
Por CARLOS AROUCK
FORMADO EM DIREITO E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS
Recente matéria “Aliados históricos apontam fragilidade da Abin e cobram projeto de Lula”, da CartaCapital, apresenta como “cobrança legítima” a frustração de José Genoino, Ricardo Berzoini e José Dirceu com a suposta fragilidade da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Entretanto, o que fica evidente é o oposto: um grupo de caciques petistas tentando preencher o vácuo de poder que o próprio governo Lula criou.
O seminário “Inteligência de Estado na democracia”, realizado na última quinta-feira (9), em Brasília, foi organizado pela Intelis, entidade que representa os servidores e oficiais de inteligência da Abin e pela Unipop (Instituto Universidade Popular), organização de formação política e educação popular historicamente alinhada à esquerda.
A Intelis atua como representante corporativa dos profissionais da agência, defendendo a carreira, o concurso público e o fortalecimento da inteligência de Estado. Já a Unipop tem perfil de formação militante e promoção de direitos, com forte viés progressista. Juntas, serviram de palco para que ex-dirigentes petistas declarassem que “o Brasil não tem inteligência de Estado”, que a Abin está “no limbo”, sem diretrizes claras da Casa Civil, e cobrassem um projeto estratégico do presidente.
O que esse grupo esperava, ao tirar a Abin do GSI (com forte presença militar) e colocá-la sob a Casa Civil, logo no início do mandato, era um comando político firme, ou seja, alinhado ao projeto do PT. Em vez disso, encontraram um órgão órfão, sem liderança efetiva na Casa Civil, com orçamento modesto, R$ 933 milhões em 2026, dos quais apenas R$ 81 milhões, menos de 10%, destinados às atividades-fim de informação e inteligência, sendo o restante majoritariamente comprometido com pensões e sem as orientações que imaginavam receber.
O artigo de Barrocal dramatiza os números e repete o mantra da “visão de inimigo interno” herdada da ditadura, elogiando indiretamente a extinção do GSI por Dilma. O que não se diz é que esse esvaziamento não começou agora. A Abin patina há anos, inclusive nos governos petistas anteriores, porque a inteligência de Estado nunca foi prioridade real quando o poder estava consolidado. O que incomoda, de fato, esses aliados, é a falta de “diretrizes claras” que sirvam ao partido.
A agência vive, de fato, momentos delicados. Sob a direção de Luiz Fernando Corrêa, indicado pelo Planalto, enfrentou indiciamentos na PF, atritos com a Polícia Federal, pedidos de afastamento de servidores e descontentamento interno. Relatórios como “Desafios de Inteligência 2026” são produzidos, mas o ruído sugere ausência de comando coerente.
O que o seminário da Intelis e da Unipop propõe, na prática, é trocar uma suposta tutela militar por uma tutela partidária explícita. Querem uma Abin “civil” e forte, mas forte para supostamente servir ao projeto de poder do PT em 2026, não necessariamente ao Estado brasileiro como um todo.
Inteligência de Estado exige profissionalismo, continuidade institucional, recursos bem aplicados e, acima de tudo, imparcialidade. Não se constrói isso com seminários organizados por entidade corporativa dos próprios servidores da Abin em parceria com instituto de formação política de esquerda, nem com cobranças públicas de ex-presidentes do PT, conforme está sendo feito no presente.
Os aliados históricos observaram que a Abin está abandonada e foram, eles próprios, deixados de lado pelo governo que ajudaram a reconduzir ao poder. A fragilidade existe. Mas a solução não está em politizá-la ainda mais, sob o disfarce de “reformulação estratégica”. Está em profissionalizá-la, longe de caciques frustrados que hoje cobram o que não souberam construir quando tiveram oportunidade.
A Abin continua órfã. Os que se candidatam a novos “pais” já perceberam que o berço está vazio, porque o governo preferiu manter a agência no limbo a assumi-la abertamente como instrumento de poder.







Por: Robérico Silva de Oliveira – Teólogo, Gestor em Teologia, Psicanalista Clínico, Pós-graduado em Psicologia Clínica, Bacharel em Administração, Pós-graduado em Ciências Políticas.
Pesquisa analisa a tatuagem como fenômeno biopsicossocial e propõe reflexão sobre identidade, simbolismo e fé
A tatuagem, hoje amplamente associada à estética e à expressão individual, é muito mais do que uma marca na pele. Um estudo interdisciplinar do pesquisador Robérico Silva de Oliveira aponta que a prática envolve dimensões históricas, psicológicas, culturais, sanitárias e até teológicas, sendo compreendida como um fenômeno biopsicossocial complexo.
Segundo o levantamento, a tatuagem acompanha a humanidade desde civilizações antigas, com registros no Egito, Polinésia e entre povos tradicionais, onde era usada em rituais, identidade social e espiritualidade.
Do ponto de vista psicológico, o estudo destaca que tatuagens podem representar memória, pertencimento, elaboração de traumas e construção de identidade. Em algumas abordagens psicanalíticas, a marca no corpo é entendida como uma linguagem simbólica do inconsciente.
Na dimensão da saúde, o artigo chama atenção para questões de biossegurança, como esterilização, pigmentos e riscos dermatológicos, ressaltando a importância de procedimentos seguros e regulamentados.
Debate religioso e simbólico
A pesquisa também aborda o debate cristão sobre tatuagens, frequentemente relacionado a textos bíblicos como levítico e 1 Coríntios. O estudo observa que não há consenso absoluto entre correntes religiosas: enquanto alguns veem restrições teológicas, outros entendem a decisão como questão de consciência e discernimento pessoal.
Outro ponto destacado é o simbolismo das imagens tatuadas. Muitos desenhos e signos carregam significados culturais, espirituais e sociais que nem sempre são conhecidos por quem escolhe tatuar.

Fenômeno social multifacetado
O autor lembra que antigas leituras criminológicas que associavam tatuagens à marginalidade são hoje consideradas superadas e devem ser contextualizadas historicamente.
A conclusão do estudo é que a tatuagem não deve ser vista apenas como escolha estética, mas como prática carregada de sentidos subjetivos e sociais. Para o pesquisador, a decisão de tatuar-se — especialmente em contextos de fé — deve envolver informação, reflexão e consciência.
“Mais do que discutir se é permitido ou proibido, a questão central é compreender o significado da escolha”, sintetiza o estudo.






- 24 de abr

RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE
O simpático casal naturista francês, Perry e Margot, recebeu na Vila do Atlântico, em Salvador, o roceiro João Penca, contratado para ser o novo caseiro da chácara onde moravam. Como estava de saída para uma praia de nudismo existente na Costa do Sauipe, o casal resolveu levar João Penca para a tal praia, até porque ainda não o conhecia o suficiente para confiar-lhe a chave da chácara.
Ao chegarem à praia de nudismo – o primeiro mar na vida de João Penca – qual não foi a surpresa do caboclo quando um homem totalmente pelado, “respeitosamente,” os recebeu indicando o local de estacionar o carro. Surpresa maior João Penca teve no momento em que Perry e Margot também tiraram a roupa e pediram a ele que fizesse o mesmo. Com os olhos semicerrados, evitava olhar sua maravilhosa patroa despida. João Penca também ficou nu, ostentando o grande motivo do seu codinome de Penca. E, nus, eles caminharam pela praia deserta até se juntarem a um festivo grupo de pessoas, cerca de doze casais, todos naturalmente pelados. João Penca tentava, de todas as maneiras, desviar o seu olhar para não enxergar aquelas mulheres nuas à sua frente – logo ele que, de fêmea nua, só tinha intimidade com cabrita, jumenta, égua −, não convinha arriscar.
Após as saudações e apresentações de praxe, o incidente. Uma sararazinha superanimada achou de saudar João Penca com um “Seja bem vindo!,” seguido de um beijo no rosto do caboclo. João Penca arriscou espiar o corpo nu e quente daquela mulher e aconteceu o que ele mais temia naquele momento, uma ereção. E bota ereção nisso! O que se ouviu foi aquele ó!, ó!, ó!... não se sabe se de decepção ou de admiração das pessoas em volta do matuto. Sem alternativa, João Penca correu em direção ao mar e ficou nadando paralelo à praia. Ia de peito e voltava de costas, parecendo um veleiro com a vela fora do pano. Na areia, o grupo de naturistas nus buscava uma solução pacífica para trazer João Penca de volta, mas sem aquela de horror. Enquanto isso, João Penca continuava no mar, nadando e olhando para o céu, tentando encontrar nas nuvens uma distração para enganar a sua excitação.
Pois não é que a sararazinha do beijo largou a mão do marido, pegou uma boia (uma câmara de ar) e correu em direção ao mar, dizendo:
− Se fui a causadora, é minha também a obrigação de dar um jeito nisso.
Depois de quase uma hora no balanço das ondas, João penca e a sararazinha, ainda envolvidos pela boia, pisaram em terra firme. O caboclo, visivelmente mais aliviado, e a mulher num misto de bagaço e de satisfação. Lógico que ela foi recebida, principalmente pelo marido, como uma verdadeira heroína.
Temendo um novo vexame, João Penca cerrou os olhos e aproximou-se lentamente do grupo. Margot, só querendo registrar para posteridade aquele que seria o momento do batizado do roceiro João Penca no naturismo, juntou o grupo de pelados em volta do caboclo, apontou uma máquina fotográfica e, buscando a atenção de todos, gritou:
- Olha o beija-flor!!!
João Penca caiu na besteira de abrir os olhos e o único “beija-flor” que ele visualizou foi o da sua bela patroa. O caboclo se beliscou, mordeu os beiços, mas não houve jeito. A coisa reacendeu, tiniu de novo. Desta feita, João Penca saiu correndo pela areia até sumir no infinito da praia. A sararazinha até que tentou alcançá-lo, mas não conseguiu.
Dias após – nu e ainda ereto –, João Penca foi parar numa colônia de hippies, na distante praia de Arembepe, no litoral norte baiano. Por lá, a mulherada de cabeça feita, que não parava de admirar a supremacia daquela divindade que surgira do mar, acolheu-o carinhosamente, com paz e, principalmente, muito amor!
João Penca logo foi convidado a experimentar o “cachimbo da paz”, gostou da fumaça e virou o hippie Apolo (O Deus do Sol e de fazer amor).

























