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FAMÍLIA UNGÍ NANÃ E OBALUAIÊ


Verônica de Oxosse Íyálorixá no Ilê Igba Òmó Aro Omin

Professora e Ativista do Movimento Mulheres Negras e luta contra a Intolerância Religiosa! Componho o Coletivo de Mulheres “Curicas Empoderadas”, atuante na área de palestras sobre autoestima e Empoderamento feminino


Na semana passada, iniciamos nossa caminhada pela Família Ungí falando de Ewá e Oxumarê, trazendo os mistérios da transformação, do movimento e dos ciclos da vida.

 

Hoje, seguimos esse caminho encontrando duas forças profundas dessa família: Nanã e Obaluaiê.

 

Falar de Nanã é falar de ancestralidade.


Falar de Obaluaiê é falar de transformação.

 

🌿 NANÃ

 

Nanã é a grande anciã, aquela que carrega a memória dos tempos antigos.

 

Ligada à terra molhada, à lama e às águas paradas, ela representa o princípio e o retorno. A lama nos lembra que dela nasce a vida e para ela retornamos.

 

Nanã nos ensina a respeitar o tempo, os mais velhos e os conhecimentos que atravessaram gerações.

 

Sua força nos lembra que o antigo guarda memória, sabedoria e fundamento.

 

🌿 OBALUAIÊ

 

Obaluaiê é o Senhor da Terra, profundamente ligado aos mistérios da doença, da cura e da transformação.

 

Sua imagem coberta pelas palhas nos lembra que nem tudo precisa ser revelado aos nossos olhos para ser verdadeiro.

 

Obaluaiê conhece a dor, mas também conhece a superação.

 

Ele nos ensina que podemos atravessar momentos difíceis e sair deles transformados.

 

🌿 NANÃ E OBALUAIÊ

 

Em muitos itans, Nanã aparece como mãe de Obaluaiê.

 

Uma dessas narrativas conta que, ao nascer, Obaluaiê apresentava o corpo marcado por enfermidades. Nanã o deixou próximo ao mar, onde foi encontrado e cuidado por Iemanjá.

 

A história fala muito mais do que abandono.

 

Fala de dor, acolhimento, cuidado e transformação.

 

Aquele que um dia precisou ser cuidado tornou-se, simbolicamente, senhor dos mistérios da doença e da cura.

 

E talvez essa seja uma das maiores lições desse itan:

 

uma ferida não precisa ser o fim da nossa história. Ela também pode se transformar em sabedoria.

 

🌿 UM EBÓ SIMBÓLICO

 

Este gesto é apenas uma prática de reflexão e não substitui um ebó ritual orientado dentro do terreiro.

 

Coloque um pouco de terra limpa em um recipiente e, ao lado, acenda uma vela branca.

 

Em silêncio, peça sabedoria para aceitar o que precisa terminar e força para receber aquilo que precisa nascer.

 

Agradeça aos ancestrais e à natureza.

 

A terra nos ensina:

 

tudo tem seu tempo de nascer, crescer, transformar-se e retornar.

 

✨ A LIÇÃO DA SEMANA

 

Nanã nos ensina a respeitar o tempo.

 

Obaluaiê nos ensina a respeitar os processos.

 

Nanã guarda a memória.

 

Obaluaiê transforma.

 

E juntos nos lembram que não existe verdadeira renovação sem respeito à ancestralidade.

 

Talvez aquilo que hoje parece um fim seja apenas uma passagem.

 

Talvez uma ferida esteja, silenciosamente, preparando uma nova força dentro de você.

 

Respeite seu tempo. Honre sua ancestralidade. Permita-se transformar.

 

Seguimos nossa caminhada pela Família Ungí, honrando os saberes que atravessaram gerações e permanecem vivos entre nós.

 

Àṣẹ! 🌿



 
 
 

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