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ANTES DO BORI, O EGBe PRECISA SER OUVIDO

há 36 minutos
2 min de leitura

Verônica de Oxosse Íyálorixá no Ilê Igba Òmó Aro Omin

Professora e Ativista do Movimento Mulheres Negras e luta contra a Intolerância Religiosa! Componho o Coletivo de Mulheres “Curicas Empoderadas”, atuante na área de palestras sobre autoestima e Empoderamento feminino



Eu sou Verônica Moura, sacerdotisa do Candomblé Brasil, e hoje quero falar sobre uma questão muito importante: quando existe um desequilíbrio com o Egbe, por que nem sempre o caminho é começar imediatamente pelo Bori?

 

Dentro da tradição do Candomblé, entendemos que existem diferentes dimensões que precisam ser cuidadas na vida espiritual de uma pessoa. O Bori está diretamente relacionado ao cuidado com o Ori, a nossa cabeça, aquilo que sustenta nosso equilíbrio, nossas escolhas, nosso caminho e a nossa força interior.

 

Já o Egbe está relacionado à nossa família espiritual do Orun, aos companheiros de alma que fazem parte da nossa existência antes mesmo da nossa caminhada no Aiyê.

 

Por isso, quando uma pessoa apresenta sinais de conflito, cobrança ou desequilíbrio relacionados ao seu Egbe, é preciso olhar para essa questão antes de simplesmente realizar um Bori.

 

E por quê?

 

Porque o Bori é um ritual de fortalecimento e cuidado do Ori. Ele trabalha diretamente sobre a cabeça e pode intensificar e organizar o fluxo de Axé que chega até ela. Se existe uma questão espiritual que ainda precisa ser apaziguada, não devemos ignorá-la.

 

É como cuidar de uma casa: antes de colocar algo novo dentro dela, precisamos olhar aquilo que já está acontecendo ali.

 

Quando o Egbe está pedindo atenção, o caminho pode ser primeiro compreender essa cobrança, identificar o que está sendo solicitado e realizar os cuidados indicados pela tradição, conforme aquilo que o jogo de búzios revelar.

 

Isso não significa que o Bori seja ruim ou que nunca possa ser realizado. Pelo contrário. O Bori é um importante cuidado com o Ori. Mas cada pessoa tem uma necessidade e um caminho espiritual próprios.

 

Por isso, não existe receita pronta.

 

O jogo de búzios é quem deve orientar a ordem dos cuidados.

 

Em determinadas situações, primeiro será necessário cuidar do Egbe, apaziguar, oferecer o que for indicado e restabelecer esse equilíbrio. Depois, estando o caminho organizado e havendo indicação, o Bori poderá ser realizado como um cuidado profundo com o Ori.

 

Espiritualidade também é saber respeitar o tempo, a ordem e o fundamento.

 

Não é fazer mais. É fazer o que precisa ser feito, no momento certo e da maneira correta.

 

Quando cuidamos do Egbe sem esquecer do Ori, e cuidamos do Ori sem ignorar aquilo que o Egbe está apontando, começamos a compreender que o equilíbrio espiritual não acontece pela pressa, mas pelo respeito aos fundamentos

 

Porque, no Candomblé, cada cabeça tem seu caminho, cada pessoa tem sua história e cada cuidado precisa ser revelado pelo seu próprio destino.

 

Que o seu Ori encontre equilíbrio, que o seu caminho seja apaziguado e que o Axé conduza cada cuidado no seu devido tempo.

 

Verônica Moura

Sacerdotisa, Oraculista e Guardiã dos Saberes Ancestrais



 
 
 

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