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AS REPOSIÇÕES SÃO DETERMINANTES NO SUCESSO DA BATALHA


Por CARLOS AROUCK

FORMADO EM DIREITO E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS


  

Durante 38 dias os Estados Unidos e Israel controlaram o céu sobre o Irã quase sem resistência. Milhares de alvos foram atingidos, radares foram desligados e drones caíram aos montes. No papel, parecia uma vitória clara. Só que essa vitória mostrou uma coisa que ninguém gosta de admitir: dominar o ar não resolve tudo. O que decide de verdade é quem consegue repor munição mais rápido.


Nos primeiros quatro dias a coalizão já tinha gastado mais de cinco mil mísseis, segundo estimativa do Foreign Policy Research Institute. Duas semanas depois o número passava de onze mil e a conta já batia na casa das dezenas de bilhões de dólares. O problema é que boa parte desse material não volta rápido. Relatórios do CSIS  (Center for Strategic and International Studies) mostram que mísseis como o Tomahawk e interceptores Patriot demoram anos para serem repostos no ritmo atual de produção. Israel sentiu isso no próprio estoque de mísseis Arrow. Os americanos estão sentindo também os Tomahawks que foram disparados aos montes enquanto a produção anual mal chegava a algumas dezenas.


A conta não fecha nem pelo lado do dinheiro. Um Patriot sai por uns quatro milhões de dólares. Um drone Shahed custa entre vinte e cinquenta mil. A diferença é absurda. E piora quando você olha para trás: muitos dos materiais que entram nesses sistemas vêm da China.


Ter fábrica não adianta se o que entra nela depende de quem está do outro lado.


A Ucrânia já vive isso todo dia. Em vez de tentar abater cada drone russo com um míssil caro, eles montaram uma defesa misturada: sistemas antigos adaptados, canhões e metralhadoras baratas para ameaças baratas, e drones interceptadores feitos para custar mais ou menos o mesmo que o alvo. A regra que eles aprenderam é simples: guardar o que é caro para o que só ele consegue parar e resolver o resto com volume.


Israel e os Estados Unidos estão investindo em coisas novas. O Iron Beam, o laser israelense, já está em uso e derruba drones por centavos por tiro. O Leonidas americano usa micro-ondas e consegue fritar vários drones de uma vez. São tecnologias que atacam exatamente o problema do custo. Só que ainda não estão prontas para carregar sozinhas a defesa. Dependem de clima bom, têm alcance curto ou ainda estão saindo do laboratório.


Ninguém está dizendo que os Estados Unidos e Israel perderam essa rodada. Os objetivos foram cumpridos. O que ficou claro é que manter esse tipo de operação por muito tempo sai caro demais se a indústria não acompanhar. Qualquer conflito maior, contra alguém que consegue produzir munição barata em escala, pode virar um problema de estoque antes mesmo de virar problema de estratégia.


No fim, a guerra de hoje não acaba quando o último míssil cai. Ela continua na velocidade com que as fábricas conseguem repor o que foi gasto. Quem estiver mais rápido nessa parte já tem vantagem antes mesmo de o próximo tiro ser dado. 



 
 
 

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