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  • há 8 horas

Mayrion Álvares da Silva

Estoquista

Instagram: @folhadebrumado


Sempre que tento conhecê-la melhor 

Sou desarmado pela sua mudez, 

Seus olhos são palavras censuradas 

E o seu coração é a própria rigidez. 

  

Vivo cercado de interrogações 

E desnorteado pela insegurança, 

E quando tento apoiar-me 

Seus ombros ficaram nas lembranças. 

  

Quando tento criar coragem  

Você torna-se o meu medo, 

Pois enquanto eu sou desabafo 

Você é a chave de um segredo. 

  

E eu não nasci para ser reflexo 

Nem tão pouco imagem distorcida, 

Se não pode ser sincera 

Não fará parte da minha vida. 

  

Pois a incompreensão já me segue 

Desde quando perdi a visão, 

Foi quando resolvi enxergar 

Só com os olhos da cruel ilusão. 

  

E hoje não necessito mais iludir-me 

Prefiro a solidão recorrer, 

Se não posso te ter do meu jeito 

Novamente abraçarei o sofrer. 



 

Não deixes que o dia se ponha sem praticares, pelo menos, uma boa ação melhorando os próprios créditos no caminho espiritual.  

  

Vejamos algumas receitas e sugestões ao alcance de todos:  


Doar um prato de alimento a quem sofre em penúria;  


Entregar uma peça de roupa aos que gemem no frio;  


Improvisar o conforto de uma criança menos feliz;  


Promover ainda que migalha de assistência, a benefício dessa ou daquela mão desditosa; 


Oferecer um livro nobilitante;  


Escrever uma página de esperança e alegria aos amigos ausentes;

 

Conter a irritação;  


Evitar a palavra inconveniente;  


Escutar, com paciência e bondade, a conversação inoportuna, no equilíbrio de quem ouve, sem elogiar a invigilância e sem condenar a inabilidade dos que falam, tocados de boa intenção;  


Prestar serviço desinteressado aos enfermos; 


Assegurar dois minutos de prosa consoladora aos doentes; 


Cultivar o espírito de sacrifício, em favor dos outros, seja em casa ou na rua; 


Plantar uma árvore proveitosa;  


Acrescentar a alegria dos que fazem o bem;  


Auxiliar, de algum modo, aos que procuram auxilio;  


Encaminhar parcelas de recursos amoedados, conquanto ligeiras, a irmãos em necessidade; 


Articular algumas frases calmantes em hora de crise;  


Usar a palavra na construção do melhor a fazer; 


Remover espontaneamente um perigo na via pública.  


Na base de uma boa ação por terá o crédito de trezentos e sessenta e cinco boas ações por ano; se  aumentares a contagem em tempo breve, somente a Contadoria Divina conseguirá relacionar a  extensão de teus bens imperecíveis e o valor de teus investimentos no erário da Vida Eterna.  


Caminho Espírita 

Espíritos diversos 

Albino Teixeira 



 
  • há 13 horas

RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE


Hoje, 12 de junho de 2026. Mais uma vez dia dos namorados. Não guardo boas recordações desse dia. Lembro-me de quando completei 18 anos de idade, atleta, estudante de Escola Técnica Federal, comunicativo... cheguei a ter quatro namoradas ao mesmo tempo. Contudo, órfão de pai, não dispunha de grana para presentear todas no Dia dos Namorados. Sobravam-me duas alternativas: acabar com os namoros antes do dia ou aguardar o dia e dividir com as demais um buquê de flores que a gaúcha Isaura enviava para minha casa. Eu retribuía as flores de Isaura levando-a ao Cine Monte Castelo. Isaura era bem mais alta do que eu, e passear com ela de mãos dadas me incomodava, mas era o jeito. A outra alternativa era colocar uma mensagem no potente serviço de alto-falante do meu bairro - Voz Araçagi - com os seguintes dizeres: alguém de olhos verdes oferece esta música para Zequinha, filho de Dona Cecilia, com muito amor! Eu ficava repugnado pelas demais namoradas, menos por Lucinéia, a única dos olhos verdes, que afirmava ser dela a referida mensagem sonora pela lembrança do dia dos namorados. E, dessa forma, eu passava o dia dos namorados com a mentirosa Lucinéia, pensando como fazer para reatar logo os demais namoros. Um sufoco! Eu com namoradas e sem presente pra dar.    


           Até que, em uma excursão do time de Futsal da Escola Técnica à cidade de Campo Maior, no Piauí − no Dia dos Namorados −, após o jogo, iniciou-se meu namoro com Maria do Rosário, filha de um próspero fazendeiro de bode daquela região. Maria do Rosário apaixonou-se a ponto de convencer o pai a bancar seus estudos em São Luís, para ficar perto de mim.  Meu coração também passou a bater só para aquela piauiense. Logo nosso namoro tomou proporções de noivado. Dessa forma, abdiquei das demais namoradas.  Eu estava no último ano do Curso Técnico em Pontes e Estradas, e Maria, do Rosário, iniciando o Curso Normal.  


         Maria do Rosário, em São Luís, morava na casa de uma tia, no bairro Felipinho, a 8 Km da minha casa, convivendo com duas primas e um primo, todos adultos (sempre detestei primo de namorada). Notei que a tia da Rosário não via com bons olhos o meu namoro com a sobrinha, como também percebi a pretensão da megera de casar a sobrinha com o filho dela, talvez para ocupar a vida desocupada deste. Chamava-se José Raimundo, não trabalhava, não estudava e era viciado em jogo a dinheiro. Malandro! Maria do Rosário o odiava, e eu idem. Mas, como ódio e amor são alma gêmea... 


          Concluí o curso Técnico em Pontes e Estradas e Maria do Rosário passou para o segundo ano Normal. Quando já procurávamos casa para morarmos, fui cogitado para um estágio na empresa ECL Engenharia, do Rio de Janeiro. Eu precisava de seis meses do estágio para concluir o quarto ano do curso técnico, receber o meu diploma, registrá-lo no CEAA e passar a trabalhar devidamente credenciado. Na época, um status de engenheiro operacional. Debaixo de choros e de muitas juras de amor, parti de São Luís do Maranhão para o Rio de Janeiro, no início de 1973. Comecei o estágio na Ponte Rio – Niterói, em seguida, no Laboratório de solos do DER-RJ, em Niterói, depois segui para concluir o estágio no Rio Grande do Sul, na execução da rodovia BR-293, Pelotas – Bagé (estrada do presidente Médici).  As cartas, única maneira de nos correspondermos na época, eram duas por mês nos primeiros meses. Em abril, recebi uma carta na qual a Maria do Rosário dizia que tinha de estudar muito para não perder o ano. Sentindo-me culpado, achei prudente ficarmos sem correspondência até o final do estágio. Só mais dois meses. Concluí, meu estágio com méritos, no dia 10 de junho.  No dia 12 de junho, Dia dos Namorados, voei ansioso do Rio Grande do Sul para São Luís. Cheguei à casa às 17h, e às 19h parti na Rural Willys do meu irmão para a casa da Maria do Rosário, bem-vestido, perfumado e com o presente do dia dos namorados, comprado em Sant´Ana do Livramento no Uruguai, a 160 Km de Bagé (na época, nosso cruzeiro valia quatro vezes o guarani de lá). O presente de Maria do Rosário era uma calça e uma blusa Blue jeans (“Chic”). Passava pela minha cabeça, naquele Dia dos Namorados, pedi-la em casamento. Cheguei ao bairro Felipinho, parei a rural em frente à casa da tia da Maria do Rosário, dei a última olhada no espelho, peguei os presentes, saí do carro, adentrei a área da casa e toquei a campainha. O coração, em festa, pipocava de expectativa. Surgiu na porta Dona Conceição, a doméstica da casa, que gostava de mim, até por levar sempre cigarros para ela. Quando me viu, quase teve um chilique. Levou as mãos à cabeça e, antes que ela dissesse alguma coisa, entreguei o presente dela, dois panos de seda para cabeça e um maço de cigarros (importados) Marlboro, e disse: 


           ─ Mesmo muito longe, lembrei-me da senhora! Espero que goste!... Por favor, chame Rosário, mas não diga que sou eu! 


           Não sei se ouviu minha voz, só sei que surgiu de súbito na porta, tomando a frente da pasma Dona Conceição, Maria do Rosário grávida, com uma aliança na mão esquerda e, numa atitude comovente, tentou explicar o inexplicável: 


            ─ Pelo amor de Deus, me ouve!... Deixa eu te explicar!... Eu ainda te...  


            Saí apressado dali e fui para uma praia curtir o pior Dia dos Namorados da minha vida. Pela primeira vez tinha presente para dar, mas não tinha namorada para receber. Pensava: Só podia ser pragas das minhas ex-namoradas. Fazer o quê?... Saber perder!... Aquele era o dia das caças!   


            Soube que, no dia seguinte, Maria do Rosário foi a minha casa, mas eu já “voava” com destino ao Rio de Janeiro para assinar contrato com empresa ECL Engenharia e seguir para Brumado – Bahia, coordenar a execução do projeto geotécnico da Estrada BR – 030 (trecho: Brumado – BR-116). É isso aí, Dia dos Namorados nunca foi minha praia! 



 
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