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RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE


           Cabocla faceira é aquela Rita 

           Muito dengosa e muito bonita

 

           Quando ela passa com o macete na mão,

           Machadinho amolado e vestidinho de algodão

 

           Pra quebrar o coco, pra ganhar dinheiro, pra comprar arroz,

           Pra comprar feijão, pra comprar farinha... pra comprar o pão.

  

           Na sombra de uma palmeira,

           Sentada no chão com sede e com fome,

   

           Se Deus não mandar ao contrário,

           Nesse dia ela bebe, nesse dia ela come.

 

           Vai quebrando babaçu e o saco vai enchendo.

           Babaçu vai para o saco, e o macete vai batendo,


           E a pobre Rita vai sempre vivendo,

           Babaçu quebrando, macete batendo,

 

           Babaçu quebrando, macete batendo,

           E a pobre Rita... vai sempre vivendo.  

(Composição musical)



 

Conta-se que Lázaro de Betânia, depois de abandonar o sepulcro, experimentou, certo dia, fortes saudades do Templo, tornando ao santuário de Jerusalém para o culto da gentileza e da camaradagem, embora espesse de coração renovado, distante das trocas infindáveis do sacerdócio.

 

Penetrando o átrio, porém, reconheceu a hostilidade geral.

 

Abiud e Efraim, fariseus rigoristas, miraram-no com desdém e clamaram:

 

– É morto! é morto! voltou do túmulo, insultando a Lei!...

 

Ambos os representantes do farisaísmo teocrático demandaram os lugares sagrados, onde se venerava o Santo dos Santos, num deslumbramento de ouro e prata, marfim e madeiras preciosas, tecidos raros e perfumes orientais, espalhando e notícia. Lázaro de Betânia, o morto que regressara do coma, zombando da Lei, e dos Profetas, trazia, ali, afrontosa presença aos pais de raça.

 

Foi o bastante para revolucionar fileiras compactas de adoradores, que oravam e sacrificavam, supondo-se nas boas graças do Altíssimo.

 

Escribas acorrentam apressados, pronunciando longos e complicados discursos; sacerdotes vieram, furiosos e rígidos, lançando maldições, e aprendizes dos mistérios, com zelo vestalino, chegaram, de punhos cerrados, expulsando o irrelevante:

– Fora! fora!

 

– Vai para os infernos, os mortos não falam!...

 

– Feiticeiro, a Lei te condena!

 

Lázaro contemplaria o quadro, surpreendido. Observava amigos da infância vociferando anátemas, escribas que ele admirava, com sincero apreço, vomitando palavras injuriosas.

 

Os companheiros irados passaram da palavra à, ação. Saraivadas de pedras começaram a cair em derredor do redivivo, e, não contente com isso, o arguto Absalão, velha raposa da, casuística, segurou-o pele túnica, propondo-se encaminhá-lo aos juízes do Sinédrio para sentença condenatória, depois de inquérito fulminante.

 

O irmão de Marta e Maria, contudo, fixou nos circunstantes o olhar firme e lúcido e bradou sem ódio:

 

– Fariseus, escribas, sacerdotes, adoradores da Lei e filhos de Israel : aquele que me deu a vida, tem suficiente poder para dar-vos a morte!

 

Estupor e silêncio seguiram-lhe a palavra.

 

O ressuscitado de Betânia desprendeu-se das mãos desrespeitosas que o retinham, recompôs a vestimenta e tomou o caminho da residência humilde de Simão Pedro, onde os novos irmãos comungavam no amor fraternal e na fé viva.

 

Lázaro, então, sentiu-se reconfortado, feliz...

 

No recinto singelo, de paredes nuas e cobertura tosca, não se viam, alfaias do Indostão, nem, vasos do Egito, nem preciosidades da Fenícia, nem custosos tapetes da Pérsia, mas ali palpitava, sem as dúvidas da Ciência e sem os convencionalismos da seita, entre corações fervorosas e simples, o pensamento vivo de Jesus - Cristo, que renovaria o mundo inteiro, desde a teologia sectária de Jerusalém ao absolutismo político do Império Romano.


Do livro: Lázaro redivivo

Chico Xavier / Irmão X

Pedro Leopoldo, 22 de dezembro de 1945.



 

Mayrion Álvares da Silva

Estoquista

Instagram: @folhadebrumado


Minha audição vive sangrando

De tanto ouvir asneira.

Assalariados fazendo milagres

Mas, treze mil reais não compram uma feira.

 

O povo sofrendo no país das filas

Em uma imagem totalmente corriqueira.

Enquanto muitos não sabem do dia seguinte,

Outros? Treze mil reais não compram uma feira.

 

Essa fala atravessou nossas fronteiras

E nas redes sociais virou zoeira.

Como um salário mínimo é suficiente

Se treze mil reais não compram uma feira?

 

"Todo poder emana do povo"

Como seus interesses são razão primeira.

Se esse povo não é bem representado,

É porque treze mil reais não compram uma feira.

 

O povo brasileiro não se cansa

De todos os anos levarem rasteira.

Se aqui os vereadores não fazem nada,

É porque treze mil reais não compram uma feira.

 

O que seria dos espertos desse país

Se não fossem os bestas de carteira.

Enquanto muitos vivem de assistencialismo,

Eles? Treze mil reais não compram uma feira.

 

A contradição dessa fala infeliz

Está em suas promessas como bandeira.

Distribuir cestas básicas para o povo

Enquanto, treze mil reais não compram uma feira.

 

Devo confessar a todos vocês

Que de início fosse uma brincadeira.

Mas como eles brincam com a cara do povo,

O que é treze mil reais para uma feira?

 

Nós sempre pagamos os salários dos políticos

Muito mais do que eles mereciam.

Se treze mil reais não compram uma feira,

Com esse valor quantos votos vocês comprariam?

 

Eu sei que reflexão não é o forte de vocês

Por mais que vivem muito tempo em uma cadeira.

Se vocês fossem um simples assalariado,

Qual seria o valor da sua feira?

 

Enquanto discutem valores de compra

De uma forma vulgar e até mesmo grosseira,

Os valores morais se perdem no ar

Diante do absurdo do valor de uma feira.



 
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