O DIA DA ÁFRICA
- jjuncal10
- há 2 horas
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Veronica de Oxosse Íyálorixá no Ilê Igba Òmó Aro Omin
Professora e Ativista do Movimento Mulheres Negras e luta contra a Intolerância Religiosa! Componho o Coletivo de Mulheres “Curicas Empoderadas”, atuante na área de palestras sobre autoestima e Empoderamento feminino
O dia da África, celebrado em 25 de maio, evoca globalmente a união de um continente que se levantou para reescrever sua própria história. Mas, se cruzarmos o Atlântico e pousarmos os pés em solo brasileiro, descobriremos que essa data não cabe nas páginas dos livros de história, nem se limita ao passado. No Brasil, falar de África é falar do espelho que nos reflete todas as manhãs. Ela é o fio condutor, invisível e potente, de tudo o que praticamos, sentimos e vivemos no nosso cotidiano.
Esse cordão umbilical nunca foi partido. Quando os nossos mais velhos cruzaram o oceano, trouxeram consigo a maior riqueza que nenhuma corrente pôde confiscar: a memória viva da ancestralidade. Eles plantaram o axé nas frestas das calçadas, no silêncio das roças e no calor acolhedor dos terreiros. O que hoje chamamos de cultura brasileira é, em essência, a resistência negra que insistiu em germinar, transformando o sagrado em um território de cura e de comunidade.
Essa força transborda os muros dos terreiros e inunda as ruas. Ela está na nossa boca, nas palavras de afeto que usamos diariamente; está no cheiro e no aconchego da nossa culinária rústica e afetiva; e pulsa, sobretudo, no compasso do nosso corpo. O samba, o jongo e a batida que faz o povo dançar carregam em seu DNA a estrutura pollirritmia dos tambores ancestrais. O corpo brasileiro balança porque traz o coração alinhado ao toque do atabaque.
Celebrar essa herança no nosso dia a dia é um ato de justiça, de afeto e de soberania espiritual. Significa reconhecer que a nossa espiritualidade se manifesta na natureza, no respeito aos mais velhos e na certeza de que ninguém caminha sozinho. Olhar para a nossa rotina com esse orgulho é entender que a matriz africana é a espinha dorsal da nossa identidade. Nós somos porque eles foram, e é honrando esse solo sagrado que garantimos a força para caminhar de cabeça erguida, hoje e sempre.










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