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RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE


            Este mês de janeiro de 2026, faz 30 anos que as jovens Kátia, Liliane e Valquíria avistaram uma criatura estranha “um ET” num terreno baldio, em Varginha, Minas Gerais. Acontecimento excêntrico, não somente para o Brasil, mas para o Mundo. Contudo, as três jovens não pudram apresentar uma prova concreta do que realmente viram. Isso me fez lembrar do ufólogo maranhense Otavinho. 


            Natural de Pastos Bons, no Maranhão, Otavinho tinha um interesse fora do comum por OVNI


            Dona Dalva, mãe de Otavinho, afirmava que ele nasceu olhando para o céu como quem já procurava outros mundos no universo. E, assim, Otavinho cresceu, tornou-se caminhoneiro e, com ele, cresceu também o seu interesse pelas supostas aparições entre nós de habitantes de outros planetas e de outras galáxias. 


       No volante do seu caminhão, Otavinho viajava pelas estradas brasileiras sempre atento a tudo que se relacionasse com aparições de discos voadores. Relatos, fotos, notícias... Emocionara-se muito quando conheceu, em Varginha, Minas Gerais, o local onde um prefeito daquela cidade pretendia construir um campo para pouso e decolagem de naves espaciais. Achou muita sacanagem daqueles que zombaram da infinda imaginação daquele estratosférico político, o que culminou com a não execução da tão importante obra. 


       Otavinho levava tão a sério a sua mania pelos fenômenos extraterrestres que carregava na cabina do seu caminhão uma filmadora, esperançoso de ele próprio poder, um dia, documentar a aparição de um OVNI. Ou até quem sabe, registrar um contato com um extraterrestre.  ─ Já pensou aparecer nas televisões do mundo inteiro de dedos dados com um ET?... Igual ao menino do filme?! Seria o máximo! 


            Fazia mais uma noite de calor lascado lá pras bandas do  Piocerar (divisa do Piauí com Ceará), Otavinho conduzia o seu caminhão naquele ermo quando avistou, bem adiante, na margem da estrada, dois grandes fachos de luzes incandescentes. De súbito, a aguçada intuição de Otavinho o fez parar o caminhão. Intuitivamente, ele desceu do veículo com a filmadora a tiracolo. Caminhou lentamente ao encontro dos fachos de luzes até visualizar, em frente ao enorme clarão, a silhueta de uma criatura com cabeça redonda, pescoço fino, tronco largo e braços rentes ao tronco, cujas mãos tocavam o chão. Otavinho, num misto de medo e curiosidade, mesmo apavorado, preparou-se para filmar aquele vulto esquisito. No íntimo de Otavinho, não havia mais dúvida, ele finalmente estava diante de um ET igualzinho ao do filme. Apesar do calor escaldante que fazia, o ufólogo caminhoneiro suava frio e tremia de excitação, caminhando agachado em direção à inusitada criatura. Se as jovens de Varginha não apresentaram provas concretas do ET que viram, ele apresentaria um vídeo... Quiçá a própria criatura.  


           Otavinho, de súbito, conteve-se temeroso de sofrer uma abdução, porém, possuído pela sua incomensurável curiosidade do contato que poderia fazer com o extraterrestre, criou coragem e gritou para a criatura com uma voz alta e bem cadenciada: 


        ─ EU SOU OTÁVIO AUGUSTO! SOU TERRÁQUEO! CAMINHONEIRO! TÔ PRONTO PARA UM CONTATO!... 


           A voz que Otavinho ouviu saiu espremida, forçada: 


        ─ Eu sou Severino! Piauiense! Motorista da Itapemirim! Parei o ônibus aqui e tô cagan...! 


           Depois dessa, Otavinho trocou a filmadora por uma espingarda calibre 12 e jurou:  


            ─ O primeiro ET de verdade que ele encontrar pela frente vai levar um tiro na testa! 



 
 
 

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