- há 3 horas

Ouço sempre este questionamento, ele é um desabafo, é a angústia falando, uma desaprovação à atual situação do planeta. Guerras e atrocidades, corrupção e roubalheira, falta de comprometimento moral quase que generalizada, a educação sendo maltratada, a violência desenfreada, tanto a física quanto a psicológica. Parece até que o mundo enlouqueceu.
Que mundo é esse?
As pessoas querem a justiça com entendimento particular, interessada, obscura. Temos o político de estimação, quase uma entidade sagrada, ou um clube de futebol. Para nós, tudo e para eles, nada! O nosso senso de justiça está contaminado pelos nossos interesses individuais.
Que mundo é esse?
Onde terceirizamos a responsabilidade. A educação dos filhos é da escola, se meu filho pegar o brinquedo do coleguinha e não devolver a culpa é da professora. O que aconteceu com os pais? Cadê os ensinamentos vindos de casa? O que estamos ensinando as crianças através dos nossos exemplos?
Que mundo é esse?
Achamos a cidade feia por ter mendigos, moradores de rua. Vivemos transferindo-os de cidade para cidade e achamos normal. Jesus nos pediu “Sedes caridosos”, mas damos uma esmola para não sermos importunado.
Que mundo é esse?
Que passamos a vida buscando o ter, o poder e esquecemos que a passagem é logo ali, não vamos levar nada de material. Até quando iremos por este caminho?
Que mundo... é hora de pensar e a agir, que mundo queremos verdadeiramente? O meu? O seu? Ou o nosso?
Só existe um jeito de melhorar o planeta, é melhorar os indivíduos moralmente. A nossa responsabilidade é sermos pessoas e exemplos melhores.
Que assim seja!






- há 5 horas

Mayrion Álvares da Silva
Estoquista
Instagram: @folhadebrumado
Primeiro,
Entrei pela janela dos teus olhos,
Em seguida,
Abri as portas do teu coração.
E sendo assim,
Não demorei a invadir
A privacidade da tua boca.
Hoje, minhas mãos,
Percorrem as curvas do teu corpo
E sempre alcança o objetivo
Que é a mais louca sensação
De um prazer sem fim.
Tua boca?
Embebeda-me de desejos
Tuas fantasias?
Deixa-me de cara com o surreal.
Hoje, só estamos juntos
Porque somos iguais
Na arte de amar!







- há 2 dias

Verônica de Oxosse Íyálorixá no Ilê Igba Òmó Aro Omin
Professora e Ativista do Movimento Mulheres Negras e luta contra a Intolerância Religiosa! Componho o Coletivo de Mulheres “Curicas Empoderadas”, atuante na área de palestras sobre autoestima e Empoderamento feminino
O TEMPO E O SEGREDO DAS FOLHAS
Nas semanas anteriores, caminhamos por Ewá e Oxumarê, conhecendo os mistérios da transformação, e depois encontramos Nanã e Obaluaiê, que nos ensinaram sobre ancestralidade, tempo, passagem e renovação.
Hoje, nossa caminhada pela Família Ungí nos leva para dentro da floresta.
Para falar de Iroko e Ossanhe é preciso, antes de tudo, olhar para a natureza com outros olhos.
Porque, para o Candomblé, a natureza não é apenas cenário.
Ela é conhecimento, memória e presença do sagrado.
🌳 IROKO
Iroko está profundamente ligado à árvore sagrada e ao tempo.
No Brasil, seu culto está associado especialmente à gameleira-branca, uma árvore que ocupa lugar de grande importância em muitos terreiros tradicionais. Suas raízes nos lembram a ancestralidade; seus galhos, que alcançam o céu, nos fazem pensar na ligação entre o Ayê e o Orun. (IPHAN)
Iroko nos ensina que uma árvore não tem pressa.
Ela cresce devagar, cria raízes profundas e atravessa gerações.
E talvez essa seja uma das maiores lições que podemos aprender com ele:
há coisas que só o tempo consegue ensinar.
🌿 OSSANHE
Ossanhe é o senhor dos segredos das folhas.
É aquele que conhece a força das ervas, seus usos e seus mistérios. No Candomblé, as folhas possuem papel fundamental nos cuidados e nos rituais, e a tradição reconhece em Ossanhe o domínio sobre esse conhecimento. (Repositório UFMG)
Existe um ensinamento muito conhecido:
Kó sí ewé, kó sí òrìṣà.
Sem folha, não há orixá.
Mas existe algo ainda mais profundo nessa frase.
Não basta ter a folha.
É preciso conhecer.
É preciso saber pedir licença, saber colher, saber preparar e, principalmente, respeitar aquilo que a natureza oferece.
Ossanhe nos ensina que conhecimento também é fundamento.
🌳🌿 IROKO E OSSANHE

Um guarda o tempo.
O outro guarda o segredo das folhas.
Um nos ensina a criar raízes.
O outro nos ensina a reconhecer a força que existe em cada folha.
Juntos, eles nos lembram que a natureza é uma grande biblioteca ancestral.
Quem aprende a observar uma árvore, uma folha, um vento ou uma mudança de estação começa a perceber que os mais antigos sempre tiveram muito a nos ensinar.
E talvez seja justamente por isso que nossos mais velhos diziam:
“A natureza fala. É preciso aprender a escutar.”
🌿 UM ITAN PARA REFLETIR
Conta-se que Ossanhe guardava para si o conhecimento das folhas e seus segredos.
Os outros orixás precisavam recorrer a ele quando necessitavam de seus poderes.
Até que, em determinado momento, o conhecimento das folhas começou a ser compartilhado.
Cada orixá recebeu aquilo que lhe correspondia, mas Ossanhe permaneceu como aquele que conhece profundamente os mistérios do reino vegetal.
A mensagem desse itan é poderosa:
conhecimento não diminui quando é compartilhado; ele se torna legado.
🌿 UM GESTO DE GRATIDÃO
Nosso gesto desta semana será simples e simbólico.
Escolha uma árvore ou uma planta que faça parte do seu cotidiano.
Pare por alguns minutos.
Observe suas folhas, seu tronco e suas raízes.
Agradeça à natureza pelo que ela oferece e peça sabedoria para aprender a respeitá-la.
Não é um ritual de fundamento. É apenas um gesto de consciência e gratidão.
Porque cuidar da natureza também é uma forma de honrar a ancestralidade.
✨ A LIÇÃO DA SEMANA
Iroko nos ensina a ter raízes.
Ossanhe nos ensina a conhecer as folhas.
Um nos lembra que o tempo não pode ser apressado.
O outro nos lembra que o conhecimento não pode ser tratado com desrespeito.
Talvez a vida esteja justamente nos pedindo isso:
mais raízes, menos pressa;
mais escuta, menos excesso;
mais respeito pela natureza e pela sabedoria dos nossos ancestrais.
Seguimos nossa caminhada pela Família Ungí, aprendendo que aquilo que nossos ancestrais guardaram não ficou no passado.
Está vivo.
Está na terra.
Está nas folhas.
Está nas árvores.
Está em nós.
Àṣẹ! 🌿

























