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Por SIMONE SALLES    

JORNALISTA, MESTRE EM COMUNICAÇÃO PÚBLICA E POLÍTICA  


Em um tempo marcado por incertezas, relações frágeis e uma avalanche de informações que confundem mais do que esclarecem, a Semana Santa surge como um convite para redescobrir o sentido da vida à luz do amor que se doa. Não se trata apenas de recordar acontecimentos passados, mas de permitir que o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus transforme o presente, ilumine nossas escolhas e reacenda a esperança que tantas vezes parece enfraquecida.

 

A Páscoa é o coração dessa experiência. É ela que sustenta e dá sentido à esperança cristã por meio da ressurreição de Jesus Cristo. Sua vida, sua entrega na cruz e sua vitória sobre a morte revelam que o amor de Deus é maior do que qualquer dor, fracasso ou pecado. Nos dias de hoje, quando tantas pessoas enfrentam solidão, medo e sofrimento, essa mensagem é consoladora e mais,  é transformadora: ela nos assegura que nenhuma dor é definitiva, que nenhuma noite é eterna e que, mesmo nas situações mais difíceis, Deus faz nascer vida nova. A cruz não é o fim. A pedra removida do sepulcro anuncia que Deus continua a agir, mesmo quando tudo parece perdido.

 

A liturgia da Semana Santa nos conduz, passo a passo, a esse mistério. No Domingo de Ramos, contemplamos um Messias humilde, que entra em Jerusalém não com poder, mas com mansidão. Na Quinta-feira Santa, somos levados ao gesto desconcertante de um Deus que se faz servo. Como recorda o Papa Francisco, ao refletir sobre o lava-pés, esta é a noite em que Cristo nos ensina a amar concretamente, tornando-nos servidores uns dos outros. Em um mundo obcecado por status e reconhecimento, esse gesto continua sendo um desafio direto: quem está disposto a descer de seu pedestal para levantar o outro?

 

Na Sexta-feira da Paixão, o silêncio da cruz ecoa as dores da humanidade. O sofrimento de Cristo não é distante, se reflete nas injustiças atuais, na violência, nas desigualdades e nas feridas sociais que ainda sangram. Como ensinou o Papa Bento XVI, a cruz não é derrota, é o maior sinal de amor e salvação. Ela ensina que a verdadeira força não está no domínio, e sim na capacidade de amar até o fim, de perdoar e de permanecer fiel, mesmo diante da dor.

 

O Sábado Santo mergulha em um silêncio que fala ao coração do homem contemporâneo, acostumado ao ruído constante. É o tempo da espera, do recolhimento, da fé que resiste quando não há respostas imediatas. Na Vigília Pascal, a luz rompe a escuridão. A Ressurreição proclama que a vida vence a morte, que o amor supera o ódio, que a esperança é mais forte do que o desespero.

 

Essa esperança, como recorda Papa Leão XIV em sua mensagem pascal de 2026, traduz uma força viva que nos impulsiona a transformar o mundo hoje, a curar feridas, reconstruir relações e fazer nascer vida nova onde antes havia morte.

 

A Semana Santa também nos confronta. Em um tempo de superficialidade e relações frágeis, surge a pergunta: até que ponto caminhamos realmente com Cristo? Ou apenas o seguimos de longe? A traição de Judas, agora, se repete nas pequenas escolhas do cotidiano, quando preferimos a ilusão à verdade, o egoísmo à partilha, o silêncio à justiça. Vivemos conectados, com pleno acesso à informação. No entanto, continua difícil transformar esse fluxo constante em sabedoria, verdade e comunhão.


Caminhar com Jesus hoje é resistir a essa lógica. É escolher permanecer quando tudo convida a desistir. É aprender que a fé não se mede pelos momentos de entusiasmo, mas pela fidelidade nos dias difíceis. É sair da superficialidade e mergulhar na profundidade da vida, reconhecendo nossas contradições, mas sem fugir delas.

 

A Ressurreição, por sua vez, é um chamado à coerência. Somos desafiados a viver uma fé que se traduz em atitudes concretas. Não basta acreditar: é preciso testemunhar. A esperança, a justiça, a reconciliação e a paz devem se tornar visíveis na vida de cada cristão e de cada comunidade.

 

Diante de um mundo ferido por guerras, divisões e incertezas, a mensagem pascal nos convida a mudar o olhar. Como recorda o custódio da Terra Santa, a Ressurreição inverte os critérios do mundo: aquilo que parecia derrota torna-se vitória, aquilo que parecia fraqueza revela-se força. O amor que se doa é, no fim, a única realidade capaz de transformar a história.

 

Para as novas gerações, esse anúncio é ainda mais urgente. Educar é transmitir conhecimento, além de formar corações capazes de amar, servir e construir um mundo mais justo. A Páscoa nos inspira a acreditar que o bem é possível e que a vida tem sentido mesmo em meio aos desafios.

 

Celebrar a Semana Santa é muito mais do que participar de ritos. É permitir que o mistério de Cristo atravesse a vida, renove a esperança e transforme nosso modo de viver. Devemos aprender a “lavar os pés”, a “partir o pão”, a “abraçar a cruz” e a “ressurgir” todos os dias.

 

Porque, no fim, a grande verdade que ecoa dessa semana é simples e poderosa: o amor não falha, a vida não termina na dor, e sempre, mesmo após a noite mais escura, a luz volta a nascer.



 

Gabriela Matias, jornalista, redatora e assessora de imprensa, graduada pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). INSTAGRAM:  @gabrielamatiascomunica https://www.instagram.com/gabrielamatiascomunica/


A aposentadoria por invalidez, atualmente chamada de aposentadoria por incapacidade permanente, é um benefício previdenciário destinado a segurados que ficam incapacitados de forma definitiva para o trabalho e não podem ser reabilitados para outra atividade. Apesar de ser um direito importante de proteção social, muitas dúvidas surgem quando o assunto é como o INSS calcula o valor do benefício e por que, em alguns casos, o valor concedido é diferente do valor solicitado pelo segurado.

Foto: Reprodução/Agência Brasil


Essas dúvidas se tornaram ainda mais comuns após mudanças nas regras previdenciárias e pela forma como o Instituto analisa o histórico de contribuições. Entender como funciona o cálculo e quais fatores podem influenciar no resultado é fundamental para evitar surpresas e identificar possíveis erros na concessão.


Como funciona o cálculo da aposentadoria por invalidez


O cálculo da aposentadoria por incapacidade permanente segue regras previdenciárias que levam em consideração o histórico de contribuições do segurado ao INSS. Em geral, o benefício é calculado a partir da média de todos os salários de contribuição registrados desde julho de 1994.


Após essa média ser apurada, aplica-se um percentual definido pela legislação previdenciária. Em muitos casos, o valor corresponde a 60% da média das contribuições, com acréscimo de 2% para cada ano de contribuição que ultrapassar o tempo mínimo exigido.


No entanto, existe uma exceção importante: quando a incapacidade permanente decorre de acidente de trabalho, doença profissional ou doença do trabalho, o benefício pode corresponder a 100% da média das contribuições, o que aumenta significativamente o valor final recebido pelo segurado. Essas diferenças mostram que o cálculo não é automático e depende de fatores como tempo de contribuição, causa da incapacidade e histórico previdenciário.


Valor solicitado e valor concedido pelo INSS


Em fevereiro, avançou no Senado a proposta que prevê o fim da carência para concessão da licença-maternidade no INSS, ampliando a proteção às seguradas que, por diferentes razões, não conseguiram completar as 10 contribuições exigidas atualmente.


A medida busca evitar situações em que mulheres em condição de vulnerabilidade, especialmente trabalhadoras informais ou com histórico contributivo irregular, fiquem sem renda no momento do nascimento do filho. A proposta reforça o caráter social da Previdência e amplia a cobertura em um dos períodos mais sensíveis da vida familiar.


Caso aprovada em definitivo e sancionada, a mudança poderá reduzir significativamente o número de indeferimentos baseados exclusivamente na ausência de carência, garantindo maior segurança jurídica às seguradas.


Quando é possível revisar o valor da aposentadoria


Quando o segurado percebe que o valor concedido não corresponde ao que deveria receber, pode ser possível pedir revisão do benefício.


A revisão pode ocorrer quando existem contribuições que não foram consideradas, vínculos empregatícios ausentes no sistema ou erros no cálculo da média salarial. Nesses casos, o segurado pode solicitar a correção diretamente ao INSS ou, se necessário, buscar a revisão pela via judicial.


De acordo com a advogada especialista Dra. Rafaela Carvalho, do VLV Advogados, “muitos benefícios são concedidos com base em informações incompletas no sistema previdenciário. Por isso, é importante verificar o cálculo realizado pelo INSS e analisar se todos os períodos de contribuição foram corretamente considerados”.


A importância de acompanhar o histórico previdenciário


A aposentadoria por incapacidade permanente tem papel essencial na proteção de trabalhadores que não conseguem mais 

exercer suas atividades. No entanto, para que o benefício cumpra essa função, é fundamental que o cálculo seja realizado corretamente.


Manter o histórico de contribuições organizado, verificar regularmente os dados no CNIS e entender como o INSS calcula os benefícios são medidas que ajudam a evitar prejuízos financeiros.


Em muitos casos, a diferença entre o valor solicitado e o valor concedido pelo INSS não significa necessariamente que o segurado não tenha direito a um valor maior, mas sim que pode existir algum erro ou inconsistência no histórico previdenciário que precisa ser analisado com atenção.












 
  • há 21 horas

Mayrion Álvares da Silva

Estoquista

Instagram: @folhadebrumado


Circula em meu dedo

O símbolo da proibição,

Que gera preconceitos

Traça limites

E encarcera alguns direitos.

 

Argola que sufoca

O sentido de viver

E nos prende em tradições,

Consome o nosso tempo

E nos entrega às decepções.

 

Algema pequenina

Companheira dos deveres

Amante da responsabilidade,

Amiga dos bons costumes

E carrasco da liberdade.

 

Bambolê dourado

Que dignifica a união

Porém sem nenhum projeto,

O que solidifica na verdade

É o amor e não um objeto.

 

Corrente anelar

Oprimindo comportamentos

Comandando os nossos passos,

E um dos corações sangra

Por não estar no mesmo compasso.

 

Coleira que enforca

A vontade de viver

E a liberdade de expressar,

Como se já não fôssemos

Um ser que respira o mesmo ar.

 

Assim como a CARTA DE ALFORRIA

assim como o fim do "APARTHEID"

e a queda do muro de BERLIM,

Espero um dia não usarmos aliança

Para não consolidarmos o fim.



 
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