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Veronica de Oxosse Íyálorixá no Ilê Igba Òmó Aro Omin

Professora e Ativista do Movimento Mulheres Negras e luta contra a Intolerância Religiosa! Componho o Coletivo de Mulheres “Curicas Empoderadas”, atuante na área de palestras sobre autoestima e Empoderamento feminino


É A ALQUIMIA DA FARTURA 


Janeiro chegou e, com ele, aquela vontade genuína de renovar as esperanças e alinhar o passo com o que o coração dita e o que o orixá sopra. Para nós, este não é apenas o primeiro mês do calendário, mas o tempo sagrado de limpar as estradas para que a prosperidade não encontre barreiras. Na nossa cultura, prosperar vai muito além do acúmulo; é ter saúde para caminhar, caminhos abertos para as oportunidades e o Àse vibrando em cada pequena conquista. É um tempo de águas e ventos que sopram o novo, lembrando que o orixá nos dá o caminho, mas somos nós que precisamos colocar os pés na estrada com a energia certa. 


Para começar esse ciclo com o pé direito, podemos realizar um ritual de imantação que é pura poesia e força. Imagine o perfume da canela, da erva-doce e do anis-estrelado tomando conta da sua cozinha enquanto você prepara um milho amarelo, o símbolo máximo da fartura. Ao colocar o milho para cozinhar junto com um pedaço de rapadura e essas especiarias, você não está apenas preparando uma oferenda, está criando uma alquimia de magnetismo. A rapadura traz a doçura sólida da terra, enquanto as especiarias despertam o brilho e o encantamento necessários para atrair bons negócios e boas notícias. 


Assim que o milho estiver macio e o aroma preencher o ambiente, você deve separar a água do cozimento com carinho, pois ela é um verdadeiro elixir. Enquanto o milho descansa para ser montado em um alguidar ou prato de louça, regado com mel e decorado com sete moedas brilhantes que simbolizam o dinheiro em movimento, você se prepara para o seu momento. O milho será entregue à terra ou aos pés de uma árvore frondosa após vinte e quatro horas, mas o axé começa em você, através do banho feito com aquela água perfumada e adocicada. 


Derrame esse banho do pescoço para baixo após sua higiene habitual, sentindo o magnetismo da canela e a paz da erva-doce tocando sua pele. É o momento de mentalizar seu corpo sendo envolvido por uma aura de ouro e abundância. Enquanto a água cai, afirme com fé que você é solo fértil e um imã para todas as coisas boas. Janeiro pede esse cuidado, esse carinho com o espírito e essa conexão com os elementos que a natureza nos oferece tão generosamente. Que o seu mês seja de caminhos abertos e que a doçura da rapadura e o brilho do anis acompanhem cada passo da sua jornada. 



 

Por SIMONE SALLES    

JORNALISTA, MESTRE EM COMUNICAÇÃO PÚBLICA E POLÍTICA  


FALAR AO TELEFONE SE TORNA EXCEÇÃO NA ERA DAS MENSAGENS  


O toque do telefone, que por décadas simbolizou urgência e proximidade, vem perdendo espaço no cotidiano, especialmente entre jovens adultos. Para a Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) e parte dos millennials (nascidos entre 1981 e 1995), atender uma ligação se tornou exceção, não regra. Pesquisas recentes indicam que esse comportamento não é apenas uma preferência passageira, mas um reflexo de mudanças profundas na forma como as pessoas se comunicam, trabalham e se relacionam. 

  

Um levantamento realizado pela plataforma britânica Uswitch, com cerca de 2 mil entrevistados, mostrou que 25% das pessoas entre 18 e 34 anos afirmam nunca atender chamadas telefônicas. Entre os motivos mais citados estão a praticidade das mensagens, o receio de golpes e a sensação de que ligações inesperadas costumam trazer problemas. O mesmo estudo aponta que aproximadamente 70% dos jovens dessa faixa etária preferem se comunicar por texto, seja via aplicativos de mensagem, e-mail ou redes sociais. 

  

Essa transformação aparece também na escolha dos formatos. As mensagens diretas em redes sociais já são a opção favorita para quase metade dos jovens, enquanto os áudios, considerados mais flexíveis do que uma ligação ao vivo, superam as chamadas tradicionais. A lógica é simples: escrever ou gravar permite responder no próprio tempo, sem interrupções e sem a pressão de reagir imediatamente. 

  

Especialistas em comportamento digital e comunicação explicam que essa preferência está ligada ao modo como a Geração Z cresceu, conectada desde cedo à internet, acostumada à comunicação assíncrona e à multitarefa. Para muitos, a ligação telefônica soa invasiva, formal demais ou até antiquada. Não por acaso, mais da metade dos jovens entrevistados associa chamadas inesperadas a más notícias, enquanto quase 70% afirmam que só se sentem confortáveis em falar por telefone quando o contato é agendado previamente. 

  

O contraste geracional ainda é evidente. Entre pessoas com 55 anos ou mais, o telefone segue sendo um canal natural de conversa, e o uso de mensagens ou redes sociais como principal meio de comunicação é bem menos comum. Ainda assim, o fenômeno de ignorar chamadas não é exclusivo dos mais jovens. Cerca de 10% dos adultos entre 35 e 54 anos também admitem evitar atender o telefone, em especial quando o número não é identificado. 

  

No ambiente corporativo, essa mudança já provoca impactos concretos. Empresas que antes dependiam de ligações constantes agora lidam com equipes que preferem plataformas de vídeo conferência Slack, Teams, ou e-mail e WhatsApp. Consultorias de recursos humanos e especialistas em liderança alertam que, embora a comunicação escrita aumente a eficiência e reduza interrupções, o excesso de mensagens pode gerar ruídos, atrasos e dificuldades no alinhamento de expectativas. Evitar conversas por voz pode, ainda, limitar o desenvolvimento de habilidades importantes, como negociação, resolução de conflitos e feedbacks sensíveis. 

  

Por outro lado, a resistência às ligações também não se resume à idade. Questões como privacidade, segurança digital e qualidade de vida entram na conta. O aumento de golpes telefônicos fez com que muitas pessoas, inclusive mais velhas, simplesmente deixassem de atender números desconhecidos.  

  

Para outros, a mensagem é apenas mais prática, não exige parar o que se está fazendo, evita conversas longas e permite objetividade. 

  

Diante desse cenário, especialistas defendem um novo “acordo de convivência” na comunicação. Avisar antes de ligar, definir quando cada canal deve ser usado e respeitar preferências individuais são práticas cada vez mais comuns em ambientes multigeracionais.  

  

A ligação telefônica não desapareceu, mas ganhou um novo papel: deixou de ser o padrão e passou a ser reservada para situações em que a conversa ao vivo realmente faz diferença. 

No fim, o silêncio do telefone não significa falta de comunicação. Pelo contrário, nunca se trocou tanta informação. O que mudou foi o caminho — mais curto, mais escrito e, para muitos, menos barulhento. 


  


 

Por CARLOS AROUCK

FORMADO EM DIREITO E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS


Nos últimos meses, tornou-se evidente um processo de degradação moral em setores do antibolsonarismo. Grupos que antes se apresentavam como defensores do Estado de Direito passaram a normalizar prisões injustas, a celebrar perseguições a idosos e a aplaudir práticas típicas de um estado de exceção autoritário, impulsionado menos por justiça do que por vingança política. 

  

Para esses setores, o bolsonarismo deixou de ser um adversário político a ser combatido no campo das ideias, das eleições e da persuasão democrática. Sua própria existência passou a ser tratada como uma afronta pessoal e existencial, capaz de justificar arbitrariedades que, em qualquer outro contexto, seriam consideradas inaceitáveis. 

  

Embora o enfrentamento político seja legítimo, chama atenção o abandono progressivo de princípios democráticos elementares. Divergências passaram a ser tratadas como casos de polícia, enquanto a perseguição judicial, a fragilidade probatória e a relativização de garantias fundamentais passaram a ser vistas como meios aceitáveis para alcançar um fim considerado moralmente superior. 

  

Casos emblemáticos ilustram esse cenário. Pessoas são presas por fatos que não ocorreram ou condenadas com base em documentos antigos, disponíveis publicamente há anos, atribuídos a reuniões das quais não participaram. Ainda assim, tais episódios são celebrados por aqueles que se autodenominam “civilizados” e “democráticos”. 

  

Aplaude-se também a atuação de agentes do Estado que produzem relatos informais, frágeis e politicamente convenientes, elevados à condição de prova moral suficiente para sustentar acusações graves. Tudo isso se apoia na construção de um suposto “regime autoritário” que, na prática, jamais se materializou. 

  

Independentemente da avaliação política sobre o governo Bolsonaro, não houve a implantação sistemática de medidas de restrição às liberdades fundamentais. Mesmo que tenham existido formulações teóricas autoritárias, elas nunca se converteram em prática institucional e, em democracias, ideias não constituem crime. 

  

A narrativa do suposto golpe também se sustenta de forma precária. A hipótese de uma ruptura institucional conduzida por alguém já fora do poder, sem controle sobre forças armadas ou órgãos de segurança, a partir do exterior, e executada por civis desarmados, carece de plausibilidade histórica e lógica. 

  

Os eventos de 8 de janeiro de 2023 ainda exigem explicações consistentes. Permanecem sem resposta questões centrais sobre falhas de segurança, omissões institucionais, retirada de forças de contenção e ausência de reação imediata dos órgãos responsáveis pela proteção do Estado. Trata-se de um episódio sem armas, sem manifesto, sem liderança clara e sem comando militar — características incompatíveis com definições históricas rigorosas de golpe de Estado. Ainda assim, serviu de base para condenações severas, sustentadas mais por convicções políticas do que por provas objetivas. 

  

O resultado é uma justiça que se aproxima perigosamente do arbítrio, traço típico de regimes autoritários, não de repúblicas democráticas. As condenações passam a funcionar como instrumentos de vingança política contra figuras que desafiaram o establishment e mantêm relevância eleitoral. 

  

Nesse ambiente, torna-se socialmente aceitável a instrumentalização do sofrimento humano. A saúde, a dignidade e até a própria vida de adversários políticos passam a ser tratadas como moeda de pressão. A crueldade é relativizada quando dirigida ao “inimigo correto”. 

  

Esse processo não se limita ao plano abstrato; ele se manifesta em episódios concretos. Paralelamente a outras investigações, o ex-presidente Jair Bolsonaro encontra-se detido em uma unidade da Polícia Federal e sofreu recentemente um incidente de saúde. Segundo relato público, teria caído da cama na cela, apresentando desorientação, hematoma no rosto e sangramento nos pés. 

  

Um laudo médico da própria Polícia Federal classificou o episódio como traumatismo craniano leve, sem indicação imediata de gravidade. Ainda assim, a defesa solicitou autorização judicial para a realização de exames complementares em um hospital de Brasília, alegando a necessidade de avaliação mais detalhada. Também foi informado que Bolsonaro permanece detido em um espaço extremamente reduzido, descrito como um cubículo, sem condições adequadas para alguém em seu estado de saúde. A reação de setores da opinião pública — marcada por ironia, comemoração ou relativização do ocorrido — ilustra com clareza a corrosão moral aqui descrita. 

  

Discursos passados são utilizados para justificar abusos presentes, como se palavras pudessem legitimar perseguições, condenações sem provas e supressão de direitos. Confunde-se deliberadamente opinião com crime, retórica com prática, crítica com culpa. 

  

A história, inevitavelmente, julgará este período. E o fará com a mesma vergonha sentida por sociedades que, no passado, toleraram ou aplaudiram regimes autoritários, normalizando o arbítrio em nome de paixões políticas, ressentimento e vingança. 

  

O combate ao bolsonarismo, ou a qualquer movimento político, deve ocorrer no campo das ideias, da política, do voto e da mobilização democrática. Fora disso, não se constrói uma alternativa legítima, mas uma ditadura travestida de virtude. 

  

Que este período se encerre o quanto antes, para que o país possa virar, com lucidez e responsabilidade, mais uma página sombria de sua história. 

  

“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não se tornar também um monstro. Quando se olha por muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” 


Friedrich Nietzsche 



 
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