- 28 de mai.

Mayrion Álvares da Silva
Estoquista
Instagram: @folhadebrumado
Às vezes penso,
Que a angústia
Já faz parte de mim,
Às vezes!
Custo a entender
Porque existe o fim.
Mas às vezes!
É só às vezes,
Não persiste.
Se às vezes
Fosse contínuo,
A vida seria mais triste.
Às vezes penso,
Que o amor é eterno
Na filosofia do pensar,
Às vezes!
Sinto como é dolorido
Viver para te amar.
Mas às vezes!
É só às vezes,
Não é toda hora.
Se às vezes
Fosse contínuo,
Não analisaríamos como agora.
Às vezes penso,
Que a poesia
É uma fuga para o desencanto.
Às vezes!
Sei que o desamor
Faz parte do meu pranto.
Mas às vezes!
É só às vezes,
Não é uma insistência.
Se às vezes
Fosse contínuo,
Não sentiríamos carência.
Às vezes penso,
Que o meu pensar
É mera filosofia.
Às vezes!
Sei que minha liberdade
Está na poesia.
Mas às vezes!
É só às vezes,
Não é todo momento.
Se às vezes
Fosse contínuo,
Ficaríamos presos no pensamento.








- 27 de mai.

Veronica de Oxosse Íyálorixá no Ilê Igba Òmó Aro Omin
Professora e Ativista do Movimento Mulheres Negras e luta contra a Intolerância Religiosa! Componho o Coletivo de Mulheres “Curicas Empoderadas”, atuante na área de palestras sobre autoestima e Empoderamento feminino
O dia da África, celebrado em 25 de maio, evoca globalmente a união de um continente que se levantou para reescrever sua própria história. Mas, se cruzarmos o Atlântico e pousarmos os pés em solo brasileiro, descobriremos que essa data não cabe nas páginas dos livros de história, nem se limita ao passado. No Brasil, falar de África é falar do espelho que nos reflete todas as manhãs. Ela é o fio condutor, invisível e potente, de tudo o que praticamos, sentimos e vivemos no nosso cotidiano.

Esse cordão umbilical nunca foi partido. Quando os nossos mais velhos cruzaram o oceano, trouxeram consigo a maior riqueza que nenhuma corrente pôde confiscar: a memória viva da ancestralidade. Eles plantaram o axé nas frestas das calçadas, no silêncio das roças e no calor acolhedor dos terreiros. O que hoje chamamos de cultura brasileira é, em essência, a resistência negra que insistiu em germinar, transformando o sagrado em um território de cura e de comunidade.
Essa força transborda os muros dos terreiros e inunda as ruas. Ela está na nossa boca, nas palavras de afeto que usamos diariamente; está no cheiro e no aconchego da nossa culinária rústica e afetiva; e pulsa, sobretudo, no compasso do nosso corpo. O samba, o jongo e a batida que faz o povo dançar carregam em seu DNA a estrutura pollirritmia dos tambores ancestrais. O corpo brasileiro balança porque traz o coração alinhado ao toque do atabaque.
Celebrar essa herança no nosso dia a dia é um ato de justiça, de afeto e de soberania espiritual. Significa reconhecer que a nossa espiritualidade se manifesta na natureza, no respeito aos mais velhos e na certeza de que ninguém caminha sozinho. Olhar para a nossa rotina com esse orgulho é entender que a matriz africana é a espinha dorsal da nossa identidade. Nós somos porque eles foram, e é honrando esse solo sagrado que garantimos a força para caminhar de cabeça erguida, hoje e sempre.






- 25 de mai.

Se foste chamado à luz
Da grande revelação,
Lembra, amigo, que a doutrina
É o pensamento cristão.
Fenômenos, teorias,
Ciências daquilo ou disto,
Já eram velhos no mundo,
Bem antes de Jesus Cristo.
“Nada novo sob o sol”
Dizia já Salomão.
Toda a grande novidade
Inda é a nossa imperfeição.
Capacita-te, portanto,
Que a tua necessidade
É a de aplicar o Evangelho,
Por tua felicidade.
Não há Espíritos guias,
Nem mensageiros do Além
Que façam mais que Jesus
Na santa lição do Bem.
Se já escutaste no mundo
A doce voz dos Espaços,
Corrige o teu coração,
Regulariza os teus passos.
O Além não se comunica
Tão só para o teu agrado,
Mas a fim de que realizes
O ensino do Mestre Amado.
Não peças muito aos teus guias
Completa orientação,
Por serem desencarnados,
Não vivem na perfeição.
O esforço próprio é uma lei
Das mais nobres que há na vida;
A morte não representa
Liberdade redimida.
Restringe as tuas perguntas
No instante de tuas preces.
Não sabes o que desejas
Mas Deus sabe o que mereces.
Cumpre sempre os teus deveres,
Trabalho e realização
São das preces mais sublimes
De tua religião.
Para as horas de amargura,
Para as dúvidas da sorte,
O Evangelho é a luz da vida
Que esclarece além da morte.
No desempenho sagrado
De tua excelsa missão,
Não te afastes da tarefa
De paz e de redenção.
Não te percas no caminho.
És bem o trabalhador
De quem Jesus vive à espera
Dos testemunhos de amor.
Casimiro Cunha
Livro: Cartas do Evangelho e outros poemas - 1940.
Núcleo Espírita Maria Mãe de Jesus
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