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Por CARLOS AROUCK

FORMADO EM DIREITO E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS


Em uma votação apertada que expõe as divisões internas da União Europeia, o Parlamento Europeu aprovou nesta quarta-feira a suspensão do processo de ratificação do acordo comercial com o Mercosul. Também encaminhou o texto para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, o TJUE. A moção foi aprovada por 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções, atendendo a pressões de agricultores e de governos protecionistas, especialmente da França, Irlanda, Polônia e Áustria. 

  

O acordo, assinado no último sábado, dia 17, em Assunção, no Paraguai, após 25 anos de negociações, criaria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. O tratado abrangeria mais de 700 milhões de consumidores e eliminaria tarifas sobre 92 por cento das exportações do Mercosul para a União Europeia. Representantes da Comissão Europeia, liderada por Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, presidido por António Costa, defenderam o pacto como um avanço estratégico para o multilateralismo em um cenário de crescente protecionismo global. 

  

A decisão do Parlamento, no entanto, representa um duro revés para a Comissão Europeia e para os exportadores sul americanos, que contavam com maior acesso aos mercados europeus para produtos agrícolas, carnes e manufaturados. A revisão pelo TJUE, solicitada por um grupo de eurodeputados principalmente de partidos de esquerda e verdes, questiona a legalidade da divisão do acordo em duas partes, um pacto interino de comércio e um acordo de parceria mais amplo. Também estão sob análise cláusulas como o mecanismo de reequilíbrio, que permitiria ao Mercosul adotar medidas compensatórias caso novas leis ambientais ou sanitárias europeias prejudiquem suas exportações. 

  

O tribunal pode levar até cinco anos para emitir um parecer, o que na prática congela a votação final no Parlamento Europeu. Embora a Comissão Europeia tenha a prerrogativa de aplicar provisoriamente as partes comerciais do tratado, como a redução de tarifas e cotas, especialistas avaliam que essa opção é politicamente inviável. O peso dos lobbies agrícolas e o risco de o Parlamento anular a medida mais adiante tornam essa saída pouco provável. 

  

Do lado europeu, a vitória temporária dos agricultores reforça o protecionismo interno da União Europeia, que segue priorizando a defesa de setores sensíveis mesmo diante de oportunidades econômicas globais. Países como a Alemanha, principal defensora do acordo, criticaram a decisão e pediram que a Comissão avance com a aplicação provisória do tratado. 

  

No Mercosul, especialmente no Brasil, a decisão reacende críticas ao que muitos consideram amadorismo da diplomacia e do setor empresarial, que teriam aceitado um texto assinado às pressas, sem garantias concretas de aprovação no Parlamento Europeu. O governo brasileiro anunciou que pretende acelerar a tramitação interna do acordo no Congresso Nacional, na tentativa de aumentar a pressão política sobre a União Europeia. 

  

O acordo UE Mercosul entra para a lista de promessas que não sobreviveram ao teste da realidade. A União Europeia protege seus interesses e empurra o problema para os tribunais. O governo Lula, por sua vez, fica com o discurso vazio. Apostou prestígio político, vendeu narrativa de sucesso e entregou fracasso. No ano eleitoral, o Planalto não tem acordo, não tem resultados econômicos e não tem nada concreto para mostrar além de retórica diplomática. 



 

RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE


   Não se trata do retorno do craque Neymar ao Santos. Dessa vez o buraco é mais embaixo! 


          Quando da minha gestão na presidência do Talmag Futebol Clube, em Brumado-BA, destacou-se um jogador que, motivo óbvio, vamos chamá-lo de Babá. Caboclo forte, novo, sem vícios e razoável no trato com a bola, daí a minha iniciativa de enviá-lo para tentar uma carreira de jogador de futebol profissional no Fluminense de Feita de Santana. 


          Pacato e muito preso às suas origens, Babá não se firmou no Fluminense de Feira. O máximo que conseguiu na Princesa do Agreste foi cair no agrado de um delicado dirigente daquele Clube, que passou a lhe quebrar todos os galhos: casa, comida, roupa lavada... A coisa pegou no dia em que o distinto dirigente tricolor enfiou uma aliança de ouro no dedo anular da mão esquerda de Babá e, com um olhar de lua minguante, acrescentou:  


          ― Até que a morte nos separe! 


          Babá sentiu ter chegado a hora de tirar seu time de campo. Vendeu a aliança, comprou uma passagem, meteu-se num macacão branco ESSO que subtraíra da sua cara-metade e escapou naquele final de ano, às 20h, em um ônibus com a conotação de extra, com destino a Brumado.  


         O retorno do craque Babá transcorria na mais perfeita normalidade. Ele até descontrai-se, flertando com uma gatinha que viajava na poltrona ao lado.

 

          No início da madrugada, o ônibus parou no Terminal Rodoviário de Jequié. Consciente das suas limitações financeiras, Babá tratou de driblar a sua companheira de viagem, indo até uma quitanda próxima onde saboreou todo conteúdo de uma lata de sardinha em “conserva” com farinha de mandioca. 


          O ônibus reiniciou a viagem e Babá, o namoro. Beijos, apertos, corrimão, tudo que a ocasião propiciava. Nas proximidades de Poções, Babá sentiu uns inchaços esquisitos na barriga, mas isso ele tirou de letra soltando bufas enrustidas, provocando o natural abre e fecha de janelas do “buzu” por parte dos demais passageiros. Gozado é que, nessas ocasiões, Babá fazia sempre um teatrinho, tapando o nariz com a mão e esboçando no rosto um gesto de repúdio. A garota ao lado morria de vergonha só em pensar na hipótese de ele achar que partiam dela tão fedorentos gazes.  


         Foi no trecho Vitória da Conquista ‒ Anagé que o “tambor virou pra mata”. O ônibus descia a Serra dos Pombos, quando Babá começou a suar mais que tampa de chaleira. Possuído por uma braba infecção intestinal. Babá buscou com um olhar espio o fundo do ônibus e desapontou-se ao ver que no mesmo não havia toalete. Na sua agonia ele abriu a janela e avistou as luzes da cidade Anagé muito longe para suas pretensões. A cólica de Babá só aumentava e ele gemia. ‒ Maldita sardinha! Pensou em pedir uma parada do ônibus, mas temeu levantar-se e a coisa acontecer ali mesmo.  A companheira de viagem de Babá ao perceber a situação, fez suas deduções e foi sentar mais à frente dando cifras finas a namoro.  


          Pálido da cólica e do esforço descomunal para conter-se, Babá já ia entregar os pontos quando o ônibus parou em frente ao Ponto de Apoio ‒ na época ‒ no centro de Anagé. Babá desceu “rápido” de pernas fechadas em direção ao quintal do estabelecimento e qual não foi o seu desaponto, quando viu que a porta do sanitário estava fechada. Babá, na sua aflição, só deu tempo de baixar o macacão, ficar de quatro com o traseiro virado para a porta da privada, abri-la subitamente com um “coice” e descarregar de fora pra dentro sucessivas rajadas...    


         ― O QUE É ISSO???... SOCORRO??? ‒ o grito de pavor ecoou de dentro da privada rompendo o silêncio da madrugada. 


          O craque Babá, ainda na ridícula posição de quatro, olhou por baixo e viu uma brasa de cigarro se apagando na boca de um inocente caminhoneiro que viajava em pensamentos sentado no vaso sanitário. Babá vestiu-se no macacão do jeito que estava e correu em direção à estrada, enquanto o caminhoneiro era socorrido com baldes d’água com creolina.

 

          O ônibus recolheu Babá uns cinco quilômetros na margem da estrada BA - 262.  Devido ao seu estado “fedorífero” ele viajou no fundo do ônibus, enquanto os demais passageiros comprimiram-se do meio para frente do veículo.  


         Ao descer em Brumado ‒ antes do Terminal ‒, Babá, tentando esconder-se em busca de um ‘sanitário”, ainda ouviu dos passageiros, em coro, inclusive da garota do flerte: 


          ― Cagão!!! Cagão!!! Cagão!!!... 


          Babá, que depois dessa abandonou o futebol, me confidenciou que tudo não passou de praga do distinto tricolor do macacão ESSO e da aliança. 



 
  • 29 de jan.

“E, se não há ressurreição de mortos, também o Cristo não ressuscitou.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, capítulo 15, versículo 13.)  

  

Teólogos eminentes, tentando harmonizar interesses temporais e espirituais, obscureceram o problema da morte, impondo sombrias perspectivas à simples solução que lhe é própria.  

  

Muitos deles situaram as almas em determinadas zonas de punição ou de expurgo, como se fossem absolutos senhores dos elementos indispensáveis à análise definitiva. Declararam outros que, no instante da grande transição, submerge-se o homem num sono indefinível até o dia derradeiro consagrado ao Juízo Final.  

  

Hoje, no entanto, reconhece a inteligência humana que a lógica evolveu com todas as possibilidades de observação e raciocínio.  

  

Ressurreição é vida infinita. Vida é trabalho, júbilo e criação na eternidade.  

  

Como qualificar a pretensão daqueles que designam vizinhos e conhecidos para o inferno ilimitado no tempo? como acreditar permaneçam adormecidos milhões de criaturas, aguardando o minuto decisivo de julgamento, quando o próprio Jesus se afirma em atividade incessante?  

  

Os argumentos teológicos são respeitáveis; no entanto, não deveremos desprezar a simplicidade da lógica humana.  

  

Comentando o assunto, portas adentro do esforço cristão, somos compelidos a reconhecer que os negadores do processo evolutivo do homem espiritual, depois do sepulcro, definem-se contra o próprio Evangelho. O Mestre dos Mestres ressuscitou em trabalho edificante. Quem, desse modo, atravessará o portal da morte para cair em ociosidade incompreensível? Somos almas, em função de aperfeiçoamento, e, além do túmulo, encontramos a continuação do esforço e da vida. 

 

Do livro: Caminho, verdade e vida 

Chico Xavier / Emmanuel 



 
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