“A VER NAVIOS”
- jjuncal10
- 14 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

RIBAMAR VIEGAS
ESCRITOR LUDOVICENSE
Para qualquer viajante ficam as lembranças, boas e más, de suas partidas e chegadas. O escritor português Fernando Pessoa relata, com propriedade, o sentimento de suas boas viagens no texto “Passagens das Horas”.
O escritor compara o seu coração com um cofre que não se pode fechar de tão cheio de lembranças de suas viagens marítimas: dos portos onde esteve, das paisagens observadas pelas janelas ou vigias e dos sonhos nos tombadilhos das embarcações que o conduziam.
Como todo aventureiro que se preza, Fernando Pessoa, apesar do coração transbordando de boas lembranças das suas aventuras marítimas, ainda quer muito mais ao dizer que tudo isso é pouco para o que ele almeja, ou seja, ir mais além.
Viajar para longe é desbravar, conhecer, aprender, deslumbrar... é sempre muito excitante iniciar uma viagem, principalmente quando se sabe, mas não se conhece o destino dela − onde se vai pisar pela primeira vez, conhecer pessoas diferentes, coisas interessantes, outros costumes...
No seu texto” Passagens das Horas”, Fernando Pessoa revive com entusiasmo as lembranças desses fenômenos que envolvem a ânsia de qualquer gira-mundo. Afinal, explorar o mar sempre foi um grande desafio cultivado pelos portugueses desde o século XV, início das Grandes Navegações – a Esquadra de Pedro Álvares Cabral é uma constatação disso.
Portanto, é plenamente compreensível o deslumbramento do lusitano por suas viagens marítimas..., mas, nem sempre “o mar tá pra peixe”!
Numa dessas, Dom Sebastião, rei de Portugal, em 4 de agosto de 1578, comandando uma expedição marítima para conquistar, desta feita, Alcácer Quibri, norte da África, morreu provavelmente no mar. Nos portos de Portugal, aguardando a sua volta vitoriosa, o povo ficou “a ver navios” que passavam, esperando por quem jamais chegaria. Portanto a expressão idiomática − “A VER NAVIOS” −, significa ter uma expectativa frustrada, uma sensação de perda ou decepção... coisa de português.
(Fernando Antônio Nogueira Pessoa foi um escritor, dramaturgo, tradutor, inventor, astrólogo... português, nascido em 13 de junho de 1888 – dia de Santo Antônio −, e falecido em 30 de novembro de 1935, em Lisboa - PORTUGAL).











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