OPINIÃO!
- jjuncal10
- 1 de dez. de 2022
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ERIC PIRES
ADVOGADO, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO, PROCURADOR DO MUNICÍPIO DE BRUMADO
Aos incautos, peço parcimônia nas conclusões. Não é um posicionamento político (sentido estrito), e sim um convite à reflexão em sentido amplo, distante das causalidades, próximo das universalidades.
Sempre ousei ser crítico da doutrina de “esquerda” (aspas porque é um termo fluído), sem qualquer intuito de convencer.
Por um simples motivo: se os escritos de Weber, Sombart, Mallock, Hayek, Mises, Popper e outros não causaram nenhum impacto nos pontos fundamentais da crença de “esquerda”, como posso eu esperar causar algo? Poderia, eu, fazer jus à suspeita de que carrego o convencimento, quando pensadores com tal poder e seriedade foram incapazes de aliviar esse ônus ou mesmo de incentivar a capacidade crítica daqueles a quem deveriam persuadir?
A doutrina de “esquerda” seduz “a priori”, sem a necessidade de maiores elucubrações, pois traz em si um potencial purificador na busca da “justiça social”, como se únicos fossem detentores desta.
Sem dúvidas, não fosse a capacidade intelectual de escritores como Hill na Inglaterra, Dworkin nos Estados Unidos, Habermas e Foucault na Europa, a “esquerda” não desfrutaria de toda a sua atual credibilidade.
Entrementes, entendo que muito do que é interessante e verdadeiro nesses escritores pode ser desvinculado da ideologia que lhes proporcionou o sucesso em voga.
De verdade, me impressiona o poder do pensamento de esquerda, de como a ideia de justiça social do marxismo-leninismo ainda é fértil.
Todas as teorias já foram refutadas: a teoria da história por Maitland, Weber e Sombart; a teoria do valor por Bõhm-Bawerk, Mises, Sraffa e outros; a teoria da falsa consciência, alienação e luta de classe por uma ampla gama de pensadores (Mallock, Sombart, Popper, Hayek, Aron).
Ainda assim, a “esquerda” consegue canalizar as boas intenções, mesmo que em um mar de desordem.
Não importa os atos que possam macular esta ou aquela controvérsia dentro do movimento, há um pressuposto subjacente de que os intentos “esquerdistas” são moralmente incensuráveis.









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