PLAYBOY
- jjuncal10
- há 11 horas
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RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE
Era minha primeira vez com uma mulher realmente linda. Eu tinha 16 anos e já tivera experiências outras com mulheres. Mas nem de longe comparadas com aquela. As outras me pareciam devassas e sem pudor. Lógico que algumas eram até atraentes, mas todas promíscuas. Como o importante para mim era só o prazer, qualquer uma servia!
Quem facilitava minhas experiências sexuais com esse tipo de mulher era um turco “cafetão‒contraventor”, dono da banca de revistas. A contravenção dele consistia em vender mais caro para menores revistas de sacanagens destinadas a adultos. Hoje ele se enquadraria no crime de sedução de vulnerável. Eu mesmo fui seduzido por ele a deixar de comprar lanches para comprar tais revistas.
Meu pai já havia morrido, e minha mãe, nem de longe, sonhava que seu querubim, coroinha da igreja São Vicente de Paula, no Apeadouro, em São Luís do Maranhão, fosse capaz de tamanha heresia... “deliciar-se” com revistas pornográficas às escondidas. Mas, enfim, uma maravilha de mulher estava segura nas minhas mãos. Diria que foi atração à primeira vista.
Entrei com ela sorrateiramente em casa, após certificar-me de que lá só havia minha mãe estendendo roupas no quintal. Levei-a para a sala e comecei a contemplar as bem traçadas curvas daquele belo corpo, os olhos violeta, os cabelos castanhos seda, e a “gloriosa” dando ar da graça dentro de uma calcinha transparente. Fui à loucura! Fazendo valer os meus 16 anos de estímulo, comecei a usufruir daquela maravilha de mulher. A coisa foi acontecendo e, na ponta dos pés, já quase liberando o “óxido nítrico”, de súbito, ouvi um berro pavoroso:
― ZEQUINHA!!!... O QUE É ISSO???... era Dona Cecília – minha mãe – desapontadíssima com o que via. Eu, segurando com a mão esquerda a revista Playboy, devorando a coelhinha americana Brooke Shields, protagonista do filme Menina Bonita, e com a outra segurando o causador de tudo. Dona Cecília voou e, com gana, tomou-me a revista... Envergonhadíssimo e com o coração a mil, saí apressado da sala e só parei na casa da minha tia, ao lado. Por ironia do destino, estava sobre a mesa, uma revista do desfile de candidatas a Miss Brasil trajando biquini (na época, o máximo). Depois dos votos de boas-vindas, minha tia, intuitivamente, retirou a revista da mesa. Posso garantir que, mesmo que a revista tivesse ficado onde estava, naquele momento, o causador de tudo e eu não daríamos a mínima importância para as Miss de biquini, permaneceríamos como estávamos: cabisbaixos.
Isso me custou uns dias evitando encarar Dona Cecília, mesmos nas horas das muitas orações que ela me fez rezar.
Tudo culpa do turco da banca de revistas... ou do causador de tudo... minha que não foi!...
Quando completei 18 anos, minha mãe, de bom grado, devolveu-me aquela bendita revista Playboy, dizendo:
“Agora tu podes, mas seja discreto!” (Cultura disciplinar de uma índia timbira, a qual gostaria de tê-la para lhe dar um abraço afetuoso neste dia das mães).
(Atire a primeira pedra aquele que não viveu uma fantasia desse tipo!)










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