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RAZÃO E INSTINTO


ERIC PIRES

ADVOGADO, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO, PROCURADOR DO MUNICÍPIO DE BRUMADO


“…E no metrô, o que eu lhe disse? Talvez seja sua vez de perder! Ao que Kevin rebateu aos berros: “Perder? Eu nunca perco! Eu ganho! Sou um advogado! ”


A Milton resta apenas concluir: “...Caso encerrado! ” E, ainda mais sarcástico emendar com uma das mais célebres frases do filme: “... Vaidade é definitivamente meu pecado favorito! ”. Trecho retirado do filme Advogado do Diabo.


Jhon Milton representa o diabo, referência direta ao nome do autor do clássico “Paraíso Perdido”, o qual traz o diabo como anjo caído que proporciona luz às trevas e questiona os poderes de um “Deus” exclusivista e punitivo.


Milton continua: “É a maior piada de todas: Olhe, mas não toque. Toque, mas não prove. Prove, mas não engula…”


Milton tenta convencer que não há problema agir conforme os instintos, basta não carregar o fardo da culpa.


Será que existe liberdade em agir de forma instintiva, ao ritmo dos desejos concupiscentes? Considerando que os instintos são inclinações do corpo, incontroláveis e inopinados, agir conforme estes nos tornaria escravos ou livres?


Para os filósofos antigos, só existe liberdade na razão, ou seja, ser livre é deliberar diante das pulsões instintivas, não apenas sucumbir.


O mundo possui habilidade extrema em ser tentador. Aristóteles nos ensina que toda virtude é modesta, e a nossa conduta só poderá ser balizada diante da deliberação na presença do fato tentador. Assim, aquele que se autoproclama virtuoso, provavelmente não o é.


Platão no segundo livro de A República (2:359a–2:360d) nos conta sobre o Anel de Giges, artefato mágico que concede ao possuidor o poder de tornar-se invisível à vontade. Lá, o pastor, de conduta exemplar, se perde diante da certeza da invisibilidade.


E você, até que ponto sua moralidade resistiria diante da tentação acobertada pela certeza da invisibilidade? O mundo sempre será tentador, nos diversos âmbitos da convivência (trabalho, amizade, relações monogâmicas, etc). Livre será aquele que melhor deliberar ante às tentações. Caso não se sinta tentado pelo mundo, não se apresse em proclamar-se virtuoso, pois, talvez, você seja só desinteressante pro mundo mesmo.




 
 
 

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