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há 36 minutos

JUNCAL


No fim do caminho havia uma pedra,

pesada, sombria, no meio do chão.

Fechava a estrada, barrava a passagem,

tentando impedir nossa direção.


Pedra de promessa, pedra de engano,

sustentada pela divisão.

Cercada de muros, coberta de entulho,

tentando prender o Brasil pela mão.


Mas nada é eterno diante do tempo

quando um povo decide avançar.

Pode haver muros, pode haver pedras,

mas ninguém consegue um povo calar.


Carlos recua, por ora, da cena,

FLÁVIO desponta, começa a crescer.

O tempo escreve os rumos da história,

e o povo saberá o que fazer.


A pedra é barrenta, pesada e bruta,

coberta de lodo, mentira e pressão.

Promessas na boca, discursos ensaiados,

usando a pobreza como proteção.


Diziam ao pobre: “Você precisa”,

ofereciam migalhas em troca de apoio.

Enquanto o Brasil perdia seus sonhos,

o povo enfrentava o peso do arrocho.


Mas veio o despertar, chegou a reação.

Quem antes baixava a cabeça

agora levanta a voz pela nação.


A estrada se abre diante dos olhos,

surge no horizonte outra direção.

É hora de abrir as portas do futuro

e devolver ao povo sua decisão.


Que venha o trabalho,

que venha o pão.

Que venha a escola,

a saúde e a educação.

Que exista segurança,

respeito e dignidade,

para que o brasileiro

recupere a liberdade.


Que o suor do trabalho

tenha novamente valor,

que a família encontre

respeito e amor.

Que cada brasileiro

possa viver sem temor

e reencontre no país

a esperança e o vigor.


Dois mil e vinte e sete

já desponta no olhar.

O tempo segue em frente,

ninguém pode o parar.

A história abre as portas,

o povo vai passar.


Que a fé ilumine

a nossa direção.

Que os bons costumes

não sejam esquecidos.

Que nossos valores

sejam sempre defendidos

e que a família permaneça

no centro da construção.


Agora é hora de limpar

a estrada e retirar o entulho.

Sem ódio, sem medo,

com coragem e orgulho.

Toda mudança começa

quando alguém decide agir.


Haverá quem reclame,

haverá quem vai chorar.

Mas quando um povo acorda

e decide caminhar,

não há muro no mundo

que o possa parar.


No fim do caminho havia uma pedra.

O povo escolheu passar.

Abriu a estrada,

levantou a cabeça

e voltou a caminhar.


Não será apenas a queda

de uma pedra qualquer.

Será a abertura

da estrada que se quer.

Será a esperança

vencendo o temor

e o Brasil retomando

seu próprio valor.


Quando o horizonte voltar a brilhar,

o Brasil poderá seguir adiante,

com coragem para reconstruir

e força para recomeçar.


Porque pedra nenhuma é eterna.

Nenhuma barreira é maior

que a vontade de um povo

que decidiu mudar.


E o Brasil seguirá.



 
há 5 horas

RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE


     Sempre que se aproxima eleições eu lembro desse causo. A carreata do candidato a governador do Maranhão chegou à Chapadinha − Princesa do Baixo Parnaíba ─, na chapada maranhense, por volta das 11hs de um sábado de muito calor. Surgiu pela BR-222 ─ debaixo de muitos foguetes ─ passou pela Avenida José Caetano, circulou pelas principais ruas da cidade e estacionou na praça, em frente à Matriz da Padroeira, Nossa Senhora das Dores, onde se encontrava armado o palanque para o grande showmício.    Eu e os demais jogadores da Escola Técnica Federal do Maranhão estávamos hospedados numa pousada próxima para disputarmos uma partida amistosa contra o time local como parte dos festejos da Santa. Partida amistosa era mera conotação porque, no interior do Maranhão, jogo de futebol entre time da casa e time de fora era sempre uma batalha de final de campeonato. Sabíamos muito bem disso e estávamos preparados. O jogo foi uma guerra, mas vencemos por 3X2 (para variar, os dois gols do time local foram de pênaltis. Marquei duas vezes pelo nosso time. Naquele ano – modéstia parte − fui considerado o melhor jogador do Festival Esportivo da Juventude de São Luís. Diploma que até hoje guardo comigo).  

Lembro que, além da beleza da mulherada de Chapadinha, duas coisas chamaram minha atenção naquela cidade. A primeira foi a ausência de pessoas pretas. Apesar de ter sido território dos índios Anapurus no século XVIII, por lá, só vi brancos. Talvez por isso os três colegas negros da nossa equipe constituíram-se nas principais atrações por onde passávamos, principalmente para as garotas do lugar. Eles, literalmente, deitaram e rolaram. Mas ainda sobrou mulher! A segunda foi uma figura esquisita denominada Dentão, que fazia favores na pousada em troca de um prato de comida. Dentão fazia jus ao apelido. Só tinha um grande dente na frente, do qual ele muito se orgulhava. Exibia-se destampando garrafas, descascando cana, coco, roendo tudo com o seu único e destacado dente.  Dentão, apesar de retardado mental, sempre carente de banho, era pau para toda obra na pousada. Varria, lavava, carregava, engraxava, encerava, limpava e ainda ajudava na cozinha, descascando frutas e verduras. Sempre rindo e ostentando seu dentão como se fosse um troféu.


O showmício foi um sucesso. Muita gente aplaudindo. Com destaque para os baiões de João do Vale e o discurso do candidato a governador, que só não prometeu lugar no céu porque  ainda não havia milagreiros missionários para acompanhá-lo e garantir as posses.


O almoço oferecido pelas autoridades local à comitiva do candidato a governador, cerca de trinta pessoas entre homens e mulheres, foi na pousada onde estávamos. Um verdadeiro banquete.  Abundância e diversidade de comida e bebida, com destaque para um doce de goiaba à moda da casa, muito propalado pelo prefeito local. Dentão, que fora orientado a ficar do lado de fora da pousada, limitou-se a espiar por uma janela, comprimindo-se a outros curiosos. Acabado o mega  almoço, o candidato a governador levantou-se, elogiou a acolhida, agradeceu a comida e, levantando a tigela de doce já vazia como se fosse um troféu, exaltou em voz alta a bendita sobremesa servida pela dona da pousada:


─ Dona Glória, essa sua goiabada é realmente uma maravilha! Um verdadeiro gol de placa!!


Os integrantes da comitiva, muitos ainda com as bocas cheias de doce, concordavam com a exaltação do candidato, mostrando seus polegares em riste, quando se ouviu a voz pastosa de Dentão, enfiando sua cara suja na janela afastando os demais:


─ O gol pode ter sido dela, mas o passe foi meu!!!


─ Como assim? – quis saber a candidata a primeira dama, com cara de mau pressentimento.


Dentão, com expressão triunfal pela sua participação naquele grande feito, respondeu:


─ Ela fez o doce, mas fui eu que descasquei as goiabas! E, exibindo seu dentão degradante, com este aqui! Uma grosa de goiaba, e ele conseguiu!!! E continuou com seu imundo dentão à mostra – Ah! Ah! Ah! Ah!...  − enquanto a pleiteante à primeira dama e outros tapavam o vômito com a mão, correndo em direção ao sanitário.



 
há 1 dia

“E nos últimos dias acontecerá, diz o Senhor, que do meu Espírito derramarei sobre toda carne; os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, vossos mancebos terão visões e os vossos velhos sonharão sonhos.” — (ATOS, capítulo 2, versículo 17.)

 

No dia de Pentecostes, Jerusalém estava repleta de forasteiros. Filhos da Mesopotâmía, da Frígia, da Líbia, do Egito, cretenses, árabes, partos e romanos se aglomeravam na praça extensa, quando os discípulos humildes do Nazareno anunciaram a Boa Nova, atendendo a cada grupo da multidão em seu idioma particular.

 

Uma onda de surpresa e de alegria invadiu o espírito geral.

 

Não faltaram os cépticos, no divino concerto, atribuindo à loucura e à embriaguez a revelação observada. Simão Pedro destaca-se e esclarece que se trata da luz prometida pelos céus à escuridão da carne.

 

Desde esse dia, as claridades do Pentecostes jorraram sobre o mundo, incessantemente.

 

Até aí, os discípulos eram frágeis e indecisos, mas, dessa hora em diante, quebram as influências do meio, curam os doentes, levantam o espírito dos infortunados, falam aos reis da Terra em nome do Senhor.

 

O poder de Jesus se lhes comunicara às energias reduzidas.

 

Estabelecera-se a era da mediunidade, alicerce de todas as realizações do Cristianismo, através dos séculos.


Contra o seu influxo, trabalham, até hoje, os prejuízos morais que avassalam os caminhos do homem, mas é sobre a mediunidade, gloriosa luz dos céus oferecida às criaturas, no Pentecostes, que se edificam as construções espirituais de todas as comunidades sinceras da Doutrina do Cristo e é ainda ela que, dilatada dos apóstolos ao círculo de todos os homens, ressurge no Espiritismo cristão, como a alma imortal do Cristianismo redivivo.


DO LIVRO: CAMINHO, VERDADE E VIDA



 
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