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Mayrion Álvares da Silva

Estoquista

Instagram: @folhadebrumado


Às vezes penso,

Que a angústia

Já faz parte de mim,

Às vezes!

Custo a entender

Porque existe o fim.

 

Mas às vezes!

É só às vezes,

Não persiste.

Se às vezes

Fosse contínuo,

A vida seria mais triste.

 

Às vezes penso,

Que o amor é eterno

Na filosofia do pensar,

Às vezes!

Sinto como é dolorido

Viver para te amar.

 

Mas às vezes!

É só às vezes,

Não é toda hora.

Se às vezes

Fosse contínuo,

Não analisaríamos como agora.

 

Às vezes penso,

Que a poesia

É uma fuga para o desencanto.

Às vezes!

Sei que o desamor

Faz parte do meu pranto.

 

Mas às vezes!

É só às vezes,

Não é uma insistência.

Se às vezes

Fosse contínuo,

Não sentiríamos carência.

 

Às vezes penso,

Que o meu pensar

É mera filosofia.

Às vezes!

Sei que minha liberdade

Está na poesia.

 

Mas às vezes!

É só às vezes,

Não é todo momento.

Se às vezes

Fosse contínuo,

Ficaríamos presos no pensamento.



 

Veronica de Oxosse Íyálorixá no Ilê Igba Òmó Aro Omin

Professora e Ativista do Movimento Mulheres Negras e luta contra a Intolerância Religiosa! Componho o Coletivo de Mulheres “Curicas Empoderadas”, atuante na área de palestras sobre autoestima e Empoderamento feminino


O dia da África, celebrado em 25 de maio, evoca globalmente a união de um continente que se levantou para reescrever sua própria história. Mas, se cruzarmos o Atlântico e pousarmos os pés em solo brasileiro, descobriremos que essa data não cabe nas páginas dos livros de história, nem se limita ao passado. No Brasil, falar de África é falar do espelho que nos reflete todas as manhãs. Ela é o fio condutor, invisível e potente, de tudo o que praticamos, sentimos e vivemos no nosso cotidiano.


Esse cordão umbilical nunca foi partido. Quando os nossos mais velhos cruzaram o oceano, trouxeram consigo a maior riqueza que nenhuma corrente pôde confiscar: a memória viva da ancestralidade. Eles plantaram o axé nas frestas das calçadas, no silêncio das roças e no calor acolhedor dos terreiros. O que hoje chamamos de cultura brasileira é, em essência, a resistência negra que insistiu em germinar, transformando o sagrado em um território de cura e de comunidade.


Essa força transborda os muros dos terreiros e inunda as ruas. Ela está na nossa boca, nas palavras de afeto que usamos diariamente; está no cheiro e no aconchego da nossa culinária rústica e afetiva; e pulsa, sobretudo, no compasso do nosso corpo. O samba, o jongo e a batida que faz o povo dançar carregam em seu DNA a estrutura pollirritmia dos tambores ancestrais. O corpo brasileiro balança porque traz o coração alinhado ao toque do atabaque.


Celebrar essa herança no nosso dia a dia é um ato de justiça, de afeto e de soberania espiritual. Significa reconhecer que a nossa espiritualidade se manifesta na natureza, no respeito aos mais velhos e na certeza de que ninguém caminha sozinho. Olhar para a nossa rotina com esse orgulho é entender que a matriz africana é a espinha dorsal da nossa identidade. Nós somos porque eles foram, e é honrando esse solo sagrado que garantimos a força para caminhar de cabeça erguida, hoje e sempre.



 

Se foste chamado à luz

Da grande revelação,

Lembra, amigo, que a doutrina

É o pensamento cristão.


Fenômenos, teorias,

Ciências daquilo ou disto,

Já eram velhos no mundo,

Bem antes de Jesus Cristo.


“Nada novo sob o sol”

Dizia já Salomão.

Toda a grande novidade

Inda é a nossa imperfeição.


Capacita-te, portanto,

Que a tua necessidade

É a de aplicar o Evangelho,

Por tua felicidade.


Não há Espíritos guias,

Nem mensageiros do Além

Que façam mais que Jesus

Na santa lição do Bem.


Se já escutaste no mundo

A doce voz dos Espaços,

Corrige o teu coração,

Regulariza os teus passos.


O Além não se comunica

Tão só para o teu agrado,

Mas a fim de que realizes

O ensino do Mestre Amado.


Não peças muito aos teus guias

Completa orientação,

Por serem desencarnados,

Não vivem na perfeição.


O esforço próprio é uma lei

Das mais nobres que há na vida;

A morte não representa

Liberdade redimida.


Restringe as tuas perguntas

No instante de tuas preces.

Não sabes o que desejas

Mas Deus sabe o que mereces.


Cumpre sempre os teus deveres,

Trabalho e realização

São das preces mais sublimes

De tua religião.


Para as horas de amargura,

Para as dúvidas da sorte,

O Evangelho é a luz da vida

Que esclarece além da morte.


No desempenho sagrado

De tua excelsa missão,

Não te afastes da tarefa

De paz e de redenção.


Não te percas no caminho.

És bem o trabalhador

De quem Jesus vive à espera

Dos testemunhos de amor.


Casimiro Cunha

Livro: Cartas do Evangelho e outros poemas - 1940.


Núcleo Espírita Maria Mãe de Jesus 


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