- 30 de jan.

RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE
Não se trata do retorno do craque Neymar ao Santos. Dessa vez o buraco é mais embaixo!
Quando da minha gestão na presidência do Talmag Futebol Clube, em Brumado-BA, destacou-se um jogador que, motivo óbvio, vamos chamá-lo de Babá. Caboclo forte, novo, sem vícios e razoável no trato com a bola, daí a minha iniciativa de enviá-lo para tentar uma carreira de jogador de futebol profissional no Fluminense de Feita de Santana.
Pacato e muito preso às suas origens, Babá não se firmou no Fluminense de Feira. O máximo que conseguiu na Princesa do Agreste foi cair no agrado de um delicado dirigente daquele Clube, que passou a lhe quebrar todos os galhos: casa, comida, roupa lavada... A coisa pegou no dia em que o distinto dirigente tricolor enfiou uma aliança de ouro no dedo anular da mão esquerda de Babá e, com um olhar de lua minguante, acrescentou:
― Até que a morte nos separe!
Babá sentiu ter chegado a hora de tirar seu time de campo. Vendeu a aliança, comprou uma passagem, meteu-se num macacão branco ESSO que subtraíra da sua cara-metade e escapou naquele final de ano, às 20h, em um ônibus com a conotação de extra, com destino a Brumado.
O retorno do craque Babá transcorria na mais perfeita normalidade. Ele até descontrai-se, flertando com uma gatinha que viajava na poltrona ao lado.
No início da madrugada, o ônibus parou no Terminal Rodoviário de Jequié. Consciente das suas limitações financeiras, Babá tratou de driblar a sua companheira de viagem, indo até uma quitanda próxima onde saboreou todo conteúdo de uma lata de sardinha em “conserva” com farinha de mandioca.
O ônibus reiniciou a viagem e Babá, o namoro. Beijos, apertos, corrimão, tudo que a ocasião propiciava. Nas proximidades de Poções, Babá sentiu uns inchaços esquisitos na barriga, mas isso ele tirou de letra soltando bufas enrustidas, provocando o natural abre e fecha de janelas do “buzu” por parte dos demais passageiros. Gozado é que, nessas ocasiões, Babá fazia sempre um teatrinho, tapando o nariz com a mão e esboçando no rosto um gesto de repúdio. A garota ao lado morria de vergonha só em pensar na hipótese de ele achar que partiam dela tão fedorentos gazes.
Foi no trecho Vitória da Conquista ‒ Anagé que o “tambor virou pra mata”. O ônibus descia a Serra dos Pombos, quando Babá começou a suar mais que tampa de chaleira. Possuído por uma braba infecção intestinal. Babá buscou com um olhar espio o fundo do ônibus e desapontou-se ao ver que no mesmo não havia toalete. Na sua agonia ele abriu a janela e avistou as luzes da cidade Anagé muito longe para suas pretensões. A cólica de Babá só aumentava e ele gemia. ‒ Maldita sardinha! Pensou em pedir uma parada do ônibus, mas temeu levantar-se e a coisa acontecer ali mesmo. A companheira de viagem de Babá ao perceber a situação, fez suas deduções e foi sentar mais à frente dando cifras finas a namoro.
Pálido da cólica e do esforço descomunal para conter-se, Babá já ia entregar os pontos quando o ônibus parou em frente ao Ponto de Apoio ‒ na época ‒ no centro de Anagé. Babá desceu “rápido” de pernas fechadas em direção ao quintal do estabelecimento e qual não foi o seu desaponto, quando viu que a porta do sanitário estava fechada. Babá, na sua aflição, só deu tempo de baixar o macacão, ficar de quatro com o traseiro virado para a porta da privada, abri-la subitamente com um “coice” e descarregar de fora pra dentro sucessivas rajadas...
― O QUE É ISSO???... SOCORRO??? ‒ o grito de pavor ecoou de dentro da privada rompendo o silêncio da madrugada.
O craque Babá, ainda na ridícula posição de quatro, olhou por baixo e viu uma brasa de cigarro se apagando na boca de um inocente caminhoneiro que viajava em pensamentos sentado no vaso sanitário. Babá vestiu-se no macacão do jeito que estava e correu em direção à estrada, enquanto o caminhoneiro era socorrido com baldes d’água com creolina.
O ônibus recolheu Babá uns cinco quilômetros na margem da estrada BA - 262. Devido ao seu estado “fedorífero” ele viajou no fundo do ônibus, enquanto os demais passageiros comprimiram-se do meio para frente do veículo.
Ao descer em Brumado ‒ antes do Terminal ‒, Babá, tentando esconder-se em busca de um ‘sanitário”, ainda ouviu dos passageiros, em coro, inclusive da garota do flerte:
― Cagão!!! Cagão!!! Cagão!!!...
Babá, que depois dessa abandonou o futebol, me confidenciou que tudo não passou de praga do distinto tricolor do macacão ESSO e da aliança.






- 29 de jan.

“E, se não há ressurreição de mortos, também o Cristo não ressuscitou.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, capítulo 15, versículo 13.)
Teólogos eminentes, tentando harmonizar interesses temporais e espirituais, obscureceram o problema da morte, impondo sombrias perspectivas à simples solução que lhe é própria.
Muitos deles situaram as almas em determinadas zonas de punição ou de expurgo, como se fossem absolutos senhores dos elementos indispensáveis à análise definitiva. Declararam outros que, no instante da grande transição, submerge-se o homem num sono indefinível até o dia derradeiro consagrado ao Juízo Final.
Hoje, no entanto, reconhece a inteligência humana que a lógica evolveu com todas as possibilidades de observação e raciocínio.
Ressurreição é vida infinita. Vida é trabalho, júbilo e criação na eternidade.
Como qualificar a pretensão daqueles que designam vizinhos e conhecidos para o inferno ilimitado no tempo? como acreditar permaneçam adormecidos milhões de criaturas, aguardando o minuto decisivo de julgamento, quando o próprio Jesus se afirma em atividade incessante?
Os argumentos teológicos são respeitáveis; no entanto, não deveremos desprezar a simplicidade da lógica humana.
Comentando o assunto, portas adentro do esforço cristão, somos compelidos a reconhecer que os negadores do processo evolutivo do homem espiritual, depois do sepulcro, definem-se contra o próprio Evangelho. O Mestre dos Mestres ressuscitou em trabalho edificante. Quem, desse modo, atravessará o portal da morte para cair em ociosidade incompreensível? Somos almas, em função de aperfeiçoamento, e, além do túmulo, encontramos a continuação do esforço e da vida.
Do livro: Caminho, verdade e vida
Chico Xavier / Emmanuel






- 29 de jan.

Mayrion Álvares da Silva
Estoquista
Instagram: @folhadebrumado
Dize o que sentes
Não deixes que o orgulho
Nem tão pouco a timidez
Sepultar teus sentimentos.
Pois nenhum dos dois
Apresentará o teu amor.
Dize o que sentes agora!
Não importa o tempo que passou
Nem tão pouco o que ainda resta
Para um possível relacionamento.
Nunca adie uma declaração,
Pois isso sim é uma perca de tempo.
Dize o que sentes!
Com firmeza nas palavras
Com sinceridade no olhar
Sem importar com a resposta.
Pois a resposta é apenas o resultado
De uma iniciativa consumada.
Dize o que sentes!
Pelo sim ou pelo não
Pela dúvida ou pela razão,
Sem a pretensão de sair vitorioso.
Mas dizes o que sentes!
E só assim conhecerás a verdade.

























