- 18 de fev.

Veronica de Oxosse Íyálorixá no Ilê Igba Òmó Aro Omin
Professora e Ativista do Movimento Mulheres Negras e luta contra a Intolerância Religiosa! Componho o Coletivo de Mulheres “Curicas Empoderadas”, atuante na área de palestras sobre autoestima e Empoderamento feminino
CORPO, CASA E ESPÍRITO EM HARMONIA
O tambor silenciou, a purpurina repousa no chão e o sol de quarta-feira nasce pedindo calma. Mais do que o fim da festa, hoje é o dia da retomada. Nas tradições de terreiro, sabemos que para realizar é preciso estar inteiro. O corpo é nosso primeiro templo, e a casa, nossa segunda pele.
Depois da intensidade das ruas, é hora de "esfriar" o que esquentou e firmar os passos para o ano que se inicia agora.
1. O Templo do Corpo: Purificação e Águas

O Carnaval consome nossa energia vital (Axé). Para recuperá-la, o segredo está na simplicidade da natureza:
* Hidratação Sagrada: A água é o elemento que limpa e regenera. Abuse da água de coco, sucos naturais e muita água mineral. Deixe que o líquido lave o cansaço do fígado e das células.
* Alimentação de Cura: Fuja de Comidas pesadas Priorize frutas, legumes e sopas leves. O Chá de Dente-de-Leão é o grande aliado: ele não só limpa o corpo físico, como equilibra o Plexo Solar, nosso centro de troca com o mundo.
* O Descanso é um Ritual: Dormir não é perda de tempo, é fundamento. Permita-se o repouso para que o espírito assente no corpo.
2. A Limpeza da Morada: Renovando o Ambiente
A casa guarda as memórias da folia e as energias de quem passou por ela. Vamos abrir os caminhos:
* Vento e Luz: Abra todas as janelas. Deixe o ar circular e o sol de Orun (o céu) expulsar qualquer estagnação.
* Organização e Descarte: Lave as roupas de folia imediatamente. O suor e o brilho devem ir embora com a água corrente. Jogue fora o que quebrou e organize o que ficou bagunçado.
* Defumação de Descarrego: Em vez de apenas perfumar, vamos defumar. Use ervas secas ou incensos de arruda e manjericão para transmutar as energias densas deixadas pelas visitas e pela agitação das ruas. Sinta a fumaça levando o que é pesado e trazendo o frescor.
3. Rituais de Renovação: O Poder do Banho
Para tirar a "nhaca" e renovar a disposição, faremos um ritual em duas etapas:
* Etapa 1: Peeling de Renovação (Descarrego): No banho, utilize sabão de coco com açúcar. Faça uma esfoliação em todo o corpo. O sabão de coco limpa profundamente as energias negativas, enquanto o açúcar atua como um peeling, removendo as células mortas e as impurezas espirituais, preparando sua pele para o novo. Enxágue bem, sentindo tudo o que é velho indo pelo ralo.
* Etapa 2: Banho de Brilho e Caminho: Após o enxágue, tome um banho de folhas de louro. O louro traz a energia da vitória, do brilho pessoal e da prosperidade. É o axé que você precisa para que seu ano comece com força e reconhecimento.
* Escalda-pés: Seus pés te carregaram na folia; honre-os. Água morna com gotas de óleo de lavanda por 15 minutos ajudam na fluidez e no aterramento.
O Ano Começa Agora
Retome sua rotina com paciência. Olhe suas finanças com pé no chão, use a tecnologia a seu favor e, acima de tudo, respeite seu ritmo. Não se joga uma semente na terra seca; prepare seu solo hoje com essa limpeza para colher os frutos de um ano próspero.
Que a paz de Oxalá e a força das ervas acompanhem sua caminhada!







Por CARLOS AROUCK
FORMADO EM DIREITO E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS
“ESCUTAR A VOZ DE DEUS E JEJUAR ATÉ DA LÍNGUA FERINA”
Na véspera da Quaresma, que inicia em 18 de fevereiro, Quarta-feira de Cinzas, o Papa Leão XIV publicou sua primeira Mensagem para este tempo litúrgico sagrado, intitulada “Escutar e jejuar. A Quaresma como tempo de conversão”. Assinada em 5 de fevereiro, memória de Santa Ágata, virgem e mártir, a exortação é um chamado profético à Igreja para voltar o coração a Cristo Crucificado, recolocando o mistério de Deus no centro da existência, longe das distrações e inquietações do mundo secularizado.
O Santo Padre recorda que “a Quaresma é o tempo em que a Igreja, com solicitude maternal, nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida, para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano”. Todo caminho de conversão, essência da vida cristã, começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra de Deus e a acolhemos com docilidade de espírito. É um convite a percorrer com Jesus o caminho que sobe a Jerusalém, onde se cumpre o mistério da Sua Paixão, Morte e Ressurreição, o centro da nossa redenção.
Escutar. Deixar se instruir por Deus para ouvir como Ele.
Em primeiro lugar, o Papa destaca o escutar como o primeiro ato de amor e relação. Deus mesmo, revelando se a Moisés na sarça ardente, mostra que ouvir o clamor do oprimido é traço distintivo do Seu ser: “Eu vi a miséria do meu povo no Egito e ouvi o seu clamor” Ex 3,7. A liturgia nos educa a discernir, entre as muitas vozes do mundo, o grito que sobe do sofrimento e da injustiça, especialmente o dos pobres, que interpela constantemente nossa vida, sociedades, sistemas políticos e econômicos e, sobretudo, a Igreja.
Mas esta escuta não é ideológica. É espiritual e discernida. O Papa adverte contra o barulho das muitas vozes modernas, frequentemente carregadas de relativismo, ódio e agendas divisórias, e pede que Deus nos ensine a ouvir como Ele, com misericórdia verdadeira, sem cair em vitimismo ou manipulações políticas. É um chamado à ordem interior: priorizar a voz de Deus sobre o ruído do mundo.
Jejuar. Disciplina do corpo e do coração para a liberdade verdadeira.
Se a Quaresma é tempo de escuta, o jejum é a prática concreta que abre o coração à Palavra. Antigo e insubstituível, o jejum envolve o corpo para revelar nossas verdadeiras fomes e ordenar os apetites. Citando Santo Agostinho, o Papa recorda a tensão entre a fome de justiça nesta terra e a saciedade na vida eterna. O jejum disciplina, purifica e expande o desejo rumo a Deus e ao bem.
Para evitar o orgulho, tentação comum no mundo atual, o jejum deve ser vivido na fé e humildade, nutrido pela Palavra. “Não jejua verdadeiramente quem não sabe alimentar se da Palavra de Deus”, adverte, ecoando Bento XVI e Paulo VI. Só a austeridade torna a vida cristã forte e autêntica.
O convite mais impactante e profético é o jejum da língua. “Comecemos a desarmar a linguagem, renunciando às palavras taglientes, ao julgamento imediato, ao falar mal dos ausentes, às calúnias”. Em família, no trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos e nas comunidades cristãs, cultivemos a gentileza. Assim, muitas palavras de ódio deixarão lugar a palavras de esperança e paz.
Esta proposta é um antídoto direto à cultura do cancelamento, ao ódio online e à agressividade verbal que dividem sociedades e até comunidades católicas. O Papa defende a responsabilidade pessoal e a caridade autêntica, rejeitando o relativismo que justifica ofensas em nome de causas. A verdadeira paz nasce da conversão do coração, não de discursos inflamados.
Juntos. A conversão comunitária na Igreja.
A Quaresma não é só individual. Inspirado em Neemias, Ne 9,1 a 3, o Papa chama paróquias, famílias e grupos a um caminho compartilhado. Escutar a Palavra, o grito dos pobres e da terra, e jejuar juntos sustenta o arrependimento real. A conversão afeta relações, diálogo e acolhida do sofrimento, construindo a civilização do amor pela graça, não por utopias humanas.
Graça para uma Quaresma que transforma.
Leão XIV conclui pedindo graça para uma Quaresma que torne nossos ouvidos atentos a Deus e aos últimos, com jejum que alcance a língua e comunidades que acolham o sofrimento, gerando libertação. “Que nossas comunidades se tornem lugares onde o grito de quem sofre encontra acolhida e o escutar abre caminhos de libertação, tornando nos mais prontos para edificar a civilização do amor”.
Em tempos de crise moral e polarização, esta mensagem é um bálsamo cristão: retorno à tradição ascética, à cruz, à humildade e à caridade verdadeira. Que os fiéis acolham este chamado como graça para morrer ao pecado e ressurgir com Cristo na Páscoa. Que Maria, Mãe da conversão, nos guie neste santo tempo.






- 16 de fev.

Nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada que adormece as consciências nas festas carnavalescas.
É lamentável que, na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com o título de civilização.
Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos, prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer.
Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças da treva nos corações e, às vezes, toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.
Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidade e de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem e se intensifiquem o olvido de obrigações sagradas por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos deveres sociais e divinos.
Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos, na assistência social aos necessitados de um pão e de um carinho.
Ao lado dos mascarados da pseudo-alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras.
Por que protelar essa ação necessária das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem?
Que os nossos irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de nossas despretensiosas opiniões, colaborando conosco, dentro das suas possibilidades, para que possamos reconstruir e reedificar os costumes para o bem de todas as almas.
É incontestável que a sociedade pode, com o seu livre-arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos, mas, enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer com isso um eloquente atestado de sua miséria moral.
Autor Espiritual: Emmanuel Psicografia: Chico Xavier Em julho de 1939 / Publicado na Revista Internacional de Espiritismo, em janeiro de 2001.
Núcleo Espírita Maria Mãe de Jesus.
YouTube: @mariamaedejesusne

























