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ROBÉRICO SILVA DE OLIVEIRA - Teólogo, Gestor em Teologia, Psicanalista Clínico, Pós-Graduado em Psicologia Clínica, Bacharel em Administração, Pós-graduado em Ciências Políticas.


Resumo 


As relações humanas constituem um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento emocional, social e profissional dos indivíduos. Entretanto, nem todas as interações contribuem positivamente para o crescimento pessoal. Algumas pessoas apresentam comportamentos tóxicos e derrotistas que podem comprometer a autoestima, a motivação e a saúde emocional daqueles que convivem com elas. Este artigo analisa características frequentemente observadas em indivíduos com comportamentos destrutivos, bem como estratégias eficazes para lidar com tais situações, fundamentando-se em princípios da psicologia, da psicanálise e da observação das dinâmicas sociais. 


Palavras-chave: relações interpessoais; comportamento tóxico; derrotismo; inteligência emocional; saúde mental. 


1. Introdução 


A convivência humana exige habilidades emocionais e sociais capazes de promover respeito, empatia e cooperação. Contudo, observa-se que determinados indivíduos desenvolvem padrões de comportamento marcados pela crítica excessiva, negatividade constante, manipulação emocional e descrédito das capacidades alheias. Tais comportamentos podem gerar impactos significativos na vida pessoal, profissional e afetiva das pessoas que os cercam. 


Nesse contexto, torna-se relevante compreender como identificar atitudes tóxicas e derrotistas, bem como desenvolver mecanismos saudáveis de enfrentamento e proteção emocional. 


2. Características de Pessoas Tóxicas nas Relações Interpessoais 


Embora não seja possível generalizar comportamentos humanos, algumas atitudes podem indicar dificuldades relacionais importantes. Entre elas destacam-se: 


2.1 Falta de Transparência Comunicacional 


A comunicação é um dos principais pilares da confiança. Quando uma pessoa utiliza mecanismos constantes de evasão, omissão ou distanciamento deliberado, pode comprometer a qualidade das relações interpessoais. 


2.2 Baixa Tolerância às Diferenças 


Pessoas que recorrem frequentemente ao bloqueio, à exclusão ou ao afastamento abrupto diante de divergências podem demonstrar dificuldades na gestão de conflitos e na construção de diálogos maduros. 


2.3 Comportamentos de Desqualificação 


Indivíduos que constantemente falam negativamente de terceiros, promovem fofocas ou tentam desconstruir a reputação de outras pessoas costumam criar ambientes emocionalmente inseguros.

 

Como observou Sigmund Freud: 


“Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo.” 

A Bíblia Sagrada em Mateus 7:16 revela:  

“Pelos frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?” 


As frases evidenciam que as críticas recorrentes frequentemente revelam aspectos internos de quem as profere. 


2.4 Julgamentos Precipitados 


Outro comportamento preocupante consiste na aceitação de narrativas sem a devida verificação dos fatos. O princípio jurídico in dubio pro reo (“na dúvida, em favor do réu”) reforça a importância da prudência e da análise equilibrada antes de emitir julgamentos. 


3. O Fenômeno do Derrotismo 


O derrotismo caracteriza-se pela tendência persistente de enfatizar obstáculos, minimizar possibilidades e desencorajar iniciativas. Pessoas derrotistas frequentemente utilizam expressões como: 


“Isso é impossível.” 

“Isso nunca dará certo.” 

“Muitos já tentaram e fracassaram.” 

“Você não possui experiência suficiente.” 

“O custo será alto demais.” 


Embora tais afirmações possam parecer cautelosas, muitas vezes funcionam como mecanismos de desmotivação, limitando a criatividade, a inovação e o desenvolvimento pessoal. 


4. Estratégias para Lidar com Frases Derrotistas 


A literatura sobre desenvolvimento humano sugere que a melhor forma de lidar com discursos derrotistas é identificá-los conscientemente e confrontá-los de maneira assertiva. 


Entre as estratégias recomendadas destacam-se: 


Manter postura crítica diante de afirmações excessivamente negativas; 


Solicitar evidências concretas que sustentem as críticas apresentadas; 


Evitar absorver crenças limitantes de terceiros; 


Fortalecer a autoconfiança e a autonomia decisória; 


Valorizar soluções em vez de concentrar-se exclusivamente nos problemas. 


A comunicação assertiva permite demonstrar que contribuições construtivas são bem-vindas, enquanto discursos exclusivamente destrutivos tendem a comprometer o crescimento coletivo. 


5. A Metáfora dos Ratos e das Alturas: Uma Reflexão Sobre Resiliência 


Uma conhecida narrativa presente na literatura de gestão relata a experiência do piloto inglês Geoffrey de Havilland durante uma viagem aérea. Ao perceber a presença de um rato em sua aeronave, compreendeu que o animal poderia comprometer seriamente sua segurança. Em vez de retornar, decidiu elevar a altitude de voo, sabendo que os ratos não suportariam grandes alturas. 


A metáfora oferece uma importante lição psicológica: diante de atitudes motivadas por inveja, maledicência, hostilidade ou críticas destrutivas, o crescimento pessoal e profissional pode constituir a resposta mais eficaz. 


Assim, quando alguém: 

Agride; 

Ofende; 

Acusa injustamente; 

Critica de forma destrutiva; 

Procura desestabilizar emocionalmente; a alternativa mais saudável consiste em investir no próprio desenvolvimento, elevando o nível de maturidade, conhecimento e equilíbrio emocional. 


6. Considerações Finais 


As relações interpessoais exercem profunda influência sobre o bem-estar psicológico dos indivíduos. Identificar comportamentos tóxicos e derrotistas não significa promover julgamentos precipitados, mas desenvolver consciência crítica para estabelecer limites saudáveis. 


A construção de relacionamentos pautados pelo respeito, pela empatia e pela comunicação transparente favorece ambientes mais produtivos e emocionalmente equilibrados. Ao mesmo tempo, fortalecer a resiliência e a inteligência emocional permite enfrentar adversidades sem permitir que atitudes negativas determinem o rumo da própria trajetória. 


Referências 


CONGOST, Silvia. Pessoas Tóxicas. São Paulo: Planeta. 

MUSSAK, Eugênio. Meta Competência. São Paulo: Integrare. 

RICCI, Victoria Fontana. Colegas Tóxicos e Outros Pesadelos. São Paulo: Matrix. 

SILVA, Francisco Javier S. M.; CARVALHO, Marcos R. Gestão Eficaz de Vendas. São Paulo: Atlas. 

FREUD, Sigmund. Obras Completas. Diversas edições. 

BÍBLIA SAGRADA. Evangelho de Mateus 7:16. 



 

JUNCAL


Seria difícil e triste    

Muita espera e rezas    

Para haver uma fluidez    

Marcando um início  

    

Mas tudo tem um preço    

E o pagamento   

Às vezes se torna MENDACIOSO

Como moeda de troca  

    

Tem quem caia na pegadinha   

E entra como trouxa    

Ignorando ser um    

VITUPÉRIO explicito   

    

A vida é assim mesmo    

Tem dengo para todo gosto    

CRESTANDO o coração    

Como uma última oportunidade   

  

Assim vai se vivendo    

Por um espaço de tempo    

Um DELETÉRIO capcioso     

Por maldade programada  

    

Assim é a vida     

PRECIPUAMENTE por uma falha    

A falta de coragem  

Por um amor tão "DEMORADO"! 



 

RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE


   Sempre que havia um jogo de futebol envolvendo o time de Chapéu de Couro, no sertão do Maranhão, as equipes saíam do Grêmio Recreativo, devidamente uniformizadas, uma ao lado da outra, tendo à frente o juiz da partida e atrás os organizadores do evento. A passeata seguia e só parava em frente ao casarão do coronel Silvino de Matos. O coronel, na sombra frondosa de um bacurizeiro, sempre acompanhado do seu cachorro Faísca e sem levantar-se  da sua cadeira preguiçosa, fazia um aceno com a cabeça autorizando o juiz do jogo a aproximar-se. Após uma rápida conversa, o coronel afagava o cachorro e, com outro balançar de cabeça, dava a sua aprovação para o jogo. Só então, a passeata seguia para o estádio onde os desportistas locais já aguardavam para assistir a mais uma vitória certa do time da casa. 


          Ninguém em Chapéu de Couro sabia o que o coronel conversava com os juízes antes das partidas, mas todos tinham certeza de que, após aquela conversa, o time de futebol de Chapéu de  Couro ganharia até da seleção campeã do mundo, caso aparecesse por aquelas bandas. Alguns afirmavam categoricamente que, se o coronel Silvino de Matos fosse o treinador ou cartola da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o Brasil ganharia todas as Copas do Mundo. ‒ Eu não tenho dúvida!... Não precisava de um Carlo Ancelotti!


          Naquele domingo, o time de Chapéu de Couro jogaria contra o time de Tum-Tum, um clássico do futebol da Chapada Maranhense.

          A passeata mal saíra do Grêmio Recreativo, e já estava no casarão do coronel  Silvino de Matos o alfaiate Justino Dengoso informando que o juiz do jogo seria o guarda municipal Bibico e que, segundo pessoas ligadas ao militar, a intenção daquela autoridade seria apitar o jogo dando a César o que fosse de César.


          O coronel, espichado na sua cadeira preguiçosa, nem sequer moveu o chapéu que lhe cobria a cara para mandar o informante tomar onde as patas tomam.


          Era justificável a preocupação do alfaiate. Todos sabiam, em Chapéu de Couro, que o irmão do guarda Bibico fora castrado pelo jagunço Sátiro a mando de Silvino de Matos.


          Como de costume, a passeata parou em frente ao casarão do coronel que se fazia acompanhar, além do seu cachorro Faísca, do alfaiate Justino Dengoso. O guarda Bibico, na frente das equipes, com o apito pendurado no pescoço, parecia um sargento no comando do seu pelotão. Bibico olhava para o coronel com gosto de vingança na garganta. Pensava o guarda: o que será que esse filho duma égua vai me propor para o time dele ganhar o jogo? Mas comigo ele vai se lascar! Quem sabe Chapéu de Couro, perdendo esse jogo, essa peste não morra enfezado e, assim, eu me vingue uma vez por todas desse corno?...


          O pensamento do guarda foi interrompido pelo aceno do coronel Silvino de Matos para que ele se aproximasse. O coronel lhe falou o mesmo que costumava falar a todos que se atreviam apitar um jogo de futebol em Chapéu de Couro:


          ─ Guarda, vão assistir ao jogo de hoje alguns dos meus empregados, entre eles o negro Sátiro. Quero lhe prevenir que esses homens saíram daqui prometendo ao meu cachorro Faísca que trarão para ele os bagos do juiz se o nosso time não ganhar o jogo. Lembre-se de que, no último empate que tivemos, o juiz foi seu irmão e quem ganhou com o resultado do jogo foi Faísca. E, como domingo é meu dia de descanso, não vou estar no estádio para impedir. Por isso, trate de precaver-se, porque esses homens nunca deixaram de cumprir uma promessa, mesmo feita a um cachorro. Seu irmão duvidou disso e agora virou um “leitão” que não para de engordar.


         ─ Mas coronel, o senhor não soube da reunião de ontem à noite lá no Grêmio?   

          – impacientou-se o guardo Bibico.


          − Soube! ─ resmungou o coronel.



          − E não soube que ficou combinado na reunião que o jogo será de 2 X 1 para o nosso time? – indagou Bibico suando frio, apesar do calor de quase quarenta graus


          ─ Soube! – voltou a resmungar o coronel.


          ─ Pois assim será, coronel – garantiu Bibico colocando convicção na voz.


          Como de costume, o coronel Silvino de Matos afagou o seu cachorro e disse:


         ─ É, Faísca, parece que hoje tu não vais comer os bagos de um juiz de futebol. E, com seu gesto característico de cabeça, deu a sua aprovação para a realização de mais uma vitória do time de Chapéu de Couro, desta feita, por 2 X 1.


        O alfaiate Justino Dengoso, ainda ao lado, em posição de jarro, ouviu do coronel:


        ─ É, Justino, já vi que, por aqui, o único que veste calça e não tem medo de perder a cachopa é você, porque é qualira!


       O velho coronel Silvino de Matos, afagou mais uma vez o seu atento cachorro Faísca, esticou-se na cadeira preguiçosa, cobriu os olhos com o chapéu e roncou enquanto o alfaiate Justino Dengoso     corria em direção ao estádio, batendo os calcanhares no traseiro e gritando:


       ─ Já ganhou! Já ganhou!! Já ganhou!!!



 
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