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  • 13 de fev.

JOSÉ WALTER PIRES  

SOCIÓLOGO, ADVOGADO, POETA, CORDELISTA E ESCRITOR  

MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL 


Eu já IA me esquecendo 

Que nasci lá no sertão 

Vendo o sol nascer, se por 

Pés descalços sobre o chão 

Nas pocinhas de xixi 

Desenhando um coração.  

  

Eu já IA me esquecendo 

Que plantava o que comia 

Que fugia do escuro 

E, com fome até sorria, 

Dormia olhando pro céu 

Enquanto a lua sumia. 

  

A nuvem vinha, mas IA 

Demorava um bocadinho... 

Assim que a lua voltava 

Meu chão alumiaria. 

Graças a Deus clareou, 

Credo, escuro, ave maria. 

  

Eu sei que são novos tempos 

Mas não irIA entender 

Se não fosse a intenção 

De quem criou sem saber. 

"Cante e escreva pra mim, 

Faça o que eu não sei fazer". 

  

Inspire-me nesse vácuo 

Infinito do esdrúxulo, 

Exercito-me dormindo 

Um, dois, três olhe meu músculo! 

Esse planeta é exótico, 

Sem mar, céu ou crepúsculo. 

  

Abra-se, abra, cadabra... 

Faça de mim um lacônico, 

Um pintor celestial, 

Um escritor faraônico, 

Um cantor estonteante 

Um fotógrafo icônico. 

  

Hoje eu vejo o que não vIA 

Agora eu sou imortal, 

Ganhei poderes divinos 

Faço o bem e faço o mal, 

Sou a própria Inteligência 

Do mundo Artificial. 

  

MOTE:: Beto Brito, ´poeta paraibano/ABLC 

  

É verdade, meu amigo 

Nesse tempo ninguém IA 

Andando na mesma trilha 

Dia e noite, noite e dia 

Como destino traçado 

Do nosso mundo atrasado 

Porque não tinha outra via. 

Hoje tudo transformou-se 

Numa pressa desregrada 

De uns engolindo os outros 

Numa guerra declarada 

Deste mundo cibernético 

Em movimento frenético 

E pela IA comandada. 

Não adianta fugir 

Em frente a realidade 

Estamos todos sujeitos 

A essa tal moderdidade 

Em que a nossa inteligência 

Tem uma nova tendência 

Que não traz felicidade. 

Ou será o apocalipse 

Como na previsão bíblica 

Do mundo chegando ao fim 

Que até Deus não explica 

Com a sua onisciência 

Contrapondo-se á Ciência 

Porém calado Ele fica. 

O homem já virou "Deus" 

Com seu extremo poder 

Estamos em tempos de IA 

Sem nada nos proteger 

Todos por conta do cão 

Neste mundo em convulsão 

É mudar ou perecer. 

Você bem conceituou 

O nosso mundo atual 

Verdadeiro pandemônio 

Com tudo artificial 

Destino do ser humano 

Por esse mundo profano 

Não sei se por bem ou mal. 

De minha parte lhe confesso 

Que perdi toda a esperança 

Em ver um mundo melhor 

Que traga paz e bonança 

Com solidariedade 

Dentro da diversidade 

Numa mais justa mudança. 

  

GLOSA: José Walter Pires cordelista de Brumado - ABLC 



 

RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE


Uma hospitaleira cidade da Baixada Maranhense vestiu-se de amor e alegria para a comemoração dos vinte e cinco anos de sacerdócio do respeitável padre Ambrósio. 


  A Praça da Matriz, onde fora improvisado o altar-mor, botava gente pelo ladrão de tão cheia. O prefeito Sinduca Ferreira, o grande mentor da festa, não poupou recursos para o transporte de gente dos mais longínquos lugarejos. Ele sabia que, homenageando o boníssimo sacerdote, a popularidade dele também seria homenageada com muito votos, e as eleições já estavam batendo à porta. 


  A missa campal, celebrada pelo monsenhor Filadeco, oriundo da capital, com direito a banda de música e salva de fogos de artifícios, transcorria dentro da normalidade quando uma inesperada indisposição intestinal fez    o prefeito Sinduca Ferreira pedir, discretamente, licença e sair do altar para trancar-se no sanitário da igreja Matriz a alguns metros da praça. Com isso, o pomposo Sacramento transcorria sem a presença efetiva do prefeito.  


              Após a missa, com o povão na praça já demonstrando impaciência com a ausência do prefeito para fazer o seu discurso, o padre Ambrósio, com o intuito de conter o agito da caboclada, dirigiu-se ao microfone e adiantou a sua retórica. Disse o venerável padre diante da atenção de todos:            


 ─ Meus queridos irmãos... Já se passaram 25 anos da minha chegada aqui e posso lhes dizer que a primeira impressão que tive desta cidade foi a pior possível! Lembro-me de que o primeiro rapaz a ter-se comigo confidenciou-me que iniciara a sua vida de delito roubando uma bicicleta, em seguida passou a roubar motos, canoas, carros... roubando inclusive dinheiro dos pais, tios e avós. Confidenciou também que, quando usava droga, dispensava a namorada para relacionava-se homossexualmente com outros drogados e, até com as vacas da fazenda do pai. Sinceramente, naquele instante, pensei que eu tivesse chagado ao inferno. Mas, com o passar do tempo, fui me certificando de que aquele rapaz não passava de uma exceção neste lugar. Para o meu alívio, ele desapareceu da Paróquia... Soube que fora estudar na capital. E hoje posso afirmar a todos que esta cidade é, acima de tudo, uma terra de gente ordeira, pacata, honesta, cristã e trabalhadora!... 


Nisso o prefeito retornou ao altar, juntando-se aos seus correligionários políticos, autoridades e à primeira dama, Dona Ziloca, que já não escondia sua irritação com a demora do ilustre esposo.  O padre Ambrósio tratou de encerrar a sua oratória agradecendo as presenças, recebendo as merecidas palmas e, em seguida, passou a palavra ao gestor do município. Sinduca Ferreira estufou o peito e, em meio aos aplausos e apupos da multidão, iniciou o seu discurso:  


─ Meus queridos conterrâneos! Parece ontem, mas já se passaram 25 anos da chegada a nossa querida cidade (pondo a mão no ombro do sacerdote) do nosso respeitável padre Ambrósio! E eu tive a honra e orgulho de ter sido o primeiro rapaz desta cidade a se confessar com o este venerável enviado de Deus ao nosso município... Viva as Bodas de Prata Sacerdotal do nosso querido padre Ambrósio!! 


 O que se ouviu foi: ôôôôôôôô... de decepção dos participantes da solenidade. 


           Sinduca Ferreira não só perdeu aquelas eleições, como perdeu também Dona Ziloca, que não suportou ser rebaixada de primeira dama para “primeira vaca”.   


(No que deu chegar atrasado)




 
  • 12 de fev.

“Levanta-te direito sobre os teus pés.” — Paulo. (ATOS, capítulo 14, versículo 10.) 

  

De modo geral, quando encarnados no mundo físico, apenas enxergamos os aleijados do corpo, os que perderam o equilíbrio corporal, os que se arrastam penosamente no solo, suportando escabrosos defeitos. Não possuímos 

suficiente visão para identificar os doentes do espírito, os coxos do pensamento, os aniquilados de coração. 

  

Onde existissem somente cegos, acabaria a criatura perdendo o interesse e a lembrança do aparelho visual; pela mesma razão, na Crosta da Terra, onde esmagadora maioria de pessoas se constituem de almas paralíticas, no que se 

refere à virtude, raros homens conhecem a desarmonia de saúde espiritual que lhes diz respeito, conscientes de suas necessidades incontestes. 

  

Infere-se, pois, que a missão do Evangelho é muito mais bela e mais extensa que possamos imaginar. Jesus continua derramando bênçãos todos os dias. E os prodígios ocultos, operados no silêncio de seu amor infinito, são 

maiores que os verificados em Jerusalém e na Galileia, porquanto os cegos e leprosos curados, segundo as narrativas apostólicas, voltaram mais tarde a enfermar e morrer. A cura de nossos espíritos doentes e paralíticos é mais importante, porquanto se efetua com vistas à eternidade. 

  

É indispensável que não nos percamos em conclusões ilusórias. Agucemos os ouvidos, guardando a palavra do apóstolo aos gentios. Imprescindível é que nos levantemos, individualmente, sobre os próprios pés, pois há muita gente esperando as asas de anjo que lhe não pertencem. 

 

Do livro: Caminho, verdade e vida 

Chico Xavier / Emmanuel 



 
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