A “FEBRE DAS INJEÇÕES PARA EMAGRECER” QUE VOCÊ PRECISA SABER ANTES DE USAR
- jjuncal10
- 24 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 30 de ago. de 2025

Dr. ANDRÉ COSTA CRUZ PIANCASTELLI
Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e MEC
Especialista em Clínica Médica pelo MEC
Instagram: @dr.andrepiancastelli
Nos últimos meses, nomes como Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida) têm aparecido em conversas de academia, rodas de amigos e até nos corredores dos supermercados. Esses medicamentos, chamados análogos do GLP-1, foram desenvolvidos originalmente para tratar o diabetes tipo 2, mas ganharam enorme visibilidade por um efeito colateral “desejado”: a perda de peso.
Sem sombra de dúvidas, os estudos científicos comprovam que os GLP-1 reduzem a glicose no sangue, controlam a fome e podem levar a uma perda de peso significativa. Além disso, pesquisas mostram benefícios adicionais de algumas dessas drogas, como redução do risco de eventos cardiovasculares (como infarto e AVC), redução do risco de desenvolvimento de demência e Alzheimer (efeito neuroprotetor) e proteção para os rins dos diabéticos. É por isso que, sob supervisão médica, eles representam um avanço real no tratamento de pessoas com obesidade e diabetes.
Mas é aí que está o problema: a indicação para emagrecimento tem levado ao uso indiscriminado dessas medicações.
Muitas pessoas têm feito uso esses medicamentos sem indicação médica, buscando apenas emagrecer rápido. O Mounjaro, por exemplo, antes de ser liberado no Brasil, chegou a ser importado e comercializado ilegalmente no país. Mas o que pouca gente sabe é que os GLP-1 não são uma pílula mágica livre de efeitos colaterais. Eles podem causar eventos adversos importantes, como náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal e até complicações mais sérias, como inflamações na vesícula. Não são incomuns histórias de pessoas que começam a usar por conta própria, não usam a dosagem correta, e não passam do primeiro ou segundo dia de uso devido a vômitos ou diarreia - acabando por perder um bom dinheiro, pois não são medicamentos baratos.
Outro ponto que merece atenção: não são todas as pessoas que podem usar. Pacientes com histórico de pancreatite, doenças graves do trato gastrointestinal ou algumas condições de tireoide, por exemplo, devem ter cuidado redobrado. Além disso, o acompanhamento médico é fundamental para ajustar doses, monitorar possíveis riscos e avaliar se o paciente realmente tem indicação e se beneficia do tratamento.
Há ainda um aspecto pouco discutido: quando a medicação é interrompida sem mudanças no estilo de vida — alimentação equilibrada e prática regular de atividade física —, o peso costuma voltar. Ou seja, sem acompanhamento e mudança de hábitos, o efeito pode ser apenas temporário.
Isso não significa que os análogos do GLP-1 não sejam revolucionários — pelo contrário. Eles representam um divisor de águas no tratamento da obesidade, uma doença crônica e complexa. Mas usá-los sem prescrição é como dirigir sem cinto de segurança: pode até dar certo por um tempo, mas o risco de acidente é grande.
Se você pensa em usar medicamentos como Ozempic ou Mounjaro (ou outros da mesma classe) para emagrecer, a recomendação é clara: procure um médico, de preferência um endocrinologista. Só ele poderá avaliar se o tratamento é adequado para o seu caso, pesar benefícios e riscos e indicar o acompanhamento correto.
Em saúde, não existe atalho seguro. O melhor caminho é sempre o da orientação profissional e da responsabilidade.










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