua ideias, mesmo que agridam verbalmente e psicologicamente ao outro.
Mas, será que as pessoas estão perdendo o bom senso ou é possível notar melhoras comportamentais na humanidade? As pessoas estão mais propícias à empatia? Estão mais preocupadas com as questões éticas? Ao mesmo tempo em que existem conflitos nas relações, físicas e virtuais, o homem avançou muito na preocupação com a influência dos seus atos sobre o meio social e ambiental, há muitos movimentos visando o bem comum, mas ainda está longe da homogenia de boas ações. Se boas ações têm relação direta com a ética e já conseguimos trabalhar estas ações, por que ainda estamos engatinhando neste aspécto? Por que ainda há tantos problemas sociais? Quem são os principais modificadores deste cenário que podem trazer a melhoria?
Precisamos corrigir nosso ponto de vista e virar a chavinha da nossa consciência para entender e praticar a mudança, começando em nós, melhorando o meio que estamos inseridos. Já que estamos aqui por um certo período de tempo, vamos dando nossa contribuição e preparando o mundo para as próximas gerações, atentos a como estamos lidando com os jovens e crianças nas instruções diárias do bem viver. Somos grandes agentes na mudança social, uma vez que podemos e devemos, na condição de pais e/ou tutores, preparar cidadãos melhores para o mundo. Mesmo a escola tendo uma grande parcela de participação na educação, são dos pais a responsabilidade de direcionar a criança ao caminho ético, incentivando as virtudes e podando as más tendências. Observemos que em tenra idade, o indivíduo está mais maleável e moldável. Mesmo com pouca idade, a personalidade já dá sinais. O meio familiar e, posteriormente, a sociedade são capazes de moldar os hábitos do indivíduo, seja para o bem ou para o mau.
A sociedade é como um organismo e a família é um núcleo celular. Se a célula não está saudável, consequentemente acabará por prejudicar parte do organismo. Ocorrendo o desajuste em várias células, logo todo o organismo adoeceria. Desta forma, uma família sem diálogo, sem bons exemplos, sem base ética, possivelmente formará adultos com graves conflitos que, consequentemente, refletirão na sociedade. Por isso a ética deve ser bem trabalhada no ceio familiar, juntamente com a escola. Assim como para se construir uma casa segura é preciso um forte alicerce, o mesmo ocorre com a construção do caráter do ser humano. O que alguns pais ainda não percebem é que pequenas atitudes são percebidas pelas crianças, assimiladas e interiorizadas tronando-se parte das escolhas destes pequenos. Quando os tutores negligenciam uma má conduta do filho, está ensinando que ele pode cometer o mesmo erro e que ficará impune, preparando para o mundo adultos imaturos e que não aceitam respostas negativas, desrespeitam as leis, ultrapassando os limites da confiança em prol de benefícios próprios.
A cultura do “tirar vantagem” está tão arraigada que nos faz aceitar pequenos e grandes delitos, seja no âmbito familiar, trabalho, escola, universidade e em maiores tarefas como as governamentais. Outro ilustre filósofo, Imannuel Kant, dizia que para saber se uma atitude está de acordo com a ética, o indivíduo deve fazer o exercício de empatia, se colocando no lugar do outro, fazendo ao outro aquilo que gostaríamos que fizessem a nós. De fato, quando nos colocamos como observador entendemos o todo, e entendo o todo, temos mais chance de agir corretamente, imparcialmente e de forma justa. O quanto estamos sendo éticos em nossas relações? O quanto estamos ensinando nossas crianças a serem éticas? Já furou fila? Já pediu preferência em um atendimento médico, mesmo sem ser caso de urgência? Já mentiu para conseguir algo, por que a verdade não lhe daria o que queria?
Vamos pensar o quanto estamos contribuindo para o bem e o mau da sociedade. De gota em gota o oceano é formado... Não há o que cobrar do outro, se não fazemos nossa parte. Ser ético é agir para o bem e ética é primordial para que sejamos uma sociedade menos desigual.




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