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RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE


Hoje, 12 de junho de 2026. Mais uma vez dia dos namorados. Não guardo boas recordações desse dia. Lembro-me de quando completei 18 anos de idade, atleta, estudante de Escola Técnica Federal, comunicativo... cheguei a ter quatro namoradas ao mesmo tempo. Contudo, órfão de pai, não dispunha de grana para presentear todas no Dia dos Namorados. Sobravam-me duas alternativas: acabar com os namoros antes do dia ou aguardar o dia e dividir com as demais um buquê de flores que a gaúcha Isaura enviava para minha casa. Eu retribuía as flores de Isaura levando-a ao Cine Monte Castelo. Isaura era bem mais alta do que eu, e passear com ela de mãos dadas me incomodava, mas era o jeito. A outra alternativa era colocar uma mensagem no potente serviço de alto-falante do meu bairro - Voz Araçagi - com os seguintes dizeres: alguém de olhos verdes oferece esta música para Zequinha, filho de Dona Cecilia, com muito amor! Eu ficava repugnado pelas demais namoradas, menos por Lucinéia, a única dos olhos verdes, que afirmava ser dela a referida mensagem sonora pela lembrança do dia dos namorados. E, dessa forma, eu passava o dia dos namorados com a mentirosa Lucinéia, pensando como fazer para reatar logo os demais namoros. Um sufoco! Eu com namoradas e sem presente pra dar.    


           Até que, em uma excursão do time de Futsal da Escola Técnica à cidade de Campo Maior, no Piauí − no Dia dos Namorados −, após o jogo, iniciou-se meu namoro com Maria do Rosário, filha de um próspero fazendeiro de bode daquela região. Maria do Rosário apaixonou-se a ponto de convencer o pai a bancar seus estudos em São Luís, para ficar perto de mim.  Meu coração também passou a bater só para aquela piauiense. Logo nosso namoro tomou proporções de noivado. Dessa forma, abdiquei das demais namoradas.  Eu estava no último ano do Curso Técnico em Pontes e Estradas, e Maria, do Rosário, iniciando o Curso Normal.  


         Maria do Rosário, em São Luís, morava na casa de uma tia, no bairro Felipinho, a 8 Km da minha casa, convivendo com duas primas e um primo, todos adultos (sempre detestei primo de namorada). Notei que a tia da Rosário não via com bons olhos o meu namoro com a sobrinha, como também percebi a pretensão da megera de casar a sobrinha com o filho dela, talvez para ocupar a vida desocupada deste. Chamava-se José Raimundo, não trabalhava, não estudava e era viciado em jogo a dinheiro. Malandro! Maria do Rosário o odiava, e eu idem. Mas, como ódio e amor são alma gêmea... 


          Concluí o curso Técnico em Pontes e Estradas e Maria do Rosário passou para o segundo ano Normal. Quando já procurávamos casa para morarmos, fui cogitado para um estágio na empresa ECL Engenharia, do Rio de Janeiro. Eu precisava de seis meses do estágio para concluir o quarto ano do curso técnico, receber o meu diploma, registrá-lo no CEAA e passar a trabalhar devidamente credenciado. Na época, um status de engenheiro operacional. Debaixo de choros e de muitas juras de amor, parti de São Luís do Maranhão para o Rio de Janeiro, no início de 1973. Comecei o estágio na Ponte Rio – Niterói, em seguida, no Laboratório de solos do DER-RJ, em Niterói, depois segui para concluir o estágio no Rio Grande do Sul, na execução da rodovia BR-293, Pelotas – Bagé (estrada do presidente Médici).  As cartas, única maneira de nos correspondermos na época, eram duas por mês nos primeiros meses. Em abril, recebi uma carta na qual a Maria do Rosário dizia que tinha de estudar muito para não perder o ano. Sentindo-me culpado, achei prudente ficarmos sem correspondência até o final do estágio. Só mais dois meses. Concluí, meu estágio com méritos, no dia 10 de junho.  No dia 12 de junho, Dia dos Namorados, voei ansioso do Rio Grande do Sul para São Luís. Cheguei à casa às 17h, e às 19h parti na Rural Willys do meu irmão para a casa da Maria do Rosário, bem-vestido, perfumado e com o presente do dia dos namorados, comprado em Sant´Ana do Livramento no Uruguai, a 160 Km de Bagé (na época, nosso cruzeiro valia quatro vezes o guarani de lá). O presente de Maria do Rosário era uma calça e uma blusa Blue jeans (“Chic”). Passava pela minha cabeça, naquele Dia dos Namorados, pedi-la em casamento. Cheguei ao bairro Felipinho, parei a rural em frente à casa da tia da Maria do Rosário, dei a última olhada no espelho, peguei os presentes, saí do carro, adentrei a área da casa e toquei a campainha. O coração, em festa, pipocava de expectativa. Surgiu na porta Dona Conceição, a doméstica da casa, que gostava de mim, até por levar sempre cigarros para ela. Quando me viu, quase teve um chilique. Levou as mãos à cabeça e, antes que ela dissesse alguma coisa, entreguei o presente dela, dois panos de seda para cabeça e um maço de cigarros (importados) Marlboro, e disse: 


           ─ Mesmo muito longe, lembrei-me da senhora! Espero que goste!... Por favor, chame Rosário, mas não diga que sou eu! 


           Não sei se ouviu minha voz, só sei que surgiu de súbito na porta, tomando a frente da pasma Dona Conceição, Maria do Rosário grávida, com uma aliança na mão esquerda e, numa atitude comovente, tentou explicar o inexplicável: 


            ─ Pelo amor de Deus, me ouve!... Deixa eu te explicar!... Eu ainda te...  


            Saí apressado dali e fui para uma praia curtir o pior Dia dos Namorados da minha vida. Pela primeira vez tinha presente para dar, mas não tinha namorada para receber. Pensava: Só podia ser pragas das minhas ex-namoradas. Fazer o quê?... Saber perder!... Aquele era o dia das caças!   


            Soube que, no dia seguinte, Maria do Rosário foi a minha casa, mas eu já “voava” com destino ao Rio de Janeiro para assinar contrato com empresa ECL Engenharia e seguir para Brumado – Bahia, coordenar a execução do projeto geotécnico da Estrada BR – 030 (trecho: Brumado – BR-116). É isso aí, Dia dos Namorados nunca foi minha praia! 



 

JOSÉ WALTER PIRES  

SOCIÓLOGO, ADVOGADO, POETA, CORDELISTA E ESCRITOR  

MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL 


Salve Brumado! Por que não saudá-lo 

Nesta data do seu aniversário? 

Com amor filial é que propalo 

Este berço de longo itinerário. 

 

Foi aqui que vivi  com mais regalo 

Ao lado da família, solidário  

A história da qual sempre falo 

Com todo o meu prazer comunitário.  

 

Enraizei-me à terra e à sua gente 

Buscando ser-lhes útil a todo instante 

Sem ser um imigrante tão-somente. 

 

E mais ter feito bem que poderia 

Para agradecer de forma exultante 

A honra e glória da Cidadania 

 

11 de Junho de 2026



 

Por CARLOS AROUCK

FORMADO EM DIREITO E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS


O secretário de Estado americano Marco Rubio anunciou, em 28 de maio, a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs). A partir de 5 de junho, as duas facções passam a constar como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). O governo Lula e grande parte da mídia brasileira reagiram com contrariedade. Em vez de reconhecer o cerco financeiro a duas organizações criminosas, o discurso oficial e jornalístico concentrou-se no possível prejuízo à economia: sanções a bancos, fintechs, Pix, agronegócio, turismo e até à Bolsa. 


Não se trata de coincidência. A designação terrorista coincide com a conclusão, nos dias 1º e 2 de junho, da investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O mecanismo acusa o Brasil de práticas desleais e propõe tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. As duas medidas formam um cerco duplo: de segurança nacional e de pressão comercial. Elas revelam algo incômodo: o Brasil permitiu o crescimento do crime organizado a ponto de Washington decidir intervir onde Brasília não conseguiu. 

  

Rubio descreveu o PCC e o CV como duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil, com alcance regional e nos Estados Unidos. A medida ativa o arsenal da OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros): bloqueio de bens, proibição de transações com americanos e punição a quem prestar apoio material. Isso inclui empresas e bancos que facilitem o fluxo de dinheiro ilícito, mesmo sem intenção. 


O governo Lula tentou impedir a decisão nos bastidores. Lula reagiu com irritação: “Não aceitamos ser tratados como moleques” e “não somos republiqueta”. Ele acusou Flávio Bolsonaro de traição por ter articulado o tema na Casa Branca. A narrativa predominante na imprensa — G1, Folha, BBC — centrou-se nos impactos sobre o sistema financeiro, especialmente o Pix, e nos alertas de especialistas sobre compliance mais rigoroso e o risco de o Brasil se tornar pária internacional. 


Há lavagem de dinheiro no sistema financeiro brasileiro. No mesmo dia 28 de maio, a Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Carbono Oculto, mirou seis fintechs e quatro fundos de investimento na Faria Lima que movimentaram R$ 26 bilhões em operações atípicas para o PCC entre 2022 e 2025. As empresas atuavam como bancos paralelos e introduziam recursos do tráfico de drogas e da adulteração de combustíveis no sistema formal.  


Operações anteriores já haviam revelado o mesmo padrão. O PCC e o CV utilizam fintechs, corretoras, criptomoedas, imóveis e portos para lavar bilhões. O Banco Central endureceu as regras, mas o problema persiste. Com a designação como terroristas, o escrutínio americano se intensifica: qualquer instituição com relações indiretas com as facções pode perder acesso ao dólar. A ABBC reconhece o desafio ampliado. Parte do dinheiro ilícito realmente circula pelo sistema. A pressão externa força o estrangulamento que o Brasil, sozinho, não conseguiu impor. 


A investigação da Seção 301, aberta em julho de 2025 por ordem de Trump, acusa o Brasil de distorcer o comércio por meio do Pix, que supostamente prejudica Visa e Mastercard, decisões do STF sobre big techs e Lava Jato, vistas como censura e interferência judicial, falhas no combate à corrupção, pirataria, barreiras ao etanol e desmatamento ilegal. A conclusão, divulgada dias após o anúncio sobre PCC e CV, recomenda tarifa de 25%, com consulta pública até o relatório final em 15 de julho. (g1.globo.com


O elo é claro: uma das frentes da Seção 301 é a falha brasileira em aplicar leis anticorrupção. O PCC e o CV não se limitam ao tráfico de rua. Eles controlam presídios, cooptam autoridades e infiltram a economia. O Pix entra no alvo por supostamente facilitar a lavagem por falta de salvaguardas. A designação terrorista reforça esse ponto. Sanções secundárias podem atingir quem usa o sistema para movimentar recursos das facções. Não se trata de algo isolado. É a continuação lógica: uma medida aperta o cerco financeiro direto; a outra usa o comércio como alavanca para forçar o endurecimento contra a corrupção que sustenta o crime. 


A militância disfarçada de jornalismo não disfarça a irritação. Em vez de questionar por que o Brasil permitiu que essas facções dominassem territórios, presídios e fatias da economia ilícita, o debate se volta para o prejuízo à soberania e o custo à economia. Trata-se do mesmo padrão ideológico que encara o crime como problema social, em vez de ameaça à soberania e à vida nas periferias. 


Existem riscos reais: custos de compliance, queda na Bolsa, encarecimento do crédito. O verdadeiro prejuízo econômico, porém, vem do crime: a corrupção drena bilhões, a violência afasta investimentos e destrói famílias. Ignorar isso para priorizar narrativas de intervenção externa revela cinismo. O Brasil não precisa de tropas americanas. Precisa de um Estado que recupere o controle dos territórios dominados pelo PCC e pelo CV. 


Flávio Bolsonaro celebrou a medida como vitória para o povo brasileiro. O governo Lula a considera armadilha eleitoral. A mídia, em sua maioria, optou pelo alarmismo econômico. A realidade é mais simples: o anúncio americano não é o problema. É o sintoma de que o Brasil falhou em resolver o seu. Enquanto o PCC e o CV controlarem favelas e presídios, qualquer discurso de soberania soa vazio. 


O cerco se fechou. Cabe ao Brasil decidir se continua a pagar o preço do crime organizado ou se enfim o enfrenta antes que o custo, econômico e humano, se torne insustentável. 



 
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