CUIDADO COM A CAIXA
- jjuncal10
- 27 de jan. de 2025
- 2 min de leitura

Por Nelson Neves - Pedagogo, Pós-graduado em Coordenação Pedagógica, Escritor de Literatura Infanto-Juvenil e de Romance
O que mais encontramos por aí, especialmente na internet, são discursos prontos, muitas vezes promovidos por pessoas que seguem a linha de "coaching". Esses discursos tentam colocar todo mundo dentro de uma mesma caixa, como se todos devessem se moldar para caber em um modelo único de vida ou sucesso. Isso me lembra a música do Raul Seixas, Sapato 36: "Se for por isso, o sapato me aperta, me sobe nas canelas e me dá uma dor de cabeça infernal". Nunca foi tão atual!
Nem todo mundo quer o corpo perfeito ou malhado. Nem todo mundo sonha em ter uma casa que mais parece um hotel. E isso não significa escassez ou falta de ambição – é apenas uma questão de escolha pessoal. O mesmo vale para carros de luxo ou para aqueles que almejam cifras milionárias. O problema surge quando tentam medir todos com a mesma régua, ignorando por completo as individualidades e os desejos que tornam cada pessoa única.
Por que essa insistência em dizer que todos devem trabalhar no mesmo ritmo para conquistar as mesmas coisas? Esse pensamento é uma afronta às nossas singularidades. Nem todo mundo quer ser multimilionário, e isso é completamente normal. Do mesmo modo, não há nada de errado em almejar ser bilionário. O essencial é entender a diferença entre falar de mim e falar de você. Quando imponho meus valores e ambições como verdades universais, desrespeito a liberdade do outro.
Um exemplo ajuda a ilustrar: imagine uma pessoa que estava desempregada por anos e consegue um emprego com um salário de R$ 10.000. Essa pessoa vai se sentir no topo do mundo. Por outro lado, um multimilionário que enfrenta problemas financeiros e precisa aceitar um emprego pagando o dobro, R$ 20.000, pode sentir como se estivesse vivendo na pobreza. O que isso mostra? Que não é sobre o número em si, mas sobre a perspectiva individual de cada um.
Se você sente que precisa melhorar uma área da sua vida, mesmo que outros já vejam sua situação como privilegiada, siga em frente. Ao mesmo tempo, se você está em um lugar que muitos considerariam escasso, mas você se sente pleno, permaneça lá. Essa é a sua caixa, e ela está ajustada ao seu tamanho.
Por isso, não faz sentido essa ideia de "igualdade social" no sentido de uniformizar desejos e conquistas. Como falar de igualdade em um mundo onde as pessoas querem coisas diferentes e têm ritmos de trabalho distintos? Claro, podemos e devemos lutar por equidade de oportunidades, mas igualar os objetivos é desprezar o que nos torna humanos.
Cuidado com a caixa. Ela pode destruir você para que o outro prevaleça. Não compre um sapato 36 apenas porque todos estão usando esse tamanho enquanto você calça 40 ou 32. A verdadeira liberdade está em reconhecer o seu tamanho e honrar quem você é, não em se dobrar para caber no padrão de outra pessoa.











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