
Por CARLOS AROUCK
FORMADO EM DIREITO E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS
A revista Veja revelou com exclusividade detalhes de um inquérito sigiloso da Polícia Federal que coloca Fábio Luís Lula da Silva o Lulinha no centro de um núcleo no c permanente de tráfico de influência. O relatório aponta que o filho mais velho do presidente mantinha sociedade oculta com a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Fernando Bittar para intermediar negócios milionários junto a órgãos federais.
A PF concluiu que o trio formava um núcleo de atuação coordenada para abrir portas no Ministério da Saúde na Dataprev e em outras esferas, explorando o prestígio do sobrenome presidencial.
Mensagens recuperadas do celular de Roberta apagadas, mas restauradas pelos investigadores expõem o modus operandi. Lulinha era preservado das tratativas diretas e só entrava em campo quando precisava, para se preservar, mas figurava como referência decisória e beneficiário indireto.
Roberta dizia a empresários “eu sou o Fábio” e se vangloriava de proximidade com Lula, que, segundo ela, ofereceu cargo no governo, devidamente recusado em favor da sociedade com o filho e Bittar. O grupo mirava negócios bilionários como a regulamentação e venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde ligados ao Careca do INSS.
As apurações avançam em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal, dois sob relatoria de André Mendonça e um de Flávio Dino por suspeitas de tráfico de influência corrupção e advocacia administrativa.
Há indícios de pagamentos a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex chefe de gabinete de Lula; pressão sobre autoridades da Saúde e da Dataprev e planos de tirar Lulinha e a família do Brasil, o que ocorreu com a mudança para Madri.
A mansão no Lago Sul de Brasília, usada por Lulinha e Roberta para reuniões, foi alugada em nome do dentista Rafael Nicolau Arbex por 28 mil, testemunha de Fernando Bittar no processo da Lava Jato sobre o sítio de Atibaia.
A Procuradoria Geral da República pediu a Mendonça que dois dos inquéritos sejam remetidos à primeira instância, alegando ausência de investigados com foro privilegiado.
O ministro sinalizou a interlocutores que rejeitará o pedido e manterá as apurações no STF sob o argumento de que as mensagens citam autoridades com prerrogativa de foro. A decisão reforça o controle de Mendonça sobre o caso e amplia o desgaste político do Palácio do Planalto em plena campanha eleitoral.







- há 4 horas

RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE
A pequena cidade de Bacuri, no Maranhão, não chegava a ser tão pecaminosa como as cidades de Sodoma e Gomorra, mas também envergonhava Deus.
Fazia uma noite chuvosa em Bacuri, Ivonaldo, como de costume, estava num colóquio amoroso com a cafetina Matilde ‒ dona do cabaré ‒ que, chegando ao orgasmo, gritou escandalosamente:
― Ivonaldo, tu me matas!!... Ivanaaaaaaldo, tu me maaaaaaaaaaaaaatas!!!
Dessa vez, os gritos da cafetina na lascívia com Ivonaldo foram tão altos e agitados que acordou não somente o cabaré inteiro, mas toda redondeza. Ivonaldo, acostumado com escândalos de mulheres na cama, limitou-se a ir ao banheiro. Ao voltar, a cafetina estava fria... inerte... morta. Aqueles gritos não foram só de gozo, foram também de um infarto fulminante.
Agora quem gritava era Ivonaldo, correndo nu pelo corredor, a exibir o imenso causador da desventura de Matilde:
― Matilde morreu!... Matilde morreu!... Logo a gritaria generalizou-se no cabaré e vizinhança. Sem dúvida, uma tragédia na pequena Bacuri. Afinal, foi Matilde quem iniciou quase todos os homens importantes e irrelevantes da cidade, além de ocultar a exploração sexual no interior do seu cabaré.
Depois dos alvoroços, lamentos, aflições, Matilde sepultada, a chuva forte que caía no cemitério fez jorrar, de um lajedo próximo à sepultura da cafetina, um filete de água, como se Deus resolvesse lavar os pecados daquele povo.
Como se não bastasse a tragédia da morte de Matilde, outra tragédia se assolou em Bacuri. Após o sepultamento da cafetina, o lendário garanhão Ivonaldo simplesmente não conseguia mais enlouquecer prostitutas, damas e até mesmo as novinhas que se atreviam a enfrentá-lo na cama. Nem as orações e promessas para o padroeiro São Longuinho, estavam fazendo Ivonaldo voltar a sua forma de atleta de alcova. Seria o fim das sonoras fofocas das proezas de Ivonaldo com mulheres em Bacuri. Fim de mais uma atração do lugar.
Foi aí que o representante farmacêutico Ubirajara, conhecedor das novidades, resolveu entrar na jogada. Coletou um litro da água que escorria no cemitério, entregou a Ivonaldo e deu o seu prognóstico:
― Tome um copo dessa água milagrosa antes das suas transas, e pronto!
Dito e feito: para o bem das mulheres agraciadas por Ivonaldo e a felicidade geral do povo de Bacuri, o “rei dos homens” da cidade voltou à forma, e outros “brochantes” do lugar que passaram a beber a água milagrosa da sepultura de Matilde voltaram a dar no “couro”. O milagre espalhou-se e Ubirajara tratou de colocar uma grade isolando para si o filete da água milagrosa e passou a comercializá-la para toda a Região. Logo Bacuri transformou-se numa cidade Santa. Muitas romarias ‒ a maioria de velhos ‒ provinham de todos os lugares. O prefeito Balthazar vibrava com o faturamento do município. A igreja, cujo padre Fontoura, que considerou uma blasfêmia a conotação de água milagrosa da Matilde, após as superlotações da igreja, propôs benzer o filete d`água em troca de um dízimo de 30 % do faturamento. Ubirajara contrapropôs, o padre comprar uma quantidade da sua água milagrosa para eliminar, na igreja, a tarefa de benzimentos de outras águas. Não houve acordo. A primeira-dama, Dona Zelinda e a segunda-dama, Dona Maricota (mulher do vice-prefeito), tratam de pagar ‒ às escondidas ‒ suas promessas para São Longuinho, acendendo duas velas do tamanho e grossura da “vela mestra” de Ivonaldo. Na Câmara de Vereadores, o vereador, Zé Guterres, filho da prostituta Maria Preta e de pai desconhecido, afilhado de Matilde, em meio a um discurso inflamado, sugeriu a colocação de uma imagem de 10 metros de altura da santa Matilde na praça principal da cidade. Sugestão complementada pelo pinguço Couro Fedeu, que gritou lá do meio da galera: ‒ não esquece de fazer a imagem da santa puta Matilde agarrada na “bengala” de Ivonaldo! Zé Guterres quis partir pra briga, mas foi contido pelos seu colega de vereança Zé do Bar.
Em suma: a imagem da santa puta Matilde não chegou a ser edificada por falta de beatificação, mas o espertíssimo representante farmacêutico Ubirajara continuou vendendo água do cemitério com seis milagrosos comprimidos azulzinhos dissolvidos em cada litro.








Por CARLOS AROUCK
FORMADO EM DIREITO E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS
A Polícia Federal tem em mãos mensagens que mostram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atuando de forma direta e ativa em negócios e articulações de lobby ao lado da empresária Roberta Luchsinger, investigada por tráfico de influência. Os diálogos, divulgados com exclusividade nesta segunda-feira (17) pelo Metrópoles e confirmados por CNN Brasil e O Globo, revelam que Lulinha não era apenas amigo da lobista: ele comentava, coordenava e participava de reuniões no núcleo duro do governo, orientava a emissão de notas fiscais e tratava explicitamente de oportunidades junto a autoridades federais.
Em conversa de 22 de março de 2024, Roberta diz a Lulinha que os dois operam em “nível diferenciado” e afirma: “Nosso futuro é Suíça”. O filho do presidente responde afirmativamente e revela, de imediato, que já participa de encontros reservados com Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), então chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa (Berger), secretário-executivo do Ministério da Saúde. Berger é o mesmo que abriu portas da pasta para o Careca do INSS, que tentava emplacar contrato milionário de cannabis medicinal no SUS — exatamente o tipo de negócio que a dupla acompanhava de perto.
As mensagens deixam claro o protagonismo de Lulinha: em julho de 2023 ele ordena à lobista “Emite a NF pro Cleber” (empresário alvo da PF que pagou ao menos R$ 150 mil à empresa dela), comemora quando ela confirma e, em outra troca, questiona se Roberta já havia desmentido o uso indevido de seu nome por Fernando Bittar em tentativa de “negócio gigante” na Telebrás. Enquanto isso, Roberta recebia R$ 1,5 milhão do Careca do INSS; em uma das transferências o empresário disse que o dinheiro ia para o “filho do rapaz” — referência que a PF aponta como possível menção a Lulinha.
Nesta terça-feira (18), o impacto das revelações já se faz sentir nos bastidores da campanha de reeleição de Lula: auxiliares próximos classificam os diálogos como “fatos gravíssimos” e alertam para o risco de desastre político. A defesa de Lulinha questiona a autenticidade das mensagens, denuncia vazamento seletivo e “instrumentalização por interesses eleitorais”, e afirma que só se posicionará após ter acesso integral aos autos.


























