AGOSTO: AS RAÍZES DA ANCESTRALIDADE AFRICANA - EWÁ E OXUMARÊ
- jjuncal10
- há 9 horas
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Verônica de Oxosse Íyálorixá no Ilê Igba Òmó Aro Omin
Professora e Ativista do Movimento Mulheres Negras e luta contra a Intolerância Religiosa! Componho o Coletivo de Mulheres “Curicas Empoderadas”, atuante na área de palestras sobre autoestima e Empoderamento feminino
Durante todo o mês de agosto, faremos uma caminhada pelos caminhos da ancestralidade, conhecendo a origem dos cultos africanos que deram origem às tradições preservadas nos terreiros brasileiros.
É importante compreender que o Candomblé praticado no Brasil nasceu do encontro de diferentes povos africanos, entre eles os iorubás (Ketu), os povos Jeje, oriundos do antigo Reino do Daomé, e os povos Bantu (Angola e Congo). Cada nação preservou seus fundamentos, sua língua, seus ritos e sua forma de cultuar o sagrado, enriquecendo a espiritualidade afro-brasileira.

Nesta primeira semana, conheceremos Ewá e Oxumarê, dois orixás da tradição iorubá que representam o mistério da vida, da transformação e da continuidade.
Ewá
Ewá é a senhora da beleza discreta, da pureza, da vidência e dos mistérios ocultos. É considerada a guardiã dos horizontes, das neblinas e daquilo que os olhos comuns não conseguem enxergar. Sua força está na sensibilidade espiritual, na intuição e na capacidade de revelar verdades apenas para aqueles que estão preparados para recebê-las.
Seu culto tem origem entre os povos iorubás, na região onde hoje se encontram a Nigéria e parte do Benim.
Seus elementos sagrados são as águas tranquilas, a névoa, a delicadeza da natureza e tudo aquilo que representa recolhimento, silêncio e contemplação.
Oxumarê
Oxumarê é o orixá do movimento, da riqueza, da prosperidade e dos ciclos da vida. É representado pelo arco-íris e pela serpente sagrada, símbolos da ligação entre o céu e a terra.
Ensina que nada permanece igual para sempre. Assim como o arco-íris aparece após a chuva, também as dificuldades dão lugar a novos tempos quando caminhamos com fé, equilíbrio e perseverança.
Seu culto também nasceu entre os povos iorubás, sendo um dos orixás ligados à renovação constante da existência.
Seus elementos são o arco-íris, a serpente, a chuva, a fertilidade e o movimento contínuo da natureza.
Um Itan de Ewá e Oxumarê
Conta um antigo itan que houve um tempo em que a Terra perdeu seu brilho. As águas deixaram de correr, as plantas secaram e os homens já não acreditavam na renovação.
Foi então que Oxumarê elevou seu corpo aos céus, formando um grande arco luminoso entre o Orun e o Ayê. A chuva voltou a cair, as sementes germinaram e a vida renasceu.
Ewá observava tudo em silêncio. Ela ensinou que somente aqueles capazes de enxergar além das aparências compreenderiam que toda transformação verdadeira nasce primeiro dentro do coração.
Desde então, Oxumarê lembra que tudo está em constante movimento, enquanto Ewá protege aqueles que buscam a evolução espiritual com humildade, paciência e sabedoria.
Ebó simbólico para Ewá
Finalidade: fortalecer a intuição, a serenidade e a clareza espiritual.
Materiais:
* 1 vela branca;
* Flores brancas;
* Uma tigela de barro ou vidro com água limpa.
Acenda a vela, faça uma oração pedindo discernimento, paz e sabedoria para enxergar os caminhos corretos. Ao final, despeje a água aos pés de uma árvore, agradecendo à natureza.
Ebó simbólico para Oxumarê
Finalidade: pedir renovação, prosperidade e abertura de caminhos.
Materiais:
* 7 fitas coloridas;
* 7 moedas limpas;
* Um pouco de mel.
Faça uma oração pedindo que os ciclos difíceis sejam encerrados e que novas oportunidades floresçam em sua vida. As fitas podem ser amarradas em uma árvore saudável como símbolo de renovação, e as moedas devem ser doadas a alguém em situação de necessidade, para que a prosperidade continue circulando.
Reflexão da Semana
Ewá nos ensina que nem tudo precisa ser revelado antes do tempo. Oxumarê nos lembra que a vida é feita de ciclos e que nenhuma dificuldade é permanente.
Que possamos confiar nos movimentos do destino, cultivar a paciência e permitir que a transformação aconteça no tempo certo.
Na próxima semana, conheceremos outros fundamentos da ancestralidade africana e continuaremos nossa jornada pelos saberes que atravessaram o oceano e permanecem vivos nos terreiros do Brasil.










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