O EXCLUSIVISTA
- jjuncal10
- 29 de nov. de 2021
- 2 min de leitura

RIBAMAR VIEGAS
ENGENHEIRO DE PRODUÇÃO, TÉCNICO EM PONTES
E ESTRADAS, INSTRUTOR DE DIREÇÃO DEFENSIVA
E CONDUÇÃO, ESCRITOR.
Recém-formado em Teresina, Nonatinho logo se tornou o maior partido para as moças de Pitombeiras, no Piauí. Mas o doutor Nonato ─ como gostava de ser chamado ─ era do tipo exclusivista, tinha pavor de namorar uma garota que tivesse namorado outro rapaz. E alegava:
─ O que eu não quero é pagar pela fava que boi comeu! – Justificava Nonatinho referindo-se à possibilidade de namorar uma moça que não fosse mais moça. Parecia até doença, mas essa era a grande preocupação do doutor Nonato. Tanto que ele chegou ao ponto de dispensar o assédio das garotas de Pitombeiras para, literalmente, carregar em seus braços a sorridente paraplégica Francisquinha, que era bonitinha, pobre e morava longe. Dizia ele:
─ Francisquinha é deficiente, portanto é pura, afinal nem andar a coitadinha pode, quanto mais...
No primeiro sábado à noite que Nonatinho saiu com Francisquinha, eles passearam de carro pelo centro da cidade e estacionaram o veículo no pátio do Bar e Sorveteria Flamengo, o “poit” de Pitombeiras. Nonatinho desceu do veículo, abriu a porta do carona e, sob o olhar interrogativo dos curiosos, retirou cuidadosamente Francisquinha do carro, carregou-a nos braços, colocou-a numa cadeira e sentou-se ao lado dela. Beberam, comeram e trocaram alguns beijos – todos por iniciativa de Francisquinha – que curtia muito aquela noite. Ela não estava nem aí para o ti-ti-ti das despeitadas ao redor, que não paravam de sorrir do zelo do doutor para com ela. Na volta, Francisquinha pediu para Nonatinho parar o carro debaixo de uma amendoeira, à frente a casa dela. Aí os carinhos eróticos, todos por iniciativa de Francisquinha, intensificaram-se, até quando ela, já despida, pediu ao namorado que a retirasse do carro e a pendurasse num galho da amendoeira. E atendeu ao pedido e ela o fez chegou junto. E ali, com Francisquinha balançando no galho da amendoeira, a coisa aconteceu...
Depois do fato consumado, doutor Nonato retirou Francisquinha do galho da amendoeira, vestiu-a e levou-a para dentro da casa. Despediu-se, entrou no carro, mas não conseguiu sair. Estava transtornado, sentia-se o último dos homens por ter se aproveitado de uma indefesa paraplégica. Resolveu contar tudo à mãe da moça, pedir desculpas, redimir-se de tamanho erro e assumir as consequências do seu ato. Bateu à porta da casa, e uma mulher carrancuda “sutilmente” lhe perguntou:
─ Ainda quer mais? ...
Nonatinho, cabisbaixo, certificou-se tratar da mãe de Francisquinha e contou o acontecido entre ele e a namorada no galho da amendoeira.
A mãe da Francisquinha reiterou:
─ E o senhor ainda não se deu por satisfeito? ...
Nonatinho, sem levantar a cabeça:
− Não é bem isso, minha senhora, é pela maneira como me aproveitei de uma pessoa tão indefesa como é a sua filha, pendurando-a num galho de uma árvore...
─ Pois fique sabendo que o senhor ainda foi bom até demais, trazendo ela vestida para dentro de casa − atalhou a megera − e concluiu batendo a porta:
─ Os outros fazem a mesma coisa que o senhor fez, vão embora e larga ela pendurada na amendoeira... O pai dela é quem tira ela do galho, bota roupa nela e traz pra casa.












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