A NOVA ERA DA IGUALDADE
- jjuncal10
- há 12 minutos
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Veronica de Oxosse Íyálorixá no Ilê Igba Òmó Aro Omin
Professora e Ativista do Movimento Mulheres Negras e luta contra a Intolerância Religiosa! Componho o Coletivo de Mulheres “Curicas Empoderadas”, atuante na área de palestras sobre autoestima e Empoderamento feminino
Neste 13 de maio, as correntes que por 388 invernos tentaram amordaçar nossa alma finalmente se tornam o ferro que forja nossas ferramentas de luta. Somos herdeiros de um tempo de desumanização, mas hoje, baixamos em terra para recontar nossa própria história, preenchendo as lacunas do silêncio com o toque do atabaque da sobrevivência. Celebramos a resistência daqueles que, com o pé descalço, firmaram o passo contra o cativeiro, deixando um rastro de luz que o Ministério da Igualdade Racial agora segue, erguendo o congá da liberdade, da igualdade e do bem-viver comunitário.

O solo brasileiro foi o último a soltar os grilhões no Ocidente. Por séculos, fomos o epicentro de uma noite escura chamada escravidão. Erguida sobre o lodo do racismo religioso, nossa sociedade tentou apagar a chama das matas e o brilho dos búzios. No amanhecer da abolição, enquanto a branquitude se banhava em privilégios, o Código Penal de 1890 tentou dar um "nó" em nossa cultura: criminalizaram nossa capoeira, nosso samba e o sagrado das nossas macumbas, temendo que o espírito de Palmares voltasse a baixar em cada esquina.
Sob o peso de um "racismo científico" que tentou ler maldade em nossos traços, fomos empurrados para os presídios — as novas senzalas de concreto. A dor que antes ecoava no tronco, hoje ressoa no cárcere, onde a falta de dignidade é uma ferida aberta que o próprio Supremo Tribunal já reconheceu. É a continuidade de um estado desumano que insiste em não ver nossa humanidade.
Mas nós somos semente de Aroeira: quanto mais batem, mais fortes ficamos. Sobrevivemos ao projeto de branqueamento que tentou lavar nossa história nas salas de aula. Hoje, refundamos esta democracia enegrecendo os fatos, sacudindo a poeira e deslegitimando as vozes que pregam nossa inexistência.
A criação do Ministério da Igualdade Racial não é apenas uma canetada; é um compromisso inegociável, um ponto riscado na história para enfrentar as demandas do racismo. É a política pública feita com o axé de quem entende que raça, gênero e classe caminham juntos, como fios de uma mesma guia.
Ao tornarmos constitucional a Convenção Interamericana contra o Racismo, firmamos nossa caminhada sob a lei do antirracismo. Não é mais opção; é determinação. O sistema de justiça deve nos tratar com a dignidade devida aos filhos de reis e rainhas, pois só a justiça equânime garante nossa plena humanização.
O Brasil retoma seu protagonismo ao propor o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 18. É o nosso clamor internacional para interromper o ciclo de violência. Queremos entender as raízes da desigualdade no cárcere para arrancá-las de vez. A reparação deve ser proporcional à dor, e a promessa deve ser sagrada: que o horror nunca mais se repita.
Fortalecendo sua missão ancestral, o MIR renova seu pacto neste Dia de Luta. Orientados pelos velhos guias da justiça racial, buscamos quebrar a herança colonial e assentar uma democracia onde o bem-viver seja a lei e o respeito seja o altar. Que os nossos passos futuros sejam guiados pela luz de quem veio antes, para que o amanhã seja, enfim, terra de liberdade.
Axé para quem é de Axé. Justiça para quem é de Luta!









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