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MATER (MÃE)

JUNCAL


O que pensar, dizer, expressar ...

Reclamar poderia ser um início

Pois quantas e quantas vezes o fiz

O motivo era meu e às vezes único

Mas sempre sem razão

 

Não havia perdão e nem misericórdia 

Pelo menos de imediato

Às vezes, me pegava de surpresa 

Colocava minha cabeça em seu colo

Que me surpreendia

 

Fazia um cafuné, que me amolecia todo

Fazendo me sentir o rei do pedaço

Com esse gesto espontâneo

E que deixou muitas saudades

Que falta que a Senhora faz

 

Sabia quando eu aprontava traquinagens

Aí o coro comia solto naquela época

Sandália e correia eram os preferidos

Mas quando provocava feio, era o que estivesse na frente

E ela não errava (sabia o que tinha feito e aguardava)

 

Mas na malandragem, tinha sandália e correia amigas

Bem treinadas para o momento 

E praticadas entre irmãos, para a hora do castigo

Eram sandália e correia de estimação

Que não causavam tanto estrago

 

Aí quando ela batia sabíamos onde sofrer o ataque

E ela até falava “não vai chorar não”

Quando então forçávamos um choro

E pedíamos para parar 

Com uma carinha de sofrimento


Tinha o momento que toda família

Estava juntinhos, reunidos

Para almoçar, jantar e ver televisão

Fora os momentos especiais de brincar na RUA

Com hora marcada para voltar, sem reclamação


Pode parecer engraçado ou até mesmo doloroso

Mas que saudade que sinto dessa época encantada

Hoje vejo a falta que ela faz, o quão bom era esse tempo

Encantado, especial, único e muito saudoso

Que tanta falta faz e hoje entristece 

 

Fora isso era encantos, histórias 

De seu passado que não foi fácil

Muito carinho, amor ela dava e demonstrava 

Se esforçando ao máximo, para satisfazer a família 

E não existe do que reclamar

 

Ela supria a ausência do pai que não tivemos

Pois faleceu cedo demais e a carga ficou toda para ela

E ela a dura penas deu conta da educação e estudos

Pois estávamos sempre em primeiro lugar

Não importava a situação, ela era demais

 

Seu aniversário era uma graça e motivo de muita alegria

A família sempre presente, 

Com a presença de amigos próximos e muita alegria

Ela a RAINHA de todos, encantava todo o ambiente

Com sua simplicidade e carinho

 

Bons tempos e uma época inesquecível

Sem esquecer as datas especiais

Como a Páscoa, Ano Novo, Natal sua data preferida

E mais o aniversário da Prole, que era superespecial

Tanta falta faz hoje (TUDO)

 

O tempo passava, a gente curtia 

E continuamos por muito tempo

Mas o tempo nem sempre nos dá tempo

Ele tem prazo de validade e chacoalha com a gente

Constrói e tem hora marcada para destruir

 

É o momento que vemos quanta falta ela nos faz

Dói muito, machuca, deixa marcas

E aí o tempo volta a aparecer 

Para curar cicatrizes e nos trazer lembranças

Momentos especiais que retornam

 

Por incrível que possa parecer, aparecem todas

Do tempo de amamentação, troca de fraldas

O gatinhar, ensinando as primeiras palavras

O primeiro aniversário, com fotos precárias

O primeiro castigo, o primeiro dia de aula

 

E o nosso crescimento e mudanças físicas

Quanta coisa boa de lembrar 

A ida a igreja aos domingos

Como um jogo de bingo em casa mais tarde

Lembranças brotam e como brotam

 

Quanta falta a senhora me faz

Que vontade de te abraçar, beijar, dizer que te amo

Dançar um tango que a senhora tanto gostava

E na hora de acordar e dormir, pedir sua Benção

E ouvir a Senhora dizer; Deus te Abençoe meu filho

 

Faz muita falta a sua presença

Hoje seria mais um dia especial

O Dia das Mães

E é uns dos dias que a senhora faz muita falta

Parabéns, MAMÃE, te amo muitão!



 
 
 

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