
Por SIMONE SALLES
JORNALISTA, MESTRE EM COMUNICAÇÃO PÚBLICA E POLÍTICA
Novo levantamento da Serasa mostra que preocupação com contas também prejudica sono, humor e autoestima
Problemas financeiros deixaram de ser apenas uma preocupação com o orçamento doméstico e passaram a pesar diretamente sobre a saúde mental dos brasileiros. Uma pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box mostra que 89% dos entrevistados afirmam já ter sofrido algum impacto na saúde mental em razão de dificuldades financeiras.
O resultado representa uma piora em relação à pesquisa anterior, realizada em 2025, quando 84% dos brasileiros haviam relatado impacto dos problemas financeiros sobre a saúde mental. O levantamento mais recente mostra que a falta de dinheiro e a dificuldade para pagar as contas estão entre as principais preocupações para 80% dos entrevistados.
O sono aparece entre os aspectos mais afetados. 71% afirmam ter percebido piora na qualidade do descanso por causa das finanças. O percentual aumentou em relação à pesquisa anterior, quando 54% relataram o mesmo problema. Alterações de humor foram mencionadas por 53%, problemas de autoestima por 50% e instabilidade emocional por 47%.
A dificuldade financeira pode criar um ciclo difícil de romper. Segundo a pesquisa, 62% dos entrevistados já deixaram de procurar ajuda psicológica porque não tinham condições de pagar, percentual superior aos 49% registrados no levantamento de 2025.
Ao mesmo tempo, a relação pode ocorrer nos dois sentidos. Entre aqueles que relataram problemas financeiros associados a questões de saúde mental, 70% acumularam dívidas, 64% disseram ter enfrentado desorganização financeira, 41% consumiram a reserva de emergência e 37% passaram a depender de crédito para despesas do dia a dia.
A pesquisa também mostra o peso financeiro do próprio cuidado com a saúde mental. 66% afirmam que gastos relacionados a esse cuidado já provocaram dificuldades financeiras. Apesar disso, 83% dizem que gostariam de investir mais na própria saúde mental e 67% afirmam que atualmente já têm algum gasto nessa área.
Para 76% dos participantes, a educação financeira pode contribuir para melhorar a saúde mental. Outros 63% acreditam que o apoio psicológico pode ajudar na tomada de decisões financeiras, enquanto 57% avaliam que a redução do estresse poderia levar a escolhas financeiras mais ponderadas.
ESTRESSE FINANCEIRO VAI ALÉM DAS CONTAS
Os dados reforçam uma relação cada vez mais discutida entre saúde financeira e saúde mental. A preocupação constante com dívidas, contas atrasadas e falta de dinheiro pode ultrapassar o aspecto econômico e atingir o sono, o humor, a autoestima e a capacidade de tomar decisões.
Um estudo recente liderado por pesquisadores da University College London também encontrou associação entre dificuldades financeiras persistentes ao longo da vida adulta, pior desempenho cognitivo aos 53 anos e sinais de maior envelhecimento cerebral décadas depois. O trabalho acompanhou 2.759 pessoas no Reino Unido e foi publicado na revista Innovation in Aging.
O levantamento da Serasa foi realizado entre 19 e 26 de agosto de 2026, com 1.140 pessoas de todo o país, por meio de entrevistas on-line. A margem de erro é de 2,9 pontos percentuais.








Por CARLOS AROUCK
FORMADO EM DIREITO E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS
O espetáculo oferecido pelo Supremo Tribunal Federal na sessão de 15 de setembro ultrapassou o debate jurídico. Ao expor, em público e em tempo real, acusações mútuas sobre uma “PF paralela”, alinhamentos políticos e o uso seletivo da máquina estatal, a Corte desnudou uma crise institucional rara. Não se julgou o mérito da investigação contra Alexandre de Moraes. Julgou-se, sem querer, a própria credibilidade do tribunal.
Do ponto de vista político, o episódio funciona como combustível imediato para a oposição. Os bate-bocas, o racha, a existência de um “sistema” seletivo e o adiamento ganharam imagens, frases e, como resultado esperado, um plenário em frangalhos. Por culpa do próprio Judiciário, esse desgaste em período eleitoral é principalmente canalizado contra a base governista. Lula, por sua vez, tenta um distanciamento. “Quem errou tem que pagar”, afirmou para não absorver por completo o custo reputacional de um Judiciário que, até há pouco, era apresentado como baluarte institucional.
No campo jurídico, o dano é a erosão da previsibilidade. O debate sobre atribuições da Polícia Federal, sigilo de peças, relatoria e limites das decisões monocráticas mostrou que o rito foi substituído pela disputa de poder. O pedido de vista de Flávio Dino não apenas adiou a decisão, mas interrompeu o julgamento no momento em que o confronto ameaçava sair do controle e empurrou o desfecho para depois do período mais crítico da campanha. Quando o calendário processual se curva ao calendário eleitoral, a mensagem ao país é que o cálculo prevaleceu sobre a impessoalidade.
A toga existe para apagar o indivíduo. Preta para não refletir luz, longa para esconder o corpo, solene para lembrar que ali não fala o homem, fala a instituição. Na terça-feira, a toga não se mostrou imparcial. Escondeu menos ainda o racha. Gilmar Mendes apontou o dedo. André Mendonça gritou “não aponta o dedo para mim”. Moraes e Mendonça se acusaram, de mentira e de serviço, a projetos políticos. Cármen Lúcia pediu desculpas ao país. Dino comentou sobre corrupção no Judiciário, pediu vista e fechou o espetáculo.
O Supremo não decidiu sobre Moraes. Decidiu, na prática, que a política já havia conquistado a toga. O que resta agora é saber se a instituição ainda consegue recuperar o que a sessão de tornou visível: que, por baixo do pano preto, sobrou menos Corte e mais facção.








Quando Chico começou a receber as primeiras poesias do Parnaso, um senhor tradicional da cidade, impressionado com os versos, achou por bem apresentá-lo a um conhecido escritor mineiro que visitava a cidade. Ao ser apresentado, o escritor leu os sonetos de Augusto dos Anjos, Casemiro Cunha e outros e logo fez sua crítica: "Tudo é bobagem, esse rapaz é um besta!".
Mas respondeu o apresentador: "Ele tem convicção e aceitou o espiritismo como doutrina!..."
_ Pois então é uma besta espírita!
Como sempre fazia, Chico nada respondeu. Despediu-se e, à noite, em sua casa, quando orava, sua mãe apareceu e ante às palavras do filho que se julgou insultado, ela respondeu: " Não vejo insulto algum! Ao contrário, você é que foi honrado! Uma besta é um animal de trabalho e uma besta espírita está a serviço do espiritismo. Se não der coices é um elemento valioso e útil..."
Do livro: Nosso amigo Chico Xavier
Luciano da Costa e Silva
























