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Verônica de Oxosse Íyálorixá no Ilê Igba Òmó Aro Omin

Professora e Ativista do Movimento Mulheres Negras e luta contra a Intolerância Religiosa! Componho o Coletivo de Mulheres “Curicas Empoderadas”, atuante na área de palestras sobre autoestima e Empoderamento feminino



Eu sou Verônica Moura, sacerdotisa do Candomblé Brasil, e hoje quero falar sobre uma questão muito importante: quando existe um desequilíbrio com o Egbe, por que nem sempre o caminho é começar imediatamente pelo Bori?

 

Dentro da tradição do Candomblé, entendemos que existem diferentes dimensões que precisam ser cuidadas na vida espiritual de uma pessoa. O Bori está diretamente relacionado ao cuidado com o Ori, a nossa cabeça, aquilo que sustenta nosso equilíbrio, nossas escolhas, nosso caminho e a nossa força interior.

 

Já o Egbe está relacionado à nossa família espiritual do Orun, aos companheiros de alma que fazem parte da nossa existência antes mesmo da nossa caminhada no Aiyê.

 

Por isso, quando uma pessoa apresenta sinais de conflito, cobrança ou desequilíbrio relacionados ao seu Egbe, é preciso olhar para essa questão antes de simplesmente realizar um Bori.

 

E por quê?

 

Porque o Bori é um ritual de fortalecimento e cuidado do Ori. Ele trabalha diretamente sobre a cabeça e pode intensificar e organizar o fluxo de Axé que chega até ela. Se existe uma questão espiritual que ainda precisa ser apaziguada, não devemos ignorá-la.

 

É como cuidar de uma casa: antes de colocar algo novo dentro dela, precisamos olhar aquilo que já está acontecendo ali.

 

Quando o Egbe está pedindo atenção, o caminho pode ser primeiro compreender essa cobrança, identificar o que está sendo solicitado e realizar os cuidados indicados pela tradição, conforme aquilo que o jogo de búzios revelar.

 

Isso não significa que o Bori seja ruim ou que nunca possa ser realizado. Pelo contrário. O Bori é um importante cuidado com o Ori. Mas cada pessoa tem uma necessidade e um caminho espiritual próprios.

 

Por isso, não existe receita pronta.

 

O jogo de búzios é quem deve orientar a ordem dos cuidados.

 

Em determinadas situações, primeiro será necessário cuidar do Egbe, apaziguar, oferecer o que for indicado e restabelecer esse equilíbrio. Depois, estando o caminho organizado e havendo indicação, o Bori poderá ser realizado como um cuidado profundo com o Ori.

 

Espiritualidade também é saber respeitar o tempo, a ordem e o fundamento.

 

Não é fazer mais. É fazer o que precisa ser feito, no momento certo e da maneira correta.

 

Quando cuidamos do Egbe sem esquecer do Ori, e cuidamos do Ori sem ignorar aquilo que o Egbe está apontando, começamos a compreender que o equilíbrio espiritual não acontece pela pressa, mas pelo respeito aos fundamentos

 

Porque, no Candomblé, cada cabeça tem seu caminho, cada pessoa tem sua história e cada cuidado precisa ser revelado pelo seu próprio destino.

 

Que o seu Ori encontre equilíbrio, que o seu caminho seja apaziguado e que o Axé conduza cada cuidado no seu devido tempo.

 

Verônica Moura

Sacerdotisa, Oraculista e Guardiã dos Saberes Ancestrais



 

Por: ROBÉRICO SILVA DE OLIVEIRA

Psicanalista Clínico | Pós-graduado em Psicologia Clínica


O câncer de mama representa um importante desafio de saúde pública, exigindo prevenção, diagnóstico oportuno, tratamento especializado e atenção integral à saúde da mulher. Entretanto, receber esse diagnóstico não provoca apenas repercussões físicas: pode desencadear uma intensa experiência emocional, marcada por medo, ansiedade, tristeza, insegurança e incertezas quanto ao futuro.


O impacto psicológico do diagnóstico


A confirmação da doença pode ser vivenciada como uma ruptura na rotina e nos projetos de vida. Nas primeiras horas ou nos primeiros dias, algumas mulheres apresentam choque emocional, dificuldade de concentração, pensamentos recorrentes sobre a morte e receio de perder a autonomia, a feminilidade ou a própria identidade. Outras demonstram aparente tranquilidade, mas experimentam sofrimento internamente.


Essas reações variam de pessoa para pessoa e não devem ser interpretadas como fraqueza emocional. São respostas possíveis diante de uma situação ameaçadora e de grande significado pessoal. O sofrimento, contudo, merece atenção quando se torna persistente ou compromete o sono, a alimentação, os relacionamentos e a capacidade de enfrentar o tratamento.


Acolhimento, adaptação e saúde emocional


O enfrentamento começa pelo acesso a informações claras, fornecidas pela equipe médica, evitando conclusões precipitadas sobre o prognóstico. O câncer de mama apresenta diferentes tipos e estágios, com possibilidades terapêuticas específicas; portanto, o diagnóstico não deve ser automaticamente associado à ausência de cura. 


O apoio psicológico pode ajudar a paciente a reconhecer e elaborar emoções, desenvolver estratégias de enfrentamento e recuperar gradualmente a sensação de controle sobre a própria vida. A psico-oncologia, área dedicada aos aspectos psicológicos relacionados ao câncer, oferece recursos para lidar com a ansiedade, o medo, as mudanças corporais e as dificuldades de adaptação.


A participação de familiares e pessoas de confiança também é fundamental. Mais do que oferecer conselhos ou exigir otimismo, é necessário escutar sem julgamentos, respeitar o tempo emocional da paciente e colaborar com as necessidades práticas do cotidiano. Grupos de apoio podem complementar esse cuidado, favorecendo a troca de experiências e a redução do sentimento de isolamento.


Cuidar da mente também faz parte do tratamento


Práticas de respiração lenta, relaxamento e atenção plena podem auxiliar no manejo do estresse, desde que respeitadas as condições individuais. Quando houver sofrimento emocional intenso, persistente ou incapacitante, é importante procurar acompanhamento psicológico e avaliação médica, inclusive para investigar sintomas de ansiedade ou depressão.


Enfrentar o câncer de mama não significa deixar de sentir medo, mas encontrar apoio para atravessar esse medo com informação, cuidado e dignidade. A assistência integral deve reconhecer a mulher em suas dimensões física, emocional, social e, quando desejado, espiritual. O acolhimento não substitui o tratamento oncológico: ele o complementa, fortalecendo os recursos necessários para enfrentar cada etapa dessa jornada.


Referências:


Instituto Nacional de Câncer (INCA);

Ministério da Saúde;

Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA).



 

Por: Robérico Silva de Oliveira

Teólogo, Gestor em Teologia, Psicanalista Clínico, Pós-Graduado em Psicologia Clínica, Pós-Graduado em Ciências Políticas, Bacharel em Administração, Radialista Profissional RPR 3204/BA, Jornalista MTE 45005/RJ.

 

O Outubro Rosa surgiu nos Estados Unidos na década de 1990 orientando as mulheres sobre a importância da detectação precoce, o acesso aos exames preventivos e o tratamento adequado para evitar-se o câncer de mama.


O símbolo/emblema da campanha outubro rosa um laço de fita-cor-de-rosa foi introdizudo na primeira corrida pela cura em 1990 na cidade de Nova York, pela Fundação Susan G. Komen For the Cure. Nesse evento, todos os atletas/velocista, receberam laços cor-de-rosa para utilizarem durante a corrida. Posteriormente esses laços foram distribuidos em locais públicos, desfiles de modas em eventos diversos, alcançando parte do mundo, a exemplo do Brasil que abraçou essa campanha com profundo carinho e responsabilidade.


No Brasil, esses movimentos são concentrados e potencializados no dia nacional de prevenção ao câncer de mama em 25 de outubro de cada ano, sob a coordenação geral da FNAS – Fundação Nacional de Assistência Social.


Pasmem! Mas, no Brasil, a previsão do triênio 2024 – 2026, o índice de mulheres afetadas será de aproximadamente 235.830 novos casos. 42,50 por 100 mil mulheres (conforme a publicação oficial do INCA para as estimativas mais recentes), sendo que a taxa de risco bruto ou estimado é de 71,57 por 100 mil mulheres.


A MULHER PODE REALIZAR O AUTO EXAME FRENTE AO ESPELHO

Auto-análise frenre ao espelho - Com os braços ao lado do corpo, observe/analise as mamas quanto ao tamanho, forma e cor. Repita o processo com os braços levantados.


Em pé, palpe os seios - Com a mão direita, palpe a mama esquerda com movimentos circulares, cobrindo toda a mama e a axila. Repita o processo com a mão esquerda na mama direita.


A mulher também pode fazer isso se deitando de costas com um travesseiro sobre o ombro direito e a mão direita atrás da cabeça. Com a mão esquerda, apalpando a mama direita com movimentos circulares. Repita o processo com a mão direita na mama esquerda sempre observando/sentindo o tamanho da mama, possível caroço e dor.


A mamografia é o exame indicando como medida de prevenção - por ser um exame de diagnóstico por imagem que utiliza raios-X para detectar alterações nas mamas, como nódulos ou microcalcificações - indicativos de câncer de mama. É um exame simples, rápido e indolor, que pode ser realizado em mulheres a partir dos 40 anos de idade, ou antes, em casos de histórico familiar da doença ou outras condições de risco. Pense nisso.


Por que fazer a mamografia? Por ser o único método comprovado para reduzir as mortes por câncer de mama, fazendo a detecção precoce. O exame de mamografia salva vidas e é uma das medidas mais fáceis que as mulheres podem tomar para detectar um possível câncer de mama precocemente.


A partir dos 40 anos de idade a melhor precisa fazer exames preventivos


É recomendo que as mulheres realizem o exame de mamografia anualmente a partir dos 40 anos de idade, ou antes, em casos de histórico familiar da doença ou outras condições de risco. Jamais esquecendo a cultura da saúde da mulher anualmente fazendo os exames: Papa Nicolau (para rastreio do câncer de color do útero e a mamografia para o câncer de mama), exames de sangue para saber o estado de colesterol, glucose, hormônios de tireoide, pressão arterial (para saúde cardiovascular, ultrassonografia pélvica/desintometria óssea). 


Emoções, sentimentos terríveis ao receber o diagnóstico de câncer de mama - esse momento causa na mulher sensações de desespero, medo e incerteza quanto ao futuro. É um momento difícil e desafiador para muitas mulheres. As emoções mais comuns associadas ao câncer de mama incluem ansiedade, tristeza, desespero, susto e estado de choque. É normal não saber o que fazer assim que se recebe a notícia. Afinal, o diagnóstico do câncer de mama afeta não apenas o corpo, mas também a mente e as emoções. Por isso, é importante não estar sozinha nesse momento. Buscar apoio em familiares e pessoas de confiança é o primeiro passo para conseguir lidar com a doença.


Estratégias de enfrentamento do câncer de mama - Além do tratamento médico, é importante que as pacientes recebam apoio emocional adequado. O que pode incluir:


Grupos de apoio - Esses grupos reúnem mulheres que estão passando pela mesma situação e oferecem um espaço seguro para compartilhar experiências, emoções e informações.


Apoio psicológico individual – a busca por um profissional da saúde emocional/mental ajudará a passar pelos transtornos, dificuldades, pensamentos intrusivos devido o processo de autoconhecimento, autoaceitação e autorregulação. Isto fará a mulher lidar melhor com as emoções, pensamentos e sentimentos negativos.


Suporte social e familiar – a união da família nesse momento fará toda a diferença, pois, só quem viveu o desprazer de receber um diagnóstivo de uma doença que humanamente pode não haver cura, sabe que a sensação é inesplicável. O apoio de amigos e familiares pode ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade, melhorar o humor e a qualidade de vida, dando coragem a mulher de que vale apena lutar, pois encontrará razões para isso ao perceber que és importante para muitas pessoas. Pense nisso e, familiares e amigos, ajudem a paciente a lidar com as tarefas diárias, como cuidar da casa e dos filhos, e ofereçam companhia e conforto emocional.


Cuidar da saúde mental é essencial – Mantenha um estado de espírito positivo pondo em prática as seguintes dicas:

Meditação, Yoga, respiração profunda (respiração diafragmática/abdominal).


Como praticar a respiração profunda/diafragmática/abdominal:

Puxe o ar pelo nariz, de forma lenta e PROFUNDA, como também o estômago/murchando a barriga (conte mentalmente e lentamente, de 1 a 5. Expire (soltando o ar pela boca lentemente como também a barriga/diafragma); faça um biquinho com a boca, pois isso diminui o atrito do dente e da língua para a saída do ar e faz com que a RESPIRAÇÃO seja mais harmônica e eficaz, liberando endorfinas e serotonina acalmando a mente e o corpo. Quanto mais tempo você levar soltando o ar pela boca e o diafragma/abdome, melhor será o resultado culminando com a diminuição do estresse, da ansiedade, medo, desesperança, gerando sensação de paz, alegria e certeza de vitória.


Obs.: faça pausa de 5’ segundos e repita por cinco vezes esse processo sempre com um intervalo de cinco segundos de um exercício para o outro.

 

Referências:

INCA – Instituto Nacional do Câncer

Revista brasileira de cancerologia

Ministério da Saúde



 
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