“PAU” QUE BATE EM CHICO BATE EM FRANCISCO
- jjuncal10
- há 23 horas
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RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE
Marinalva era atraente, amável, boa dona de casa e apaixonada pelo marido. Onofre, o marido, também apaixonado por Marinalva, sempre cordial, até brincava de provocar inveja aos seus colegas de repartição pública exaltando as virtudes de Marinalva:
― É uma mulher de cama, mesa e banho|!
Quando o casamento deles completou 15 anos, o casal continuava apaixonadíssimo. Não tinha filhos, e Onofre não dava a mínima importância para esse detalhe. Marinalva tinha convicção de que o estéril era Onofre. Ela nunca ouvira falar em parente estéril. Mas, naquele dia, o importante para ela era comemorar a quitação da casa de dois quartos que Onofre financiara pela Caixa Econômica e tirar grande proveito da baita disposição do marido na cama. Onofre comparecia quase todos os dias, e sexo era fundamental para Marinalva continuar casada com Onofre.
Aos 20 anos de casamento, Onofre ainda continuava apaixonado, Marinalva, menos. Ela já se limitava apenas a cumprir o “dever de cama” com Onofre, até que um dia, após Onofre sair para o trabalho, Marinalva pegou um ônibus e foi visitar a prima Telma, desquitada, que morava na periferia da cidade. O encontro das duas foi muito festivo. Na ocasião, Telma lhe apresentou Francinete, uma recém-moradora do bairro, loira, atraente, solteira, 30 anos (10 anos mais nova que Marinalva). Durante a apresentação, Francinete beijou Marinalva no pescoço, provocando-lhe arrepios em todos os pelos do corpo, em seguida, houve troca de olhares convidativos e piscares de olhos de concordâncias.
As duas saíram juntas da casa de Telma, e Marinalva aceitou o convite de Francinete para irem a um hotel barato, nas proximidades e lá se amaram freneticamente o restante da tarde.
Aquela fora a primeira de muitas tardes de amor entre Marinalva e Francinete no mesmo hotelzinho. Marinalva envolvera-se tanto com Francinete que passou a aceitar Onofre na cama a contragosto. No seu íntimo, ela chegou a sentir vergonha de estar traindo o marido com outra mulher, mas prevaleciam as maravilhas de prazer que aquela loira lhe proporcionava. Não dava mais para ficar sem Francinete!... Com ela era bom demais!... Marinalva então estabeleceu para si a seguinte meta: viver maritalmente com Francinete, com Onofre bancando... Era só ser habilidosa.
Depois de rejeitar mais uma vez Onofre na cama, na mesa e no banho, Marinalva partiu para cumprir sua meta, dirigindo-se ao marido:
― Onofre, me mate ou me perdoe, mas eu estou ficando com outra pessoa!
― Ficando com outro?... Como assim?... Me traindo?... Quem é ele?...
― Não é outo, é outra!! Uma pessoa muito especial, e pretendo convidá-la a morar conosco. Para os vizinhos, ela seria nossa empregada. Se você realmente me ama, essa é a minha condição para continuar morando com você. Onofre chorou na alma. Ele era inteligente o suficiente para entender que ato de feminicídio seria transformá-lo, além de corno, num covarde, num assassino, num gay na cadeia... limitou-se a sussurrar:
― Eu a amo muito, Marinalva, não conseguiria viver longe de você!...
Naquele dia, ele não foi ao trabalho nem almoçou. À noite, ela fez por onde e o aceitou na cama: para Onofre, um consolo; para Marinalva, um sacrifício planejado. Depois, o casal ainda chorou: Onofre, de tristeza por estar perdendo sua amada para outra mulher; Marinalva, de alegria por sentir que estava alcançando sua meta. Na calada noite, debaixo de muito afeto de Marinalva, Onofre, pacificamente, balbuciou:
― Marinalva, se essa a moça for decente, honesta, pode convidá-la para morar aqui.
Dois dias após, Marinalva já acordou de um sono profundo no quarto de casal, satisfeitíssima da noitada de amor que passara com Francinete. Estranhamente, no outro quarto, Onofre também acordou com cara de satisfeito. E, dessa forma satisfatória para os três, os dias foram se passando naquela casa. Apenas Marinalva parecia ligeiramente intrigada com a satisfação de Onofre. Ele estava muito cordial, inclusive com Francinete. Para não dar moleza ao azar, em algumas madrugadas em que sentira falta de Francinete ao seu lado na cama, levantava-se para averiguar, mas logo respirava aliviada, quando percebia que a luz do banheiro que atendia os dois quartos da casa estava acesa, e a porta trancada. Certa de Francinete estar no sanitário, ela sorria de si própria. Francinete só saía de casa com ela, e Onofre não passava de um “boco-morto” que nem para lhe fazer um filho prestou...
Com três meses da presença de Francinete na casa do casal, durante o harmonioso café da manhã, Marinalva ouviu de Francinete o que jamais pensara ouvir na sua vida:
― Amor, eu estou grávida!...
― Grávida?... Como?... De quem? ‒ “estupefatou-se” Marinalva.
Francinete beijou a testa, também “chifruda”, de Marinalva e respondeu:
― De Onofre!...
Só aí Marinalva se tocou que a jogada de Francinete para ficar também com Onofre era acender a luz do banheiro e trancar a porta por fora. ‒ É o tal negócio: “PAU” QUE BATE EM CHICO BATE EM FRANCISCO.










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