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São Jorge – Ogum e Oxóssi – o Santo/Orixá da luta e da sobrevivência


Por VERÔNICA MOURA DOS SANTOS

Veronica de Oxosse Íyálorixá no Ilê Igba Òmó Aro Omin

Professora e Ativista do Movimento Mulheres Negras e luta contra a Intolerância Religiosa! Componho o Coletivo de Mulheres “Curicas Empoderadas”, atuante na área de palestras sobre autoestima e Empoderamento feminino

www.folhadebrumado.com.br


Festejado no dia 23 de abril, São Jorge é padroeiro da cavalaria, dos escoteiros e do Exército Brasileiro. Um dos mais populares e o mais Carioca dos santos. Muito venerado por seus fiéis. Na Umbanda, esse dia é dedicado a Ogum, o Orixá Guerreiro. Mas muitos Candomblecistas com passagem pela Umbanda também festejam Ògún nesta data. Já os Candomblés tradicionais festejam Ògún (em yorubá: Senhor da luta, Senhor da guerra) no mês de junho. O Povo Negro escravizado chegou à costa brasileira, a partir da primeira metade do século XVI, empilhado em navios negreiros, trouxe consigo os nosso Orixás. De acordo com a tradição Yorubá, é sempre Ogum quem vem na frente, abrindo caminho para os outros orixás, quando eles entram no barracão nos dias de festa, manifestados e vestidos com suas roupas simbólicas. Ogum ficou conhecido no Brasil como Deus dos guerreiros, “filho mais velho de Odùduà", o fundador do Ifé. Era um temível guerreiro que lutava sem cessar contra os reinos vizinhos. Ogum é também o primeiro a ser saudado depois que Exú é despachado. Quando Ogum se manifesta no corpo em transe de seus iniciados, dança com ar marcial, agitando sua espada e procurando um adversário para golpear. A história de Ogum, bem como de todos os Orixás trazidos pelos negros, como todos sabem, foi proibida em mais uma das inúmeras tentativas de afogar a cultura e a religião. Resistir é a Arte Mais Nobre do Nosso Povo.

O Orixá guerreiro teve que ser escondido, maquiado, substituído por outro cuja identidade, tão forte quanto a dele próprio, ganhou força em várias partes do Brasil, sobretudo na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, o tornando um dos santos católicos de maior devoção do povo negro do Brasil: São Jorge. Eis o sincretismo religioso no Brasil, a fuga que os negros cativos encontraram para continuarem cultuando sua fé. São Jorge foi rapidamente relacionado a Ogum por ser ele também um santo de tradição guerreira. Nascido em 275, na antiga região chamada Capadócia, hoje parte da Turquia, Jorge se tornou militar e lutou contra a decisão do imperador Diocleciano de eliminar os cristãos. Foi torturado e degolado por se negar a abandonar a fé cristã. Já na Bahia, o sincretismo de São Jorge se deu com Oxóssi, também de forma compreensível, pois é o Orixá da sobrevivência, da caça dos animais, da fartura, do sustento. Está nas refeições, pois é quem provê o alimento. É a ligeireza, a astúcia, a sabedoria, o jeito ardiloso para capturar a caça. É um orixá de contemplação, amante das artes e das coisas belas. É o caçador de axé, aquele que busca as coisas boas para um ilé, aquele que caça as boas influências e as energias positivas. São Jorge, portanto, se tornou um dos santos mais populares do Brasil, sobretudo dos negros e das populações carentes, por ser relacionado diretamente com a luta pela liberdade e sobrevivência. Liberdade de manifestação religiosa e artística, a busca do alimento e da vida plena, bens que, ao longo destes cinco séculos de vida brasileira sempre foram negados ou conquistados a duras penas pela sua grande multidão de devotos.



 
 
 

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