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VISITANDO O PASSADO


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Mayrion Álvares da Silva

Profissão: Estoquista

Instagram: @folhadebrumado


É por isso que visito o passado

Pois é lá que encontro a alegria.

No passado as ruas eram seguras

Tanto a noite como de dia.


Enquanto os adultos fumavam cigarros,

Nós só queríamos as carteiras.

"Hollywood", "Continental" e "Arizona"

Pra fazer dinheiro de brincadeira.


As ruas eram repletas de inocência

Mas não afastava a criatividade.

Com os nossos carrinhos de "rolimã",

Riscávamos as calçadas da cidade.


A noite era uma criança

E as crianças a dominavam.

Os meninos brincavam de "Guarda Ladrão"

E as meninas com uma corda pulavam.


Tinha tantas brincadeiras no passado,

Que a saudade aperta o coração.

Brincávamos de "mãe da rua", "amarelinha",

"Chuta lateira", "passa anel" e "garrafão".


Em qualquer rua da cidade

O futebol como luva encaixava.

"Salãozinho", "dois toques", "gol de praia"

A famosa "pelada" e as "embaixadas".


"Boca de forno" comandava a turma

"Salada mista" a música que divertia.

E para brincar o "triângulo",

Tinha que ter uma boa pontaria.


Com um galho em formato de "ípsilon",

O "badoque" ou "estilingue" era feito.

Enchia as capangas de mamonas

E acertava os alvos de qualquer jeito.


Com mãos leves e sem tremer,

O "jogo de varetas" era a sensação.

Assim como para jogar "gude",

Tinha que ter firmeza e concentração.


Os carrinhos eram com "latas de óleo"

E a carroceria ficava bacana.

Com "faxina" fazia o eixo de mola

E as rodas com "sandálias havaianas".


As meninas brincavam de "casinha",

Com comida de mentirinha.

Animavam as ruas com o "baleado"

E com o "jogo das pedrinhas".


O único perigo que tinha no passado,

Era sair na rua com algo comendo.

Pois ouvia-se uma voz: "meu e seu"

E a metade da guloseima acabava perdendo.


Como não lembrar do passado,

Se tudo que nos falta está lá.

Segurança, respeito, liberdade

E até a escola do "Bê A Bá".


Minha escola tinha sabatina

E a farda era de "tergal".

O professor era autoridade,

Com patente de general.


Todo aluno tinha a obrigação

De aprender a temida "tabuada".

Se praticasse alguma indisciplina,

No recreio de castigo ficava.


Os professores aplicavam "prova oral"

E tinha aluno que era engraçado,

Seis vezes oito era quarenta e oito,

Porém, oito vezes seis tinha outro resultado.


O professor achava graça mas não ria

Mandava o aluno a "tabuada" estudar.

Dizendo que o certo seria aprender,

E não, algumas multiplicações decorar.


Na minha escola do passado,

O aluno respeitava o professor.

Lá ensinava o Hino Nacional,

E a oração do nosso Senhor.


Lá na escola do passado,

O aluno tinha direito de "merendar".

E o professor sentia-se seguro

Para simplesmente, poder "lecionar".


Hoje não tem mais brincadeiras,

As ruas estão tristes e vazias.

Hoje? Brincam de ser marginais,

Agredindo professores todos os dias.


É por isso que lembramos do passado,

Pois tudo de bom, só encontramos lá.

As brincadeiras, o respeito, a inocência,

Os valores e a importância de ESTUDAR


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