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Por CARLOS AROUCK

FORMADO EM DIREITO E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS


Imagine o cenário: um homem apontado como coordenador operacional de uma estrutura clandestina ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro é preso pela Polícia Federal. Segundo as investigações da Operação Compliance Zero, ele teria recebido entre R$ 24 e 25 milhões em repasses, com valores mensais que chegavam a R$ 1 milhão.

 

Esse homem é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido nos documentos da PF como “Sicário”.

 

Desde o início, um esclarecimento é necessário: Mourão não era policial federal da ativa. As apurações o descrevem como o operador de campo da chamada “Turma”  responsável por tarefas sensíveis como monitoramento de alvos, intimidação e acesso irregular a informações sigilosas. Seu histórico inclui atividades em segurança privada informal, cobrança violenta, comércio de veículos, fraudes financeiras, ameaças, uso de documentos falsos e associação criminosa. Um executor, não um agente estatal no momento dos fatos.

 

Ainda assim, o grupo não era só de civis. Entre os investigados estava Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, o que indica a presença de expertise técnica dentro da estrutura.

 

No dia 4 de março de 2026, Mourão foi preso em Belo Horizonte. Horas depois, ainda sob custódia inicial na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais, ele foi encontrado desacordado na cela.

 

A versão oficial é clara: tentativa de suicídio. Segundo a PF, ele tentou o enforcamento. O diretor-geral Andrei Rodrigues afirmou que não havia pontos cegos nas câmeras, as imagens teriam captado toda a ação e foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, do STF. O socorro veio cerca de dez minutos depois, com reanimação pelos policiais, acionamento do SAMU e transferência para o Hospital João XXIII. A morte encefálica foi confirmada em 6 de março, e o óbito declarado às 18h55 daquele dia, conforme nota da defesa. Um inquérito interno foi aberto para apurar as circunstâncias da custódia.

 

Mesmo com a narrativa oficial, as dúvidas não se dissipam. Mourão era descrito como peça central do esquema: alguém com acesso direto a pagamentos, ordens e informações estratégicas. Em casos semelhantes, presos nessa posição frequentemente buscam colaboração premiada para reduzir penas e mudar o rumo das investigações. A decisão de um “silêncio definitivo” logo no primeiro dia de prisão soa improvável para muitos observadores.

 

O contexto da custódia amplifica os questionamentos. A morte ocorreu dentro de uma unidade da própria Polícia Federal, sob vigilância constante por câmeras. O intervalo até o atendimento, mesmo com monitoramento declarado como integral, levanta dúvidas sobre a suficiência dos protocolos para um preso de alto valor investigativo.

 

Há ainda o impacto concreto no caso. Com a eliminação física de Mourão, desaparece um elo operacional vivo, “um arquivo humano” que poderia detalhar como funcionava a “Turma”, os repasses milionários e as ligações entre os níveis da estrutura. Documentos e mensagens interceptadas continuam existindo, mas depoimentos diretos de quem coordenava o dia a dia são insubstituíveis e podem enfraquecer a consolidação de provas contra os demais envolvidos.

 

As autoridades sustentam que há registros completos, laudos e imagens que respaldam a conclusão de suicídio. Até o momento, porém, esses elementos não foram tornados públicos de forma integral, limitando a verificação independente.

 

O caso do Banco Master segue em andamento. Daniel Vorcaro permanece preso, e outras frentes da Operação Compliance Zero continuam ativas. O principal operador de campo, no entanto, nunca será ouvido.

 

O conjunto dos fatos cria um cenário no mínimo incomum: um investigado com histórico criminal, acesso privilegiado a informações sensíveis e potencial alto de colaboração morre poucas horas após a prisão, dentro de uma instalação federal monitorada.

 

A Polícia Federal afirma que tudo seguiu o protocolo. Sem a divulgação plena dos vídeos, laudos e detalhes do inquérito interno, a capacidade de confirmação externa fica restrita.

 

As perguntas permanecem no ar:

 

. O monitoramento das celas foi realmente suficiente para impedir ou detectar imediatamente uma tentativa de suicídio?


. O tempo de resposta ao incidente foi adequado para um preso de tal relevância?


. A atitude de Mourão é plenamente compatível com o perfil de um operador experiente que enfrentava prisão, mas também tinha muito a oferecer em uma eventual delação?


. O inquérito interno da PF terá independência e alcance para esclarecer todos os pontos ou ficará circunscrito à versão institucional?

 

Enquanto não houver respostas transparentes e acessíveis, o caso não se fecha. Não pela ausência de uma versão oficial, mas pela falta de elementos que permitam ao público e à imprensa conferir, de forma independente, se ela se sustenta por completo.



 
  • 13 de abr.

Aprendendo a sofrer, mentaliza a Cruz do Mestre e reflete.

Ele era Senhor e fez-se escravo.

Era Grande e fez-se pequenino. Era a Luz e não desdenhou a imersão nas sombras.

Era o Amor e suportou o assédio do ódio.

Quem o contemplasse do pó de Jerusalém, no dia da grande flagelação, decerto identificá-lo-ia à conta de um delinqüente em extrema penúria.


As pregações dele haviam encontrado a sufocação do Sinédrio, sua doutrina categorizava-se por abominável heresia, seus sonhos de confraternização pareciam aniquilados, seus beneficiários e companheiros vagueavam desiludidos e, por único testemunho de reconforto entre as chagas da morte, não encontrava senão a piedade e o entendimento de um ladrão comum…


Mas quem fixasse com Cristo a multidão, do alto da cruz, reconhecer-lhe-ia a condição de herói vitorioso, porque para o seu olhar a turba fanática não passava de vasto rebanho de irmãos necessitados de auxílio.


Ele viu naqueles que o cercavam, a ilusão da ignorância e percebeu todas as falhas dos perseguidores à maneira de moléstias do espírito sob a máscara de dominação e falso triunfo…


E sentiu apenas a grande compaixão que lhe nasceu do espírito com a paz inalterável.


Se nos propomos a bem sofrer, procuremos anotar do cimo de nossa cruz aqueles que jornadeiam conosco, carregando madeiros mais pesados que os nossos, ascendendo a fraternidade no próprio coração, a fim de que não estejamos órfãos de entendimento.


Compadece-te e auxilia a todos para o bem.


Compadece-te daquele que se acha no oásis do lar, entronizando o egoísmo e compadece-te daqueles que por não possuí-lo se comprazem na revolta!...


Compadece-te dos fortes que oprimem os fracos e dos fracos que hostilizam os fortes!...


Usa o tesouro que o Mestre te confiou por bênçãos de bondade, ao longo do caminho, e serás amparado por aquele a quem ampara, tanto quanto serás curado pelo doente a quem socorres.


Do madeiro de sacrifício, Jesus nos ensina a buscar as bem-aventuranças… Para bem sofrer, é preciso saber amar e, amando qual o Cristo nos ama, encontraremos na Terra ou no Mais Além a luz interior que nos reunirá para sempre à perenidade da Vida Triunfante.


Livro: Abrigo Autor Espiritual:

Emmanuel Médium: Chico Xavier


Núcleo Espírita Maria Mãe de Jesus

Instagram: @mariamaedejesusne

Youtube: @mariamaedejesusne



 

Por SIMONE SALLES    

JORNALISTA, MESTRE EM COMUNICAÇÃO PÚBLICA E POLÍTICA  


Houve um tempo em que a notícia nascia devagar. O som das máquinas de escrever, o cheiro da tinta no papel, a espera pela edição impressa do dia seguinte. O jornalismo era quase artesanal: apurar, checar, ouvir, escrever e só então publicar. O erro custava caro, porque não havia botão de “editar depois”. Hoje, a notícia corre. Ela nasce no celular, atravessa redes sociais e chega em segundos a milhões de pessoas.

 

A velocidade mudou tudo, inclusive o peso da responsabilidade. Informar passou a exigir vigilância constante contra boatos, manipulações e versões incompletas. Ser jornalista neste tempo é viver em movimento contínuo. É lidar com a pressão do imediato sem abrir mão da verdade.

 

Em meio ao ruído da desinformação, o compromisso com a apuração se torna ainda mais decisivo. A história recente mostra como o jornalismo pode mudar o rumo das coisas. No Brasil, o caso do jornalista Tim Lopes, assassinado em 2002 enquanto investigava o crime organizado, expôs ao país realidades que muitos preferiam ignorar. Sua morte chocou, mas também reforçou a importância de um jornalismo que vai além da superfície, que arrisca mostrar o que precisa ser visto. No cenário internacional, a investigação do Watergate, conduzida por Bob Woodward e Carl Bernstein, levou à renúncia de um presidente dos Estados Unidos. Um exemplo clássico de como o jornalismo, quando bem feito, informa e transforma.

 

Não por acaso, uma das frases mais repetidas no mundo da comunicação segue atual: “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”, atribuída a George Orwell. Em tempos de algoritmos e interesses, essa definição soa como um lembrete necessário.

 

Mas nem tudo avançou. Em 2009, uma decisão do Supremo Tribunal Federal retirou a exigência do diploma para o exercício do jornalismo no Brasil. Para muitos profissionais, foi um golpe na valorização da formação e na construção de uma imprensa mais qualificada. Não se trata apenas de um título, mas de reconhecer o papel do estudo na formação ética, crítica e técnica de quem tem a missão de informar.

 

Ainda assim, o jornalismo resiste. Ele se reinventa nas redações digitais, nos podcasts, nas reportagens independentes, nos conteúdos de streaming, nas redes sociais, na cobertura colaborativa que surge para dar voz a quem não tem espaço. Continua essencial.

 

A tecnologia não deve ser vista como inimiga, mas como parte dessa transformação dos produtos jornalísticos. O streaming, por exemplo, deixou de ser uma ameaça para rádios e TVs e passou a abrir novos caminhos de distribuição e linguagem. As redações vivem um processo contínuo de mudança, impulsionado por ferramentas digitais que estão longe de mostrar todo o seu potencial. A presença crescente da inteligência artificial, com o uso de chatbots e automações, já faz parte do cotidiano jornalístico. 

 

Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de reduzir a dependência das redes sociais e fortalecer uma relação mais direta com o público. Surgem clubes de leitores, novas formas de assinatura e espaços de participação que colocam o público não apenas como receptor, mas como parte da construção da notícia. No centro de tudo isso está o engajamento, não como número, mas como vínculo real, que se reformula nas redações digitais.

 

Porque, no fim, a sociedade precisa de alguém que pergunte, que divulgue, que duvide. Neste Dia do Jornalista, a homenagem não é apenas à profissão, mas àqueles que escolhem contar histórias reais em um mundo cada vez mais cheio de versões.

 

Como jornalista, acredito que há algo mais essencial nesse caminho, que é saber ouvir o que não foi dito. Porque nem sempre a verdade está  nas palavras declaradas, mas nos silêncios, nas entrelinhas, nos gestos e nas ausências. É ali que muitas histórias começam, e provavelmente, onde o jornalismo encontra sua razão mais profunda de existir. 



 
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