DAMA DE COMPANHIA
- jjuncal10
- 19 de set.
- 3 min de leitura

RIBAMAR VIEGAS
ESCRITOR LUDOVICENSE
Elisabeth era secretária sênior no Congresso em Brasília. Figura privilegiadíssima, não somente pela importância do cargo, mas, principalmente, por ser solteira, boazuda e nunca dizer não aos convites para jantar, viajar, velejar no Lago Paranoá, veranear, cavalgar...
Além de dispor de todo tipo de mordomia que os nossos legisladores desfrutam e ofertam aos seus protegidos, em Brasília, salários altíssimos, apartamentos luxuosos, carros executivos, viagens, auxílios até para descomer, Liza − como era mais conhecida a dondoca − resolveu ainda dar uma de princesa. Contatou uma agência de empregos do Distrito Federal encomendando uma dama de companhia. Isso mesmo: uma criada que lhe ajudasse no banho, no vestir, no comer... Exigiu que fosse uma pessoa higiênica, versátil, criativa, educada e muito discreta. Até porque o apartamento de Liza era ponto obrigatório de passagens de congressistas indiscretos.
Uma semana após, bate na porta da charmosa Liza uma simpática criatura de cor clara, traços finos, usando macacão tipo jardineira com blusa branca por baixo, calçava tênis vermelho e tinha um rabo de cavalo nos cabelos. Em uma mão trazia uma maleta e na outra um envelope-ofício.
─ Quem é você? – perguntou Liza cheia de pressentimentos.
─ Pode me chamar de Suzy. Se a senhora concordar, serei a sua nova dama de companhia.
Aqui está a minha carta de apresentação.
─ Por favor, entre, entre. Venha conhecer o apartamento... Essa é a tua suíte.
Não precisou de uma semana para Suzy mostrar aptidão e versatilidade na sua missão de proporcionar mais conforto e bem-estar a sua bela patroa. E o entendimento entre as duas já era mais harmonioso do que nado sincronizado:
─ Dona Elisabeth, pode vir, o seu banho já está pronto!
─ Tudo bem, Suzy, já estou indo.
─ Pode deixar senhora, eu tiro o seu roupão. Vamos começar pela massagem.
─ Pode caprichar, Suzy, adoro a tua massagem. Depois do creme hidratante, use o creme íntimo... no local apropriado... lógico!
─ Dona Liza, durante a massagem com o creme íntimo, a senhora parece excitar-se, nessas ocasiões, eu devo parar ou continuar?...
─ Ah! Suzy, eu não sou de ferro, né? Não gosto de me deixarem na mão!
─ Pode relaxar Dona Liza, só paro quando a senhora goz... respirar aliviada!
─ Suzy, que tal essa calcinha?
─ Posso opinar?
─ Claro, Suzy, claro!
─ Tire! Vista essa aqui – é mais apropriada para o clima de hoje.
─ Obrigada, Suzy, adoro essa tua versatilidade.
E, desse modo, Liza já se sentia a própria Scalart O`hara sendo paparicada pela sua ama seca, vivendo momentos do filme E O VENTO LEVOU.
Mas havia uma coisinha no comportamento da prendada Suzy que deixava Liza ligeiramente encucada. Vez por outra, Suzy se trancava na sua suíte de empregada durante uns 15 minutos, e isso ocorria geralmente após uma higiene corporal que Suzy lhe fazia: − Ah! Mas fidedigna como era Suzy, pensava Liza – só poderia ser para descansar um pouco, afinal esfregar, massagear, apalpar, depilar... deve dar uma canseira!...
Até que um dia, após uma meticulosa depilação íntima que fizera na patroa, Suzy entrou tão apressada no aposento dela que esqueceu a porta entreaberta. Só para satisfazer uma pontinha de curiosidade, Liza adentrou à suíte de Suzy sem avisar e quase teve um chilique.
Suzy estava deitada na cama, do jeito que veio ao mundo, mostrando mais uma faceta da sua versatilidade, fazendo “justiça” com as próprias mãos. Ao lado do ereto “condenado”, uma calcinha de Liza para enxugar suas “lágrimas” de desejo na patroa.
Liza foi à loucura:
─ O que é isso???
─ A senhora não sabia?
─ Claro que não!!!
─ Não leu a minha carta de apresentação?
─ Não achei necessário!!!
─ Tá lá escrito!... Meu nome mesmo é... João Américo!...









Comentários