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Por: VANÚBIA SANTOS

Administradora/Coach. Especialista em Desenvolvimento Humano Organizacional. Administradora da CC&DHO. 


Religião, fé, crença e respeito.


Há algo que me entristece profundamente na humanidade: a nossa dificuldade em aceitar que o outro pode acreditar em algo diferente de nós.

Queremos ter razão.

Queremos convencer.

Queremos provar que a nossa religião é a certa, que a nossa fé é a verdadeira, que o nosso caminho é o melhor.

E, muitas vezes, nessa necessidade de estar certos, esquecemos algo muito mais importante: do outro lado também existe um ser humano.

Uma pessoa com uma história.

Com dores que não conhecemos. Com experiências que nunca vivemos.

Com perguntas que talvez sejam diferentes das nossas.

Com uma maneira própria de enxergar o mundo.

E, principalmente, com o mesmo direito que nós temos de buscar respostas para os grandes mistérios da vida.

Mas quem somos nós para afirmar que conhecemos toda a verdade?


Somos seres humanos.

Imperfeitos.

Erramos.

Nos enganamos.

Mudamos de opinião.

Interpretamos as coisas de maneiras diferentes.

Às vezes acertamos.

Muitas vezes aprendemos depois de errar.

Então, por que tanta certeza de que somente nós estamos certos? 

Ter fé não deveria nos tornar arrogantes.

Deveria nos tornar humildes.

Porque acreditar profundamente em alguma coisa não significa que precisamos destruir aquilo em que o outro acredita.

Eu posso amar a minha religião e respeitar a sua.

Posso seguir o meu caminho sem impedir que você siga o seu.

Posso discordar de você sem te odiar.

Posso ter convicções sem transformar minhas convicções em armas.

E talvez seja isso que esteja faltando ao mundo:

menos julgamento e mais compreensão. 

Nós julgamos pessoas sem conhecer suas histórias.

Condenamos sem saber suas dores.

Apontamos seus erros e esquecemos dos nossos.

Somos rápidos para exigir que os outros sejam melhores, mas muitas vezes somos lentos para reconhecer aquilo que precisamos melhorar em nós mesmos.

E então eu me pergunto:

E se, antes de julgar, nós escutássemos?

E se, antes de condenar, tentássemos compreender?

E se, antes de responder com raiva, escolhêssemos respirar?

E se, diante de uma diferença, em vez de perguntar:

“Quem está certo?”

perguntássemos:

“Como podemos continuar nos respeitando mesmo pensando diferente?”

Talvez muitas brigas terminassem antes mesmo de começar.

Talvez muitas famílias permanecessem unidas.

Talvez amizades não fossem destruídas por opiniões diferentes.

Talvez pessoas não fossem perseguidas simplesmente porque acreditam de outra maneira.

Porque uma coisa é discordar.

Outra coisa é desrespeitar.

Uma coisa é ter fé.

Outra coisa é achar que somos donos da verdade.

Uma coisa é defender aquilo em que acreditamos.

Outra, completamente diferente, é acreditar que temos o direito de humilhar quem acredita diferente.


E o amor?

Se a nossa fé fala de amor, por que não conseguimos amar quem pensa diferente?

Se fala de compaixão, por que somos tão rápidos em condenar?

Se fala de perdão, por que guardamos tanta mágoa?

Se fala de paz, por que transformamos diferenças em guerras?

Talvez a verdadeira espiritualidade não esteja apenas naquilo que dizemos acreditar.

Talvez ela esteja naquilo que fazemos com aquilo em que acreditamos.

Porque é muito fácil falar sobre amor.

Difícil é amar quando somos contrariados.

É fácil falar sobre perdão.

Difícil é perdoar quem nos feriu.

É fácil falar sobre respeito.

Difícil é respeitar alguém cuja opinião nos incomoda.

É fácil dizer que somos pessoas de fé.

Difícil é manter a humanidade quando o outro não pensa como nós.


Talvez precisemos julgar menos e amar mais.

Não precisamos concordar com todos.

Não precisamos abandonar nossas crenças.

Não precisamos pensar da mesma maneira.

Mas precisamos aprender a conviver.

Precisamos entender que diferença não é ameaça.

Que o outro não precisa ser igual a nós para merecer respeito.

Não precisa acreditar como nós para merecer dignidade.

Não precisa seguir o nosso caminho para merecer humanidade.

Cada pessoa está atravessando a vida com suas próprias batalhas.

Algumas estão sorrindo enquanto escondem dores enormes.

Algumas estão tentando reconstruir aquilo que nós nem sabemos que foi quebrado.

Algumas estão procurando respostas.

Outras estão tentando simplesmente sobreviver.

Por isso, antes de julgar alguém, lembre-se:

você não conhece toda a história daquela pessoa.

E antes de tentar ensinar alguém a viver, talvez seja melhor perguntar se já aprendemos a viver aquilo que ensinamos.

No final, somos todos passageiros desta mesma existência.

Nascemos.

Amamos.

Sofremos.

Perdemos.

Erramos.

Aprendemos.

E um dia partiremos. Então, para que gastar uma vida inteira odiando por causa das nossas diferenças?

Por que transformar crenças em muros, quando elas poderiam construir pontes?

Por que escolher o julgamento quando podemos escolher a compreensão?

Por que escolher o ódio quando podemos escolher o amor?

Talvez não sejamos capazes de descobrir todas as respostas sobre Deus, sobre a vida e sobre o que existe depois dela.

Mas podemos escolher como tratar as pessoas enquanto estamos aqui.

E essa escolha diz muito sobre quem somos.

Que a nossa fé nos ensine a ter humildade.

Que nossas crenças nos ensinem a respeitar.

Que nossas diferenças nos ensinem a compreender.

Que nossos erros nos ensinem a perdoar.

E que o amor seja maior do que a nossa necessidade de ter razão.

Porque, no fim...

talvez Deus não esteja preocupado apenas com aquilo que dizemos acreditar.

Talvez também importe aquilo que fazemos com o amor que recebemos. 

Então, antes de julgar alguém...

pare.

Olhe para aquela pessoa.

Lembre-se de que ela também tem uma história.

Também sente.

Também sofre.

Também erra.

Também ama.

E, assim como você...

também está tentando encontrar o seu caminho. 

Julgue menos.

Escute mais.

Compreenda mais.

Perdoe mais.

E, acima de tudo...


AME MAIS.

Porque o mundo não precisa de mais pessoas tentando provar que estão certas.

O mundo precisa de mais pessoas dispostas a fazer o bem.



 

RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE


       Para qualquer viajante ficam as lembranças, boas e más, de suas partidas e chegadas.       O escritor português Fernando Pessoa relata, com propriedade, o  sentimento de suas boas viagens no texto “Passagens das Horas”.


       O escritor compara o seu coração com um cofre que não se pode fechar de tão cheio de lembranças de suas viagens marítimas: dos portos  onde esteve, das paisagens observadas pelas janelas ou vigias e  dos sonhos nos tombadilhos das embarcações que o conduziam.


       Como todo aventureiro que se preza, Fernando  Pessoa, apesar do coração transbordando de boas lembranças das suas aventuras marítimas, ainda queria  muito mais ao dizer que tudo aquilo era pouco para o que ele almeja, ou seja,  ir mais além.


        Viajar para longe é desbravar, conhecer, aprender, deslumbrar... é  sempre muito excitante iniciar uma viagem, principalmente quando se sabe, mas não se conhece o destino dela − onde  se vai pisar pela primeira vez, conhecer pessoas diferentes,  coisas interessantes,  outros costumes...


        No seu texto ”Passagens das Horas”, Fernando Pessoa  revive com entusiasmo as lembranças desses  fenômenos que envolvem  a ânsia de qualquer gira-mundo.  Afinal,  explorar  o mar sempre foi um grande desafio cultivado pelos portugueses  desde o século XV, início das Grandes Navegações – a Esquadra de Pedro Álvares Cabral é uma constatação disso. 


        Portanto, é plenamente compreensível   o deslumbramento do  lusitano por suas viagens  marítimas... mas, nem sempre “o mar tá pra peixe”!


        Numa dessas, Dom Sebastião, rei de Portugal, em  4 de agosto de 1578, comandando uma expedição marítima para conquistar, desta feita, Alcácer Quibri, norte da África, morreu provavielmente no mar. Nos portos de Portugal, aguardando a sua volta vitoriosa, o povo ficou “a ver navios” que passavam, esperando por quem jamais chegaria. Portanto a expressão idiomática − “A VER NAVIOS” −, significa ter uma expectativa frustrada, uma sensação de perda ou decepção... coisa de português.

 


(Fernando Antônio Nogueira Pessoa foi um escritor, dramaturgo, tradutor, inventor, astrólogo... português, nascido em 13 de junho de 1888 – dia de Santo Antônio −, e falecido em 30 de novembro de 1935, em Lisboa - PORTUGAL).


(Assim como Fernando Pessoa, estou iniciando uma excitante viajem para o Maranhão, no meu caso, rever os meus).


Aos leitores deste jornal, até!...



 

Verônica de Oxosse Íyálorixá no Ilê Igba Òmó Aro Omin

Professora e Ativista do Movimento Mulheres Negras e luta contra a Intolerância Religiosa! Componho o Coletivo de Mulheres “Curicas Empoderadas”, atuante na área de palestras sobre autoestima e Empoderamento feminino


Tem semana que chega diferente.

 

Chega trazendo sorriso, doce, brincadeira, gargalhada e aquela energia que parece colorir até os dias mais cinzentos.

 

É a semana das crianças!

 

No calendário religioso e cultural brasileiro, setembro guarda um momento muito especial para celebrar Ibéjì, São Cosme e São Damião, os Erês, a Ibejada da Umbanda e tantas manifestações de fé e carinho dedicadas às crianças.

 

E quando falamos de crianças no universo das religiões de matriz africana, estamos falando de muita coisa bonita: alegria, continuidade, cuidado, renovação e a capacidade de olhar para a vida com encantamento.

 

🌿 Quem são os Ibéjì?

 

Na tradição yorùbá, Ibéjì está relacionado aos gêmeos sagrados.

 

O nascimento de gêmeos possui um significado especial dentro dessa tradição, e Ibéjì carrega simbolismos ligados à vida, à alegria, à continuidade e à proteção.

 

No Brasil, ao longo de nossa história, diferentes tradições religiosas passaram a estabelecer aproximações entre referências africanas, indígenas, católicas e outras expressões de fé.

 

É nesse território de encontros, ressignificações e resistência que surgem muitas das formas brasileiras de celebrar as crianças.

 

Por isso, não precisamos dizer que uma tradição simplesmente “virou” outra.

 

Ibéjì é Ibéjì. São Cosme e São Damião são São Cosme e São Damião.

 

Mas, no Brasil, essas tradições encontraram caminhos de diálogo e criaram formas muito particulares de celebrar a infância, a caridade e a alegria.

 

🍭 E quando a Ibejada chega?

 

Na Umbanda, a Ibejada traz aquela energia que parece virar a casa de cabeça para baixo — no melhor sentido possível!

 

Tem brincadeira, tem gargalhada, tem doce, tem festa, tem conversa simples e tem uma sabedoria que muitas vezes chega justamente pela simplicidade.

 

É a famosa patota de Cosme!

 

Aquela turma que chega fazendo festa, pedindo doce, distribuindo alegria e lembrando aos adultos uma coisa que a vida, às vezes, faz a gente esquecer:

 

a felicidade também pode ser simples.

 

No Candomblé, falamos também dos Erês, dentro dos fundamentos próprios de cada tradição e de cada terreiro. Não é preciso colocar tudo no mesmo lugar para reconhecer a beleza de cada manifestação.

 

Cada caminho tem seu fundamento.

 

Cada casa tem sua tradição.

 

E o respeito começa justamente quando aprendemos a reconhecer essas diferenças.

 

🌈 O que as crianças nos ensinam?

 

Talvez uma das maiores lições dessa época seja lembrar que crescer não deveria significar abandonar a capacidade de brincar, imaginar, acreditar e se encantar.

 

A criança pergunta.

 

A criança experimenta.

 

A criança cai e, muitas vezes, levanta para tentar outra vez.

 

A criança encontra alegria em coisas que o adulto já deixou de perceber.

 

Talvez por isso a energia das crianças seja tão querida.

 

Porque ela nos lembra que a vida não precisa ser levada apenas com peso.

 

Também precisamos de leveza.

 

Também precisamos rir.

 

Também precisamos repartir.

 

Também precisamos adoçar o caminho de alguém.

 

🍬 Uma simpatia para adoçar a vida

 

E já que estamos falando de doces, que tal transformar essa tradição em um gesto de carinho?

 

Separe alguns doces de sua preferência e, antes de oferecê-los, faça uma oração pedindo que a alegria, a generosidade e a doçura estejam presentes em sua vida.

 

Depois, compartilhe os doces com uma criança, uma família ou alguém que esteja precisando de um pouco de carinho.

 

Não precisa ser grande.

 

Não precisa ser caro.

 

O que importa é a intenção de repartir.

 

E faça isso com respeito à sua fé e aos fundamentos da sua tradição.

 

Porque doce também pode ser gesto de amor.

 

E caridade também pode começar com uma pequena atitude.

 

🌸 Salve as crianças!

 

Salve Ibéjì!

 

Salve os Erês!

 

Salve a Ibejada!

 

Salve São Cosme e São Damião!

 

Salve todas as crianças do Astral, em suas diferentes manifestações e dentro do respeito a cada tradição!

 

Que nunca nos falte a capacidade de sorrir.

 

Que nunca nos falte coragem para recomeçar.

 

Que nunca nos falte generosidade para repartir.

 

E que a criança que ainda existe dentro de cada um de nós encontre espaço para brincar, sonhar e acreditar novamente.

 

Porque talvez seja essa uma das maiores magias das crianças:

 

elas nos ensinam que a vida pode ser séria sem deixar de ser alegre.

 

E quando setembro chega trazendo essa festa de cores, doces e sorrisos, eu só consigo dizer:

 

🍬 Salve a patota de Cosme!

 

🌸 Que a alegria das crianças faça morada em nossos caminhos!

 

Verônica Moura

Sacerdotisa • Oraculista • Guardiã dos Saberes Ancestrais

📲 21 96418-1321



 
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