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  • há 19 horas

RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE


Era minha primeira vez com uma mulher realmente linda. Eu tinha 16 anos e já tivera experiências outras com mulheres. Mas nem de longe comparadas com aquela.  As outras me pareciam devassas e sem pudor.  Lógico que algumas eram até atraentes, mas todas promíscuas. Como o importante para mim era só o prazer, qualquer uma servia!    


           Quem facilitava minhas experiências sexuais com esse tipo de mulher era um turco “cafetão‒contraventor”, dono da banca de revistas. A contravenção dele consistia em vender mais caro para menores revistas de sacanagens destinadas a adultos. Hoje ele se enquadraria no crime de sedução de vulnerável. Eu mesmo fui seduzido por ele a deixar de comprar lanches para comprar tais revistas.


            Meu pai já havia morrido, e minha mãe, nem de longe, sonhava que seu querubim, coroinha da igreja São Vicente de Paula, no Apeadouro, em São Luís do Maranhão, fosse capaz de tamanha heresia...  “deliciar-se” com revistas pornográficas às escondidas. Mas, enfim, uma maravilha de mulher estava segura nas minhas mãos. Diria que foi atração à primeira vista.


              Entrei com ela sorrateiramente em casa, após certificar-me de que lá só havia minha mãe estendendo roupas no quintal. Levei-a para a sala e comecei a contemplar as bem traçadas curvas daquele belo corpo, os olhos violeta, os cabelos castanhos seda, e a “gloriosa” dando ar da graça dentro de uma calcinha transparente. Fui à loucura! Fazendo valer os meus 16 anos de estímulo, comecei a usufruir    daquela maravilha de mulher. A coisa foi acontecendo e, na ponta dos pés, já quase liberando o “óxido nítrico”, de súbito, ouvi um berro pavoroso:


         ― ZEQUINHA!!!...  O QUE É ISSO???... era Dona Cecília – minha mãe – desapontadíssima com o que via. Eu, segurando com a mão esquerda a revista Playboy, devorando a coelhinha americana Brooke Shields, protagonista do filme Menina Bonita, e com a outra segurando o causador de tudo. Dona Cecília voou e, com gana, tomou-me a revista... Envergonhadíssimo e com o coração a mil, saí apressado da sala e só parei na casa da minha tia, ao lado. Por ironia do destino, estava sobre a mesa, uma revista do desfile de candidatas a Miss Brasil trajando biquini (na época, o máximo). Depois dos votos de boas-vindas, minha tia, intuitivamente, retirou a revista da mesa.  Posso garantir que, mesmo que a revista tivesse ficado onde estava, naquele momento, o causador de tudo e eu não daríamos a mínima importância para as Miss de biquini, permaneceríamos como estávamos: cabisbaixos.


         Isso me custou uns dias evitando encarar Dona Cecília, mesmos nas horas das muitas orações que ela me fez rezar.      


        Tudo culpa do turco da banca de revistas... ou do causador de tudo... minha que não foi!...


       Quando completei 18 anos, minha mãe, de bom grado, devolveu-me aquela bendita revista Playboy, dizendo:


          “Agora tu podes, mas seja discreto!”  (Cultura disciplinar de uma índia timbira, a qual gostaria de tê-la para lhe dar um abraço afetuoso neste dia das mães).

 

(Atire a primeira pedra aquele que não viveu uma fantasia desse tipo!)



 

Certa feita, disse o Mestre que só a Verdade fará livre o homem; e, talvez porque lhe não pudesse apreender, de imediato, a vastíssima extensão da afirmativa, perguntou-lhe Pedro, no culto doméstico:

 

— Senhor, que é a Verdade?

 

Jesus fixou no rosto enigmática expressão e respondeu:

 

— A Verdade total é a Luz Divina total; entretanto, o homem ainda está longe de suportar lhe a sublime fulguração.

 

Reparando, porém, que o pescador continuava faminto de esclarecimentos novos, o Amigo Celeste meditou alguns minutos e falou:

 

— Numa caverna escura, onde a claridade nunca surgira, demorava-se certo devoto, implorando o socorro divino. Declarava-se o mais infeliz dos homens, não obstante, em sua cegueira, sentir-se o melhor de todos. Reclamava contra o ambiente fétido em que se achava. O ar empestado sufocava-o — dizia ele em gritos comoventes. Pedia uma porta libertadora que o conduzisse ao convívio do dia claro. Afirmava-se robusto, apto, aproveitável. Por que motivo era conservado ali, naquele insulamento doloroso? Chorava e bradava, não ocultando aflições e exigências. Que razões o obrigavam a viver naquela atmosfera insuportável?

 

Notando Nosso Pai que aquele filho formulava súplicas incessantes, entre a revolta e a amargura, profundamente compadecido enviou-lhe a Fé.

 

A sublime virtude exortou-o a confiar no futuro e a persistir na oração.

 

O infeliz consolou-se, de algum modo, mas, a breve tempo, voltou a lamuriar.

 

Queria fugir ao monturo e, como se lhe aumentassem as lágrimas, o Todo-Poderoso mandou-lhe a Esperança.

 

A emissária afagou-lhe a fronte suarenta e falou-lhe da eternidade da vida, buscando secar lhe o pranto desesperado. Para isso, rogou-lhe calma, resignação, fortaleza.

 

O pobre pareceu melhorar, mas, decorridas algumas horas, retomou a lamentação.

 

Não podia respirar — clamava, em desalento.

 

Condoído, determinou o Senhor que a Caridade o procurasse.

 

A nova mensageira acariciou-o e alimentou-o, endereçando-lhe palavras de carinho, qual se lhe fora abnegada mãe.

 

Todavia, porque o mísero prosseguisse gritando, revoltado, o Pai Compassivo enviou-lhe a Verdade.

 

Quando a portadora de esclarecimento se fez sentir na forma de uma grande luz, o infortunado, então, viu-se tal qual era e apavorou-se. Seu corpo era um conjunto monstruoso de chagas pustulentas da cabeça aos pés e, agora, percebia, espantado, que ele mesmo era o autor da atmosfera intolerável em que vivia. O pobre tremeu cambaleante, e, notando que a Verdade serena lhe abria a porta da libertação, horrorizou-se de si mesmo; sem coragem de cogitar da própria cura, longe de encarar a visitadora, frente a frente, para aprender a limpar-se e a purificar-se, fugiu, espavorido, em busca de outra furna onde conseguisse esconder a própria miséria que só então reconhecia.

 

O Mestre fez longa pausa e terminou:

 

— Assim ocorre com a maioria dos homens, perante a realidade. Sentem-se com direito à recepção de todas as bênçãos do Eterno e gritam fortemente, implorando a ajuda celestial. Enquanto amparados pela Fé, pela Esperança ou pela Caridade, consolam-se e desconsolam-se, creem e descreem, tímidos, irritadiços e hesitantes; todavia, quando a Verdade brilha diante deles, revelando-lhes a condição em que se encontram, costumam fugir, apressados, em busca de esconderijos tenebrosos, dentro dos quais possam cultivar a ilusão.


Do livro: JRSUS NO LAR

Neio Lúcio / Chico Xavier



 
  • há 2 dias

Mayrion Álvares da Silva

Estoquista

Instagram: @folhadebrumado


Um planeta onde a água domina,

Terra, foi o seu nome escolhido.

Um mundo aonde viemos de um único ser,

Planeta Mãe faria mais sentido.

 

E nesse mundo de mães por todos os lados

Em que classe materna você se enxerga?

Na classe que tem visão além do alcance,

Ou que vê tudo, mas o amor à cega?

 

Tem mãe amiga e confidente

Tem mãe rígida e protetora.

Tem mãe moderna da paz e amor

E a autoritária e dominadora.

 

Tem a mãe que não queria ser mãe

Tem mãe que nunca conseguiu parir.

Tem mãe da inseminação artificial

Tem mãe que prefere desistir.

 

Tem mãe empresária e esposa

Tem mãe dona de casa e mulher.

Tem mães que é mães de outras mães,

E mulher que não é mãe porque não quer.

 

Tem mãe psicóloga sem ser

Tem mãe vidente sem vê.

Tem mãe filósofa sem saber

E mães que desconhecem o seu poder.

 

Tem mãe coruja sem ser bicho

Mas que vira bicho para defender.

Tem mães que vivem em função dos filhos,

Outras mães morrem para seu filho nascer.

 

Tem mães que o próprio tempo não tem tempo

Para entender o tempo da sua correria.

Tem mães que acha tempo em pouco tempo

Em tempos que trocam a noite pelo dia.

 

Como é linda a arte de ser mãe

Esta arte divina está em toda parte.

O próprio artista define o ser mãe,

Como sua mais bela obra de Arte.

 

Uma arte que tem assinatura única

Independente da profissão ou da cor.

Ser mãe é o quadro mais fiel

Da criação de Deus e do amor.



 
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